Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A privacidade é frágil

3 Comentários

Estamos todos permanentemente conectados. Há uma dependência tamanha, que já se fala em “síndrome de abstinência“. Ninguém consegue deixar de consultar as mensagens, e-mails, whatsapps e instagram a todo o tempo. A conectividade é uma faca de dois gumes. Serve para localizar alguém que presumivelmente está perdido, mas fornece dados que talvez o interessado não quisesse partilhar.

Sobram pais paranoicos que acompanham cada passo de seus filhos, tenham a idade que tiverem. Recentemente ouvi de uma jovem mãe, que deixou sua filha viajar para um curso no Velho Mundo, que ela monitorou a menina em pleno voo. Não é um exagero? Os chips que permitem o “Sem Parar” dão testemunho de nossa localização. Eles respondem a outras consultas que não as do pedágio. Os dados pessoais valem dinheiro. Por isso surgem as empresas que “vendem” cadastros.

Todo contato feito nas redes propicia a quem queira e tenha tecnologia disponível, detecte seus gostos, o uso de seu tempo, o que procura e o que faz na web. Não é novidade que o tipo sanguíneo e outras características podem servir para salvar a vida, mas também para alertar as seguradoras e as empresas prestadoras de serviços de saúde da predisposição do contratante para adquirir determinadas enfermidades.

A tentativa de se estabelecer um Registro Civil Único pode ter a melhor inspiração, mas atropela um serviço confiável, exercido por agentes concursados pelo Poder Judiciário, recrutados após severíssima arguição, portadores de fé pública inexistente em outras repartições públicas. O 1984 de Georges Orwell já foi superado pela tecnologia contemporânea. O admirável mundo novo está disponível, mas a espécie humana continua a ser feita daquela matéria que não é a mais excelente dentre as disponíveis. O homem é vulnerável e sua privacidade cada dia mais frágil. Já perdeu a queda de braço com a tendência ao “liberou geral“. Salve-se quem puder!

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 13/08/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “A privacidade é frágil

  1. Presidente, parabéns pelas considerações, como sempre oportunas e inteligentes.

  2. Com relação ao vício no acesso diário, acho bem difícil a minha cura. Não há mais volta! Meu recorde foram dois dias em férias. rs. Mas hoje, não conseguiria. Conheci seus escritos – blog e páginas. Se sem sinal de internet, pediria para o senhor me enviar via SMS. rs.

    Pela manhã, ou no almoço, tenho que abrir todas minhas redes de uma vez, e saio respondendo individualmente cada mensagem recebida. Não tenho paciência para acompanhar feeds de notícias. Vou diretamente na página de quem admiro, a cada vez que me dá saudade.

    Agora, já faz um tempo que me vejo necessitada de um novo smartphone. O meu, dá vergonha perante uma roda de amigos, rs. Um dos primeiros lançados, e hoje, nada suporta relacionado à internet. Lento, desisto do acesso ou ter aplicativos ativos.

    Ensaiei trocá-lo por conta da câmera. Amo fotografias como sinônimo de guardar uma lembrança do momento e, adiei essa compra, com o medo de me tornar escrava – me perceber olhando para tela do celular, a cada apitada comunicando nova notificação.

    O meu aparelho velhinho, atende bem a principal finalidade – ainda está falando e ouvindo o alô, bem como, atende suportando uma única rede: WhatsApp – embora não carregue vídeos, ou fotos mais pesadas. Logo, atende a qualquer mensagem urgente. “Tá” bom. Rs

    Gosto do notebook para trabalho e textos que requer maior atenção ao meu natural português ruim. E uso o meu Ipad, por conta da possibilidade de uma biblioteca virtual e, de carona, por ser portátil (mas nem tanto como um celular), uso para comentar as redes de qualquer jeito, quando sem muito compromisso, o foco é passar a minha ideia, já que o teclado é como de um smartphone – péssimo para escrever direitinho.

    Segunda-feira estive em um debate do Mestre Cortella, na Livraria Cultura. Ele, resistente à tecnologia, brincava que muitos não navegam, naufragam. rs. E eu, nunca mais vou conseguir registrar uma selfie, sem lembra-lo. Disse que terá um novo negócio, e sairá do ramo da docência para abrir um Selfie Service. rs. Óbvio que ilimitado, criou uma frase para equilibrar a sua resistência, escrevendo: o que importa é saber o que importa. Logo, filtrar as informações, transformando-as em verdadeiros conhecimentos, a partir de estudos e aprofundamentos aos temas inicialmente conhecidos através da rede.

    E realmente, já há quem se aproveita dela da melhor maneira. E também temos hoje, as redes sociais sendo utilizadas para acharem os paradeiros de devedores. Ou para conhecerem um pouco da personalidade do candidato em um processo de seleção – vaga de trabalho. E o desenvolvimento avança numa velocidade… Domingo retrasado, conversava com um amigo especialista em tecnologia, e esse me falou que trabalhou em um aplicativo para celulares corporativos, a fim de medirem o percurso do táxi, burlando recibos falsos de gastos. Fora o GPS ativo no aparelho, localizando o indivíduo mesmo ainda não tendo um chip próprio implantado em si.

    Sou a favor do “desenvolvimento sustentável” em todos os campos de uma vida. rs. Somos um pouco deslumbrados e acabamos que nos perdermos em meios ãs novidades. Tornamos paranoicos, e saímos do eixo. Precisamos e há como chegarmos a um equilíbrio, antes que adoecemos se entregando ao desequilíbrio completo.

  3. Muitas coisas são frágeis e para manuseá-las é preciso técnica e “Disciplina”

    Embora uso apenas e-mail, pesquisas google, whatsapp, noticiários e todos os serviços disponíveis na rede (para minha atividade) recuso utilizar face-book e afins, me considero um analfabeto digital e sei que toda tecnologia digital tem um lado perverso, mercadológico e invasivo.
    Assim fiz minhas escolhas, embora reconheça que mesmo assim estou sendo vigiado e analisado constantemente.
    De tudo imagino que o face revolucionou a comunicação e a exposição midiática e considero que ele nos manipula e já sabe mais de nossas vidas do que nós mesmos!
    Assim diante da vulnerabilidade e da fragilidade, só tem dois preservativos: Moderação e Disciplina.
    Precisamos estar atentos pois o maior poder deste século é o da informação e do conhecimento.

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