Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

De mal a pior

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Quase cem mil baixas nos postos de trabalho no mês de abril. Corte de 70 bilhões no âmbito federal e descontentamento do Ministro saneador porque o ajuste deveria ter sido maior. Novas ações judiciais pretendendo ressarcimento pela desastrosa administração da maior estatal brasileira. Queda de mais de dez bilhões na arrecadação do maior Estado-membro da Federação.

A crise é muito mais séria do que se pretendia supor. Não é “marolinha”, senão um verdadeiro tsunami. Mesmo assim, há quem prossiga a insistir nos pleitos que podem ser legítimos, mas não se mostram viáveis. O Brasil se defronta com gravíssimas questões. Em lugar de se assumir responsabilidade, alertar a população de que estamos a enfrentar o primeiro tempo de um ano terrível, prossegue-se como se tudo andasse às mil maravilhas.

O cálculo é simples e a conta não fecha. Emitir moeda não é solução, mas é agravamento da catástrofe. É urgente cortar na carne, abandonar os projetos delirantes, impor contenção, eliminar funções gratificadas e reduzir cargos em comissão.

O sistema Justiça também precisa se conscientizar de que talvez nunca antes neste país esteve tão periclitante a continuidade da política do crescimento vegetativo. Nem pensar em criação de cargos, em aumento de despesas, quando o orçamento aprovado, já mutilado nas assessorias técnicas, sequer se mostra suficiente para atender às obrigações de cunho alimentar.

Mais do que nunca é preciso criatividade. Fazer mais com menos. Esforçar-se. Sacrificar-se. Reconhecer que a garantia de um salário, ainda que premido por circunstâncias que neste momento não podem ser enfrentadas, é melhor do que o caos que adviria de dispensas, projetos de demissão voluntária, exonerações ou drástica interrupção da prestação do serviço.

Vamos juntos encontrar fórmulas que amenizem situações consideradas insustentáveis, mas que poderão à frente merecer resposta compatível, a depender da recuperação econômica. Esperança, confiança e empenho no trabalho é missão que o momento dramático nos impõe a todos. Sem exceção.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 04/06/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

4 pensamentos sobre “De mal a pior

  1. Pois é… Iniciei a semana com a notícia de mais um desempregado em minha família. Mais do que a dor de pensar nas conseqüências do futuro, foi mesmo ver um homem chorando em minha frente. 14anos de empresa, sendo cortado por ter um salário de gerência(alto), e que por sinal, em janeiro/2015, por ter sido um guerreiro em meio à crise que já apontava já à época – ganhou um aumento significativo, mas sendo dispensado cinco meses depois, segunda agora ao final do dia, por decidirem fechar uma das 2 lojas e estarem cortando inicialmente, os salários mais altos, logo, os mais competentes da equipe.

    A crise por lá começou depois do carnaval. Gerente de vendas, trabalhava com produtos que atendiam às construtoras. Construtoras não estão comprando nada. Difícil investir sem ter uma confiança de quando isso tudo vai acabar, e voltarão a ter clientes pensando em adquirir ou financiar seus imóveis.

    Aos que têm suas poupanças poderão enfrentar tal crise com dignidade até 1ou no máximo 2 anos, prazo que consigo enxergar para uma melhora. Mas há os que precisam do básico e nem não possuem o mínimo? Tenho me preocupado muito… Onde vamos parar?!

    Minha fé sempre me salvou e nela que me agarro nesses momentos que nada mais posso a não ser acreditar e permanece em equilíbrio se tiver que assistir mais cenas como de segunda. Só O Criador para nos dar conforto. Já que os políticos, esses são egoístas demais… Até para se reorganizarem e estando com a corda no pescoço, fazem seus cortes utilizando parâmetros vaidosos para não perderem seus votos/eleitores… E não uma análise das reais necessidades para que o caus seja realmente controlado. Gosto da sinceridade de minha tia, também politica, mas que época de campanha, sobe no palanque e diz que não tem dinheiro para campanha e nem promessas que não pode cumprir. Aí vota quem confia em seu trabalho, não quem quer benefícios pessoais trazendo desequilíbrios ao município.

  2. Foram dados sinais de que tudo estava indo mal mas foram ignorados.
    A maioria da nação negligenciou a crise e quando alertados pelos economistas e pela imprensa enxergaram apenas os profetas apocalípticos.
    Não é só a economia que está indo de mal a pior:
    Outros valores estão de desfazendo, a Nação corre grande perigo, crises econômicas passam, mas quando se perde a segurança, a saúde, a educação e a confiança, não é tsunami localizado, é terremoto dos grandes!

  3. If we don’t show a litle serious whit fired all this governament anyone contry will not respected us cause if people accepted pay so ship counts to put under the carpet and don’t be guilt the governament, only contry who do the same will invest here and us never will recupered our money and worst our shame and will fall for ever. Finaly if Brazil want save us we have fired this governament.

  4. Grandes poderes acompanham grandes responsabilidades. Cortar gastos é medida emergencial, mas que em pouco solve nossa situação. Os cidadãos brasileiros estão cansados de escárnio. Andemos pra frente com coragem e não com covardia ou imprudência. Acabemos com as corrupções, mestre. O que nossos ancestrais querem de nós? E o que nossos descendentes esperam?

    Sucesso.

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