Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A clave forte

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O Hino Nacional tem uma expressão muito simbólica em relação à Justiça: “se ergues da Justiça a clava forte“. Clava é arma, pedaço de madeira forte, algo como aquilo que Hércules usava para as suas façanhas. Significa a superioridade da força do direito sobre o direito à utilização da força.

Tenho vivenciado, em minhas andanças pelo interior, uma outra experiência. A clave forte das comunidades, na demonstração da harmonia dos sentimentos em relação à Justiça. Clave é o sinal colocado no início da pauta musical, atribuindo o seu nome à nota inserida na linha em que ela foi situada. Da linguagem musical o verbete evoluiu para significar o agrupamento de termos e ideias. Mas é emblemático o uso de “clave” para designar as manifestações de apreço e respeito ao transitório chefe do Judiciário bandeirante.

Ainda recentemente, fui brindado com apresentação do Coral Municipal de SUZANO, que ofereceu primeiro uma peça religiosa para depois exercitar um “pot-pourri” de canções tipicamente brasileiras. Em MOCOCA, a Orquestra Sinfônica me recebeu já à entrada da Câmara Municipal, brindando-me com o “Besa-me mucho” ao estilo Ray Conniff. Pouco antes, com uma simpatia inexcedível, os funcionários do Fórum me recebiam com aplausos, gesto de acolhida que sensibiliza qualquer pessoa.

No momento crítico em que a economia capenga, em que a vontade de dizer “sim” às reivindicações vê-se suplantada pela inafastabilidade do “não“, diante da incontornável insuficiência orçamentária, é confortador verificar que nem todos exercitam o inconformismo. Existem aqueles que, mesmo diante da adversidade, reconhecem o esforço, o trabalho, o sacrifício e a vontade de acertar. E não hesitam em depositar sua confiança nos transitórios detentores do comando da Instituição Judiciária.

É o que alimenta a esperança de dias melhores, a certeza de que a boa índole do brasileiro simples e bem intencionado há de superar as dificuldades e que a Justiça poderá – dentro em breve – brandir sua clava forte, para satisfazer as legítimas aspirações dos que sonham com a Pátria justa, fraterna e solidária prometida pelo constituinte de 1988.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 16/07/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “A clave forte

  1. Vamos ver se há outro jeito de aumentar o orçamento desta corte. Atenção para o MI 6499.

  2. Texto lindo! Grata pelas explicações iniciais. Aprendo demais com os seus escritos.

    Quanto à desconfiança depositada nos líderes/administradores, ontem mesmo conversa com tia a respeito. Como é difícil agradar a todos! Mas digo, o que disse a ela, que em época de crise, com a maioria dos cidadãos irritados e sem esperanças, acabamos que descontamos em todos, dada a nuvem negra que nos acompanha e nos impossibilita de melhor enxergar.

    Tia começou sua semana saindo do interior de PE, e foi para Brasília, insistir mais uma vez em um posto do INSS ao seu município. Porém, em sua cidade os rumores eram outros, de que a Prefeita, estava passeando, pense?! rs. Tiveram a ideia de ligar para ela (não vai com assessor – nem tem um) pedindo que ela tirasse uma foto do encontro que teve com o senador que fez ponte ao Ministro da Previdência, para que a notícia, se revertesse ao mais justo. Pensaram que os rumores de passeio acabariam, mas, acabou que criaram outros. O Senador que fez ponte ao Ministro da Previdência foi o Bezerra, pensa? Aí digo: não há como agradar a todos, e ela só queria o posto para sua cidade. Necessita do recurso para implantação, já que desde de 2013, possui o terreno e verba inicial própria para sua construção. Mas o que me conforta, é que certamente, quando o posto começar a funcionar, sei que valorizarão os seus esforços. Não terão mais que viajar para cidade vizinha para dar entrada em seus benefícios.

    A verdade que o mundo está doidão, e os que mais sofrem são mesmo os mais dedicados. Os que possuem “rabo preso”, nem se abalam. Sempre alerta! Prontos com boas justificativas… Fazem o jogo! Os demais, fica sem entender se nada do que fez e farão, terá o seu devido valor! Mas, de sorte não buscam méritos pessoais, e só que haja uma postura mais honesta e positiva com relação ao trabalho drealizado. E que bom, que desde já houve quem reconheceu o avanço da Justiça a partir de sua administração, e o quanto o senhor por ter respirado por muitos anos o melhor e o pior de outras gestões, tenta fazer como os anteriores, entregá-la melhor dentro do pouco tempo que lhe cabe a tanto. Vai com FÉ! Torcemos pelo senhor! Rezo também.

  3. O pensamento de Vossa Excelência explanado neste texto, nos leva a uma viagem em reflexões de onde viemos, onde estamos e pra onde desejamos ir. Parabéns pela inspiração e obrigado pela oportunidade de me levar as reflexões e permita um singelo comentário. A pureza de sentimentos, a tenacidade na caminhada diária e a esperança de um futuro melhor, que o povo brasileiro possui me sensibiliza, me emociona e alimenta na responsabilidade de cidadão. Penso que, as dificuldades nos ajudam a crescer em pensamentos, melhora nossa evolução moral e a sermos mais solidários para com o próximo. As dificuldades financeiras que as instituições públicas passam, podem ser superadas por outros valores que alimenta a alma do povo, dando esperança de que vale pena continuar acreditando. Exemplo do que digo esta na atuação do Juiz Sérgio Moro, que mesmo diante inúmeras dificuldades se desfocou de si mesmo, e através de sua dedicação, determinação e labor, esta resgatando inúmeros valores, que parte da sociedade não acreditava existir, me levando a ter orgulho de ser brasileiro. Demonstra na sua atuação, enquanto agente público, os valores éticos, morais e de justiça; conforme Vossa Excelência, com maestria abordou no seu texto “se ergues da Justiça a clava forte“. Abraços e obrigado pela oportunidade.

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