Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

País insano

2 Comentários

O Instituto TrataBrasil apurou que a coleta de esgoto subiu apenas 0,3 percentual em um ano. Só 39% da população brasileira tem esgoto tratado. Milhões de brasileiros vivem num ambiente de risco à saúde. A população atendida com água tratada caiu 0,2 por cento. A se considerar esse ritmo, só em 129 anos se atingiria a meta prevista para 2033.

Várias capitais ostentam índices vergonhosos. Porto Velho, capital de Rondônia, tem quase 500 mil habitantes e nunca tratou um litro de esgoto. Em 2013, apenas 2,7% do esgoto doméstico era captado. Praticamente todo o esgoto vai para fossas ou escorre até córregos e rios. Mesmo assim, a cidade investiu nessa área só 0,01% da arrecadação naquele ano.

Já a cidade de Franca ficou, pela segunda vez, em primeiro lugar no ranking. Toda a população tem acesso a água tratada e coleta de esgoto. Este é tratado numa percentagem que ainda pode melhorar: 78%. Em segundo lugar está Maringá, em terceiro Limeira, em quarto Londrina e em quinto Curitiba.

Já as piores do Brasil são Porto Velho, Santarém, Ananindeua (Pará), Jaboatão dos Guararapes (Pernambuco) e Macapá, capital do Amapá. As periferias das metrópoles oferecem quadro lastimável. A ocupação indiscriminada de áreas de mananciais faz com que a água se torne inservível. Não há segurança de que os lençóis freáticos deixem de se contaminar, por isso que ninguém pode estar tranquilo, mesmo que tenha o seu poço artesiano. E em São Paulo eles se multiplicam, mais uma resposta egoística para uma crise que mereceria um movimento unânime e firme de toda a sociedade.

O Estado Brasileiro adotou o modelo provedor, tornou-se responsável por todas as demandas e aspirações, mas não cuidou de educar sua população. A má educação é concausa eficiente de aprofundamento de todas as crises. A sujeira é um atestado de falta de consciência. Produzir resíduo sólido em excesso é um testemunho da miserável situação da maior parte do povo brasileiro, que polui, suja, convive com a imundície e acredita que o governo é obrigado a atender a contento, a todas as necessidades. Muitas delas supérfluas e artificiais, fruto de uma publicidade que também contribui para deixar tudo menos limpo. Insanidade física, insanidade moral. O que nos espera nas próximas décadas?

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “País insano

  1. Conheço Jaboatão dos Guararapes, e é realmente triste!
    Reeducação é o que nos resta. Paciência e um olhar indulgente para que essa população, sai da esfera primitiva, evoluindo um passo à frente como tem capacidade, mas necessita de incentivos. Aprender e entender o quanto melhor é o caminho da autoestima e que é merecedor do melhor, basta plantar para colher – melhor que só vitimizar, e responsabilizar terceiros.

  2. A insanidade é produzida diariamente e todos os confins do Brasil.
    O Estado Politico sempre provera benefícios para colher votos.
    Como um cidadão comum, mediano deve reagir quando faz sua parte e se sente como um alienígena?
    Fomos conclamados a economizar água, luz, descartar lixo domestico separadamente etc.
    E O Estado continua perdulário, ineficiente e corrupto!
    A sociedade quer um Estado menos controlador e mais eficiente e transparente.
    O primitivismo social rende votos.
    A Educação falhou.
    O exemplo ruim vem de cima.
    Nosso modelo político está falido, más os políticos sempre prosperam!
    Bradam sobre a função social das propriedades; e Qual a função do Estado?:
    Seria prover: A segurança, a soberania, a saúde e a educação o bem estar social?
    Para que servem os tributos que pagamos?
    Sempre ouvi dizer que os insanos só o são porque minoria, revendo a questão, nós, a maioria é que somos insanos por aceitar estas condições sem reagir e permanecer inertes aceitando tudo mansa e passivamente permitindo que o Estado nos esfole lentamente.
    Aquele escrito em nossa Bandeira “Ordem e Progresso” já foi esquecido mas continuamos assistindo a tragédia ao som do mar e a luz do céu profundo, e pior… deitados eternamente em berços cada vez menos esplendidos.

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