Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Espetáculo deprimente

10 Comentários

É muito triste verificar o maltrato infligido pela falta de educação e de civilidade ao centro histórico de São Paulo. A legendária Faculdade de Direito do Largo de São Francisco está conspurcada por pichações que refletem a agressiva ignorância de uma horda que age com desenvoltura e não poupa nossos marcos tradicionais.

Não é outra a situação do Teatro Municipal, recentemente restaurado, a um custo considerável suportado pelo povo. Acrescente-se a tal cenário a presença de ocupantes das escadarias da Catedral, do acesso ao Teatro construído por Ramos de Azevedo, a destruição dos jardins da Praça da Sé. O abandono de tais espaços públicos, destinados ao uso comum do povo, é reflexo do retrocesso acelerado em que estamos imersos.

Examinem-se fotos de São Paulo há algumas décadas. População ordeira e composta. Homens de chapéu, paletó e gravata. Mulheres adequadamente vestidas. O que houve com o “País do Futuro“? Não foi verdadeira a afirmação de Claude Lévi-Strauss de que “O Brasil atingiu o declínio sem ter passado pelo ápice“?

Por onde começar? Pela punição exemplar dos infratores que violam o patrimônio? Pela formação de voluntariado que se propusesse a exercer uma vigilância orientadora, de maneira a coibir esses atentados?

Pela conscientização de todos – Poder Público e sociedade – no sentido do perigo que representa a perda da capacidade de indignação?

A persistir a sensação de completo abandono do centro, a conviver com tantas promessas descumpridas de “revitalização“, não será possível evitar a intensificação do completo desalento. A certeza do que “não há mais jeito“, “nada a fazer em relação a um povo que não respeita sua História e suas tradições“. A alternativa é servir-se do novo passaporte provido de chip e tomar outros rumos. Em direção a comunidades onde a civilização encontra defensores e a democracia não é antagônica à ordem e à autoridade.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 23/07/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Fachada do Theatro Municipal de São Paulo na manhã do dia 18 de junho. Fonte:  http://www.concerto.com.br/contraponto.asp?id=2138

Fachada do Theatro Municipal de São Paulo na manhã do dia 18 de junho.
Fonte: http://www.concerto.com.br/contraponto.asp?id=2138

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

10 pensamentos sobre “Espetáculo deprimente

  1. Por suas próprias decisões, MM.? Pela própria capacidade de dignificação! Para onde quer que vá não encontrará o Brasil…

  2. Perfeito! Se não bastasse a falta de educação que contribui para não conservação; ainda há os vândalos, que agem de forma proposital, destruindo o patrimônio comum.

    Em visitas recentes ao CCBB, como é agradável aquele prédio. Como é bom adentrar em um local cuidado! Mas, infelizmente é uma exceção. O normal do centro de SP em locais públicos, é mesmo o abandono pela população e por parte do governo.

    Ontem assistia da primeira biblioteca de Olinda/Pe. Triste! Está abandonada! Os responsáveis, muito falam, mas pouco resolvem a respeito da reforma total do prédio.

    Hoje, li a notícia que um grupo de pichadores (Pixo Manifesto), invadiu a galeria paulistana Crivo na tarde de ontem, destruindo todas as fotografias do artista Choque. Picharam as paredes e todas as fotos, mencionados palavras de ódio contra o artista. Ao invés de se sentirem homenageados pelo fotógrafo e sua exposição de fotos justamente referentes à arte dos pichadores, não, eles não viram com bons olhos e se rebelaram da pior forma. Onde vamos parar? Prejuízo de 15mil à galeria.

    Bom, de verdade, não consigo opinar com relação ao que se deve se feito. Só o Governo, não adianta. Os jovens têm que colaborar a partir da atitude do Governo. Os pais desses, devem contribuir com uma geração melhor. Vejo muitas reclamações e rebeldias, mas, pouco contribuição com o básico que se espera de todos. Adultos, não são diferentes. Jovens têm com quem aprenderem…

    Esses dias caminhando pela calçada, vi um carro parado com o condutor mais um, ambos lanchando no automóvel. Quando mais próximo cheguei, a “linda” cena: jogou a latinha na calçada, mirando num cantinho com grama que tinha de uma árvore plantada. Deu um vontade de dizer: senhor, aqui não é lixo! Se o senhor não pode ficar com o lixo no seu carro, por que motivo acha que eu e toda população temos que conviver com ele aqui do lado de fora??? Bom… Por recomendações dos meus, tenho me contido em meio a qualquer injustiça. Rs. Simplesmente agachei e peguei a latinha, levando-a ao cesto público mais próximo.

