Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O futuro do Direito

5 Comentários

O Brasil possui mais Faculdades de Direito do que a soma de todas as demais, existentes no restante do Planeta. A cada semestre, milhares de bacharéis recebem o seu diploma e esperam absorção no mercado de trabalho. Ambiente saturado para quem não tiver uma formação muito especializada, com credenciais para o enfrentamento de questões que passam ao largo do ensino jurídico.

O desafio é ultrapassar o conhecimento jurídico. Quem se contentar com as disciplinas clássicas estará condenado a não encontrar um nicho garantidor da sobrevivência. Para quem estiver antenado ao que acontece no mundo e observar as necessidades do mercado, esse terá futuro. Talvez algumas pistas sirvam para a reflexão dos futuros bacharéis.

A informatização é irreversível, tanto na vida privada como na administração pública. O domínio dessas tecnologias da comunicação e informação é essencial. Até as crianças hoje são desenvoltas no manuseio desses equipamentos eletrônicos que, aos poucos, vão facilitando a vida comum. Outro ponto a merecer consideração é a proficiência em mais de um idioma. O monoglota é alguém privado de se comunicar com o mundo civilizado. Principalmente quando ele só se exprime em Português. O inglês é hoje obrigatório. Mas ganha ponto quem puder falar também alemão e mandarim.

O advogado será cada vez mais um consultor de negócios, especialista em prevenir acidentes jurídicos, sempre frequentes para quem explora atividades na empresa privada. O direito penetrou na vida de cada um de maneira tão intensa, que é comum encontrar profissionais de outras áreas que a necessidade empurrou para o aprendizado jurídico. Um Estado que ocupa mais lugar do que deveria, que se intromete em tudo e que é um sorvedouro crescente dos nossos ganhos, precisa de limites. Estes só podem ser opostos pelo Direito. Ferramenta que, bem utilizada, consegue resolver problemas e que, manejado por incompetentes, vai causar prejuízos irreparáveis.

Os jovens precisam ter consciência de que o diploma é mera condição para um exercício profissional que pode ser promissor para o corajoso, desalentador para alguém que possui limites superáveis apenas por ele próprio. Mudar a vida é resultado de desejo firme e vontade inabalável. Ingredientes que estão dentro de nós e que ninguém consegue introjetar se não quisermos ou não deixarmos.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “O futuro do Direito

  1. PRESIDENTE JOSÉ RENATO NALINI, AS PONDERAÇÕES DO SENHOR NOS CONVIDAM A REFLETIR SOBRE O TEMA.

  2. COM O RELAÇÃO AO TAMANHO DO ESTADO GIGANTESCO, QUE FORÇA A FORMAÇÃO EM DIREITO TEMOS UMA DEFICIT NA FORMAÇÃO TÉCNICA DEVIDO AO TAMANHO DO ESTADO E DEIXA FORA DO MERCADO DE TRABALHO O CIDADÃO QUE NÃO CONSEGUE COMUNICAR-SE POIS FALTA O IDIOMA IMPOSTO PELO MERCADO, ASSIM SENDO SOMOS A SOMBRA DE UM MUNDO GLOBALIZADO.

  3. Muito pertinente seu artigo.

  4. Estava em falta na leitura dos seus artigos, devido as provas na faculdade. Adivinha o curso ? Direito.
    E quando venho leio esse texto totalmente de reflexão.
    Obrigada pela explanação sobre o assunto.

  5. Quando tivermos mais Educadores do que Advogados este será um País melhor.

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