Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Sapiência compartilhada

3 Comentários

Encantaram-me três espaços museológicos em recente visita. O museu do oratório, em Ouro Preto, o museu de Sant‘Ana em Tiradentes e o Museu de Arte Sacra em Mariana. Todos em Minas Gerais, no circuito das cidades históricas.

Os dois primeiros derivam de uma generosa iniciativa de Angela Gutierrez. O museu do oratório guarda o testemunho da fé brasileira. Como a própria criadora assinala, “em Minas Gerais, o oratório simboliza ainda a gratificação da fé, pelas andanças perigosas dos aventureiros, acompanhando-os com a sua bênção e indispensável patrocínio. O certo é que esses objetos de fé, hoje escassos, ocuparam as íngremes montanhas, tornearam rios, produziram vilas, cidades, aglomeraram comunidades em torno da espiritualidade triunfante da Contra-Reforma”.

Houve recuperação da antiga casa do Noviciado do Carmo e é um ambiente de primeiro mundo, assim como o museu de Sant‘Ana, com suas trezentas imagens da mãe de Nossa Senhora, avó do menino Jesus, esplendorosas algumas, toscas outras. Mas todas evidenciando a religiosidade do brasileiro, principalmente nos séculos XVII e XVIII.

Louvável e, infelizmente, pouco disseminada a inspiração de Angela Gutierrez. Poderia guardar consigo o tesouro amealhado em contínuas viagens, verdadeira prospecção histórico-afetiva pelos confins dos rincões pátrios. Preferiu compartilhá-los e deixar à visitação dos interessados essas verdadeiras relíquias.

Emociona percorrer as moderníssimas instalações de ambos os museus por ela criados. Aliam a tradição ao que há de mais contemporâneo. Permitem consulta virtual a todo o acervo, com detalhes sobre as peças. Ouve-se, na coleção de Sant‘Ana, o relato sensível da “presença invisível” de uma imagem que havia partilhado dos sete partos de sua dona e que a insensibilidade do marido venderia junto com o acervo da antiga velha mansão a ser demolida.

Lembrei-me da “Frick Collection” de NY, outra mostra de sábio compartilhamento de tesouros que não podem ser levados para outra esfera e que só valem quando apreciados pela posteridade. Tanta gente poderia fazer o mesmo e prefere juntar, guardar, esconder, na vã ilusão de que tudo lhes pertença. Quando o destino de cada um de nós é se tornar pó. Inevitavelmente. Seja por processo natural, seja pela combustão, para os que preferirem o crematório.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Congonhas do Campo e o Santuário de Jesus dos Matosinhos: patrimônio universal! O maior conjunto barroco do mundo! Imagem: www.instagram.com/jrnalini

Congonhas do Campo e o Santuário de Jesus dos Matosinhos: patrimônio universal! O maior conjunto barroco do mundo!
Imagem: http://www.instagram.com/jrnalini

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Sapiência compartilhada

  1. Quando o destino de cada um de nós e chegar à pó….
    Quando detemos bens materiais de valor afetivo ou de rica avaliação monetária, a frase que abre este comentário é tão distante de nossos pensamentos que chega a nos lembrar estórias da Cinderela.
    Se há um apego afetivo ou doentio creio que estes bens deverão ser expostos por quem detém a propriedade, mas tudo tem um ônus, e na impossibilidade de arcar só, poder-se ia buscar parcerias com Universidades, museus ou até uma exposição em caráter itinerante, viajando pelos Estados do país, tais obras.
    Certamente com ajuda de fundos culturais, grandes Bancos que têm patrocinados exposições brilhantes, de há bom tempo.
    Se houvesse o desapego das pessoas que detém valiosos bens, e volvendo que ao pó nós retornaremos, inteligente que tais apresentações servissem de comércio, certamente acompanhado de um marchante.
    Deixo assim, minhas singelas sugestões.

  2. Quando o destino de cada um de nós chegar ao pó….
    Quando detemos bens materiais de valor afetivo ou de rica avaliação monetária, a frase que abre este comentário resta distante de nossos pensamentos que chega a nos lembrar estórias da Cinderela.
    Se há um apego afetivo ou doentio, creio que estes bens deverão ser expostos por quem detém a propriedade, mas tudo tem um ônus, e na impossibilidade de arcar só, poder-se ia buscar parcerias com Universidades, museus ou até uma exposição em caráter itinerante, viajando pelos Estados do país, tais obras.
    Certamente com ajuda de fundos culturais, grandes Bancos que têm patrocinados exposições brilhantes, de há bom tempo.
    Se houvesse o desapego das pessoas que detém valiosos bens, e volvendo que ao pó nós retornaremos, inteligente que tais apresentações servissem de comércio, certamente acompanhado de um marchante.
    Deixo assim, minhas singelas sugestões.