    Mas a verdade que a bagunça é grande. Tenho uma filha de 18anos e, não saberia ensinar aos pais que converso e perguntam o que fiz com a minha. Fiz o que se espera de todos, e hoje, vêem ela como especial, menina-de-ouro, mas… Não deixo nem esses elogios chegarem tanto a ela. rs. Claro deixo que, ela fez e faz, nada além do dever básico de qualquer cidadão.

    Incrível com ser educado e bom hoje, ou é hipocrisia (ninguém acredita e tenta desmascarar – Virou anormal!). Ou, passa a ser extraordinário, quase um milagre! Onde vamos parar?!

  3. Presidente, onde estão as boas maneiras e a educação desses vândalos. Certamente não é essa a lição que aprenderam em casa e na escola.

  4. Meu caro Presidente José Renato Nalini, onde estão as boas maneiras e a educação desses vândalos? Certamente não foi essa a lição que aprenderam em casa e na escola..

  5. Realmente é uma realidade ler o pensamento: “O Brasil atingiu o declínio sem ter passado pelo ápice“, triste para nós paulistanos, que muito se orgulhava de tudo que tínhamos na maior cidade do país, como diz o Prof. Dr. Renato Naline: é reflexo do retrocesso acelerado em que estamos imersos.
    Quem sabe as autoridades municipais e estaduais, usem a carapuça essas afirmações, pois no passado tínhamos prefeito que se preocupava a andar nas feiras e junto ao público marcando seu presença como administrador.
    Quisera, não acreditar neste pensamento: “nada a fazer em relação a um povo que não respeita sua História e suas tradições“, um povo sem memória é um povo sem história.

    Francisco Zagari Neto
    Presidente Nacional da ONG ABCI – Associação Brasileira de Defesa dos Corretores de Imóveis e Empresas Imobiliárias.

  6. O cenário é triste mesmo… Mas isso é apenas uma das reações.

    As ações como falta de educação tanto dentro de casa e fora dela, é um grande problema. Isso acontece porque uma parte teve poucas oportunidades(nasceram pobre e vão morrer pobre), é um ambiente onde crescer é impossível e aceitar a realidade onde vive e fazer parte dela é rotina. Então sem motivação, sem abrir os olhos para coisas que são possíveis e sem inspirações acaba sendo difícil mesmo, gerando grandes oportunidades para pessoas partirem para o crime também(infelizmente).

    O outro lado é que o Governo não investe, é muito mais fácil persuadir pessoas com pouca educação para se manterem no poder. Seja o Governo Municipal, Estadual e Federal. Sem contar que todos os profissionais da educação precisam inovar em seus métodos, eles lidam com pessoas, então precisam se inovarem para melhorar o método de ensino.

    Outro detalhe, infelizmente tem muitos professores que já desistiram dos jovens…

    Ainda bem que existem pessoas e empresas que tentam consertar esse rombo deixado pelo Governo.

    Apesar das dificuldades, não pode-se desistir do Brasil.

  7. No Brasil, quem gosta do belo, quem é educado, quem respeita as leis, quem, enfim, pensa nos outros e não apenas em si, é visto como um estrangeiro, um ser exótico que caiu nesta terra de ninguém de paraquedas. Infelizmente, teremos de perder tudo, nossas águas, nossas terras cultiváveis, nossas belas paisagens para, talvez aí, iniciarmos um movimento de construção baseado na sobrevivência que só é possível de ser feita com solidariedade. Será a lei de destruição a nos impulsionar. Às vezes, para aguentar ver tamanho descaso, imbecilidade e ignorância, tento pensar como o Mestre: – meu reino não é deste mundo! – Isso me fortalece. Não me deixarei abater e continuarei lutando para transformar esta terra abençoada em lugar menos hostil de se viver.

  8. Muito a investir na “Pátria Educadora”.

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