Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A legião dos imbecis

6 Comentários

Foi Umberto Eco, o famoso escritor, quem afirmou: as redes sociais multiplicaram a legião dos imbecis. Ele tem razão. Enquanto alguns se servem delas para se comunicar, muitos outros ficam viciados em criticar, em maldizer, em praticar o acinte e o deboche. Tornam-se dependentes dos sentimentos miseráveis.

É um exercício instigante analisar o que leva pessoas escolarizadas a permanecerem plugadas e a gastarem seu tempo fazendo comentários desairosos e censurando tudo aquilo que não guarde pertinência com o seu mundinho ou com a sua ambição.

Muito ganharia a produtividade se o tempo despendido em frente às telas, com inutilidades e tolices, fosse empregado em atender à demanda por trabalho. A escassez global de inteligência, de originalidade e de criatividade gera um produto pobre de imbecilidades, incompatível com o contínuo avanço da tecnologia.

Os atuais padrões 4G propiciam uma velocidade de aproximadamente 50 milésimos de segundo para que dois dispositivos comecem a se comunicar entre si nas redes. O desafio das redes 5G é satisfazer à crescente demanda por conectividade onipresente e instantânea. Caminha-se rumo à latência – tempo de resposta – de milésimos de segundo. Menos do que os 50 já permitidos pelo sistema 4G.

Como seria bom se a inteligência humana caminhasse na mesma velocidade. Ao contrário: verifica-se que a tecnologia apenas permitiu a proliferação de inutilidades, o agravamento da crueldade, a aceleração do impulso inconsequente a ferir, a machucar e a evidenciar a mesquinhez de alma dos que só sabem agredir.

Enquanto os gigantes empresariais pesquisam anabolizantes para celular, os psiquiatras deveriam procurar uma vacina para imunizar os seres minúsculos de um sentimento proporcional à sua dimensão ética: a mágoa, o ressentimento, a inveja, o despeito.

Só assim o mundo seria melhor. Cada qual cuidando da própria vida, usufruindo daquilo que a ciência oferece como facilitação da existência e do convívio, usando a rede para mensagens construtivas, para solidificar as amizades e para construir pontes, em lugar de transformá-las em fossos envenenados pela pletora de maldades.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

6 pensamentos sobre “A legião dos imbecis

  1. Nunca tanta comunicação gerou tanta falta de comunicação. Chega a ser paradoxal…

  2. Presidente, já compartilhei o seu vigoroso artigo.

  3. Presidente.. já há muito afirmo que a internet, através das redes sociais, deu espaço aos covardes! Pessoas que na vida real e fora do ambiente virtual, não teriam coragem sequer de olhar para quem elas agridem.

  4. Fato. Colocação perfeita da situação que vivenciamos no nosso cotidiano.

  5. Chamo-os de obsessores encarnados. Vivem de bisbilhotarem o quintal alheio, e torcem demais para encontrá-lo imundo!

    Mas nada encontrando, loucos, partem para presunções maléficas. Presumem muito! Criam estórias. Uma loucura! Veem o que alguém normal seria incapaz de enxergar. E sujos por dentro, não conseguem visualizar um mundo de pessoas limpas e melhores.

    Em conversa com um amigo dessa área de tecnologia e internet, ele me passou a ideia, do quanto imbecil e covarde, pode chegar um ser por de trás da tela do computador. A loucura é tanta, que muitos não assinam o que escrevem e fazem uso de vários heterônimos.

    Será que esses “fakes” são fãs de Fernando Pessoa?! Ou melhor, antes fossem. Que mente brilhante era aquela que bem fazia uso do seu excesso de criatividade, não?! Já os imbecis, por meio de perfis falsos, praticam uma diversão conhecida como os “trolls” da Internet. A principal finalidade da brincadeira, é atormentar tirando seu alvo do seu eixo/equilíbrio. Loucos, querem envolver a todos em suas loucuras.

    Já os que assinam (fazem uso de seus perfis verdadeiros) aos seus comentários mau criados; fico curiosa no que motivam seguirem a página de alguém que se tem como inimigo?! É ou não masoquismo??? Eu não adiciono em minhas redes sociais, pessoas de comportamentos que não admiro. E nem ao menos sigo, alguma página pública de alguém que nada me acrescente. E se a justificativa é de mera fiscalização em prol de melhorias a todos; penso que tal comentário, deveria ser encaminhado de forma crítica e insatisfatória, ao órgão ou superior competente. Ofensas diretas, dissolverão a frustração do ofensor? Penso que não. Nada resolve e só alimenta a obsessão em perseguir. Do contrário, passaria o dia inteiro metralhando a página oficial da presidente. rs.

    Criaturas assim, sempre estiveram presentes entre nós. Porém, com evento internet, hoje estão diariamente mais próximas = 24 horas conectadas! O avanço da tecnologia revelou um número(antes oculto), de doentes infelizes. Tudo ficou mais rápido e intenso entre nós!

    Antes, a gente já convivíamos e os denominam como frustrados e por isso, invejosos. Porém hoje, com maiores informações às vistas desses, temos essas “maravilhas” de comentários por conta da rapidez de acesso à vida alheia; praticidade que tem gerado tal descontrole generalizado!

    Antes esses usavam máscaras, e pessoalmente, exibiam um falso controle e postura no bem. Hoje protegidos por de trás de um computador, se tornam corajosos e criticam; justificam e querem brigas. Atribuem a culpa ao outro por seus fracassos pessoais. E o sucesso alheio é sempre considerado algo ilícito.

    A área da saúde tem de se manifestar. Onde vamos parar? Teremos que buscar um desenvolvimento sustentável também nisso. Já que hoje, no mínimo vemos viciados do bem (que não ficam sem internet), ou viciados do mal – esses descontrolados que se alimentam de vida alheia, perdendo tempo e principalmente vida, que bem poderia ser melhor aproveitada ao sucesso próprio, alcançando progresso que tanto cobiça do outro.

    Sempre digo que não tenho inimigos e os que insistem em me rotular, abençôo. Hoje assim, amanhã quem sabe?! Mas, se pudesse dar um conselho a esses perseguidores, eu pediria que se juntassem a quem no fundo, bem admiram. Se melhor analisarmos esses, vemos fãs que bem poderiam aprender da arte de admirar sem invejar. Mas seguem engessados, e ao invés de humildes, se unirem para absolverem o melhor do outro e conseguirem o que também almejam para si, orgulhosos, perdem tempo demais amaldiçoando-os e colecionando inimigos pela vida.

    Chico Xavier, tem uma frase que consola o perseguido e assusta o perseguidor: “Quem é perseguido, muitas vezes ainda consegui ir adiante, principalmente se estiver sendo perseguido de maneira injusta, mas quem persegue não sai mais do lugar.”

  6. Pingback: A legião dos imbecis | alaide3108

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