  3. Grata por compartilhar e divulgar bons trabalhos conosco! Não sei se há prazo para visitações, e se um dia conseguirei visitá-los, mas, já adorei ler a respeito.

    Parabéns à Angela Gutierrez! E como é difícil falar da utilidade inteligente que é o compartilhar! Se fosse só o egoísmo com correlação às obras culturais… Mas, infelizmente, assisto muitos perdendo a vida no exercício constante do acúmulo de títulos e propriedades, sem que haja uma melhor destinação e aproveitamento em prol de todos. O egoísmo tem prevalecido no auxílio material, bem como na caridade sem custos, onde poucos são os solidários dispostos a dividir o seu tempo ofertando uma palavra atenciosa a alguém, ou mesmo, a sabedoria já adquirida a um irmão que bem necessita de igual evolução.

    Sempre penso nos que possuem muito… E me pergunto como conduzem tudo, e será que esses pensam que serão eternos? E depois dessa vida, o que será? Eles (bens) ficam. E o pior, talvez os herdeiros não tenham sequer o zelo por todo patrimônio deixado. Talvez gerem brigas diversas… Mas, o importante dizer que quem tinha posse, com a morte, nada de material será levado ao plano superior. Assim como a certeza da morte, temos a certeza de uma das consequências da morte – o material fica!

    Sempre digo que se fosse milionária, deixaria à minha filha, um imóvel de um dormitório + um automóvel popular + um diploma. O restante, ela teria que conquistar sozinha, já que dessa forma, teria muito mais que a maioria, e uma vida tranquila, tendo que ir atrás da manutenção da herança, e do supérfluo ou sucesso que eventualmente quisesse para si!

    Faria questão de investir o meu último centavo viajando (vivendo!), bem como auxiliando obras assistenciais de trabalhos confiáveis. Se nada levarei, que ao menos houvesse um melhor fim da fortuna, que não brigas familiares ou qualquer outro fim distante da lei de progresso e desenvolvimento.

    Temos nossas necessidades, mas não podemos exagerar tanto nisso… Lutar pelo conforto e dignidade à família; ter uma reserva emergencial, mas, não virar um acumulador de bens na Terra, e subirmos ao Plano Superior sem nada de valor.

    Vejo sábios arrogantes. Aqueles que dizem: eu consegui sozinho, todos têm que conseguir também. E eu me pergunto: como sozinhos? Ainda que esforçados, estudando sozinhos, alguém escreveu os livros. – Todos precisam de todos! Somos o elo da mesma corrente!

    O compartilhar, seja do que for, se faz importante, pois além de ser nosso maior advogado aqui ou lá em cima, desde de já, proporcionará a contribuição para muitas misérias reclamadas de nosso país, mas, vemos que são pouco os que ofertam melhorias, ainda que através das poucas almas necessitadas que cruzam suas vidas.

    Óbvio que lembrando que as coisas materiais doadas, são consolos imediatos. Não marcam tanto o auxiliado, e tão-somente, cessam a carência material daquele momento. Melhor sempre, será compartilhar o alimento da alma, ou seja, deixar um ensinamento; dedicar uma atenção, palavra consoladora, que bem renovarão a esperança dos necessitados. Este olhar, bem poderá recompor a autoestima, trazendo um novo direcionamento ao que se sente diminuído perante à sociedade. Compartilhar amor e sapiência é o que há de melhor a se dividir. Temos resultados infinitos, e mudanças eficientes!

    Eu amante das pessoas sabias, só agradecer a todos como senhor, que, generosamente distribui sabedoria, me proporcionado luz!

    Ôba.) Parabéns pela entrevista na Band News. Tranquilo, respondeu às questões com sabedoria. Só fiquei preocupada quando disse que não dorme. Talvez, maneira de dizer, mas se não for, por favor: reze e durma! Descansado poderá receber maior luz às contas (orçamento) e desenvolvimento do Tribunal. 🙏

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