Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Nunca mais

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O corvo de Edgar Allan Poe dizia “never more”, “nunca mais”. Talvez profetizando o que aconteceria no mundo virtual, em que algo postado numa rede nunca mais desaparece. Fica ali para sempre. Para o bem e, mais frequentemente, para o mal.

Discute-se muito a possibilidade de “apagar” alguma informação errada, equivocada ou, até, maliciosamente incluída em qualquer texto. A facilidade com que se acessam as fontes virtuais implica em produção infinita de informações. A Wikipédia, enciclopédia on-line, é um modelo de trabalho colaborativo. Conseguiu amealhar 35 milhões de artigos em 288 línguas e é permanentemente monitorada por 53 milhões de usuários.

Nesse campo instigante se digladia os delecionistas e os inclusionistas. Os primeiros querem a exclusão daquilo que não interessa, não é importante ou está errado. Já os segundos acham que tudo é importante e que, uma vez incluído na Wikipédia, o dado ali deve permanecer.

O debate mal teve início. De um lado, existe quem sustente o “direito a ser esquecido”, exteriorização do “direito à privacidade, à intimidade, ao estar só”. De outro, a transparência, o direito absoluto à informação, a publicidade que rege o mundo das comunicações.

A Constituição de 1988 abriga os dois princípios: a publicidade e a privacidade. Mas parece às vezes que a “queda de braço” foi vencida pela primeira. Até porque existe mais intensidade na divulgação, no escancarar da vida privada, na busca dos “15 minutos de glória ou fama”, enquanto que a reserva, a modéstia, a contenção discreta levou a pior.

O melhor mesmo seria viver de forma tal, que nada tivesse de ser esquecido ou apagado. A facilidade com que as coisas se multiplicam no virtual é uma advertência a que se acautelem os menos prudentes. Aquilo que se praticou, que se fez e que pode chamar a atenção, com certeza continuará a produzir resultados por um longo período.

O consolo é que tudo tende a acabar, até mesmo a realidade virtual. Mesmo os sistemas seguros com redundância não são infalíveis. O depósito na “nuvem” não é insuscetível de ser atacado e de desaparecer. Mas enquanto isso não acontece, a reiteração de fatos e fotos, versões e interpretações, falas e pronunciamentos, continuará a atormentar aqueles que se arrependem do que fizeram ou disseram. Por isso, muito cuidado nas redes!

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Nunca mais

  1. Que devemos tomar cuidados nas redes, não resta dúvidas mas devemos tomá-los em toda parte.
    Já escreveram num passado não muito distante: “Para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada”
    Poucos estão acostumados a refletir, pensar, ousar a fazer um comentário ainda que desprovidos de conhecimento e saber.
    Um comentário, uma opinião, ainda que precoce e irrefletida é um dos maiores exercícios de cidadania dentro da democracia e elencados e protegidos na Carta Magna como se referem os operadores do direito.
    Nos Blogs os comentários não são necessariamente escritos por comentaristas, pois estes sim devem faze-lo com conhecimento e saber profundo.
    Aqui invariavelmente haverão aqueles que enxergam traços de comportamentos, tendencias, pois a franqueza e a sinceridade expõe o autor do comentário ao mundo.
    E a maioria dos comentos pincelam a crise econômica, política, institucional e moral em que nos imputam., pois embora pareça, não estamos cegos e não somos inocentes estamos apenas impotentes e inertes.
    Assim devemos nos preocupar mais com o silêncio dos bons do que com o barulho dos maus, escreveu de outra forma “Albert Einstein”

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