Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A reforma possível

5 Comentários

Será utopia sonhar com uma reforma política suficientemente inteligente para colocar o Brasil nos trilhos? A muitos, talvez a maioria, ela parece improvável. Mas é muito provável que, sob certas circunstâncias, o improvável aconteça.
Por onde ela começaria?

Talvez por restringir verba do fundo partidário para os partidos sem expressão. Limitar o horário gratuito, que é muito bem pago para a mídia. Limitar os gastos com campanha e reduzi-la às redes. Eliminar as coligações para impedir que legendas sejam vendidas ou alugadas. Algo já se fez: extinguir a reeleição, que não deu certo e sobre todas elas paira a dúvida sobre a lisura do sistema. Vedar doações a partidos em virtude do exercício de função pública. Disciplinar as transferências voluntárias.

Se algo se fizesse nessa direção, o campo estaria aberto para outras discussões. Por que não pensar em eleições “avulsas”, sem partido? Haveria a possibilidade de eleição de alguns setores como a Universidade, o Empresariado, a comunidade estudantil, etc. Por que não repensar o bicameralismo? Há mesmo necessidade do Senado? Por que não rediscutir a sub-representação do Sudeste na Câmara Federal? Por que um voto paulista vale menos do que um voto de regiões de menor densidade demográfica?

A partir daí, seria interessante rever a persistência de um modelo que permite a comunidades desprovidas de meios financeiros que sustentem suas máquinas governamentais de serem municípios ou até mesmo Estados. As cidades sem renda própria deveriam voltar a ser distritos. Estados que dependem da União já são, na verdade, territórios.

O voto deve ser obrigatório ou facultativo? Por que não realizar eleições virtuais, sem a necessidade de convocação de trabalho gratuito a milhões de brasileiros, com utilização de próprios particulares e a locomoção dispendiosa de tantas pessoas, se as redes sociais já propiciam um contato imediato e online com qualquer indivíduo em todos os lugares do globo? Será que essa discussão não interessa ao enfrentamento de uma crise séria, aflitiva e que está apenas no seu desabrochar?

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “A reforma possível

  1. Parabéns pelas circunstâncias Dr. Nalini. Excelentes!

    Agora tem de haver interesse para suas implantações. Soldados comprometidos e de boa vontade HJ, estão em extinção.

    Ou melhor, conheço muitos, mas que desistiram de tentar fazer a diferença pelo país como um todo, e hoje, concentram-se seus cuidados em pequenos quadrados, sem a necessidade de estar na política, local que hoje, há mais interesses pessoais, do que sociais. Infelizmentente.

    Agora se o senhor se candidatar a quaquer cargo, tem o meu voto, e faço campanha para o senhor. Rs. Mas de verdade, não desejo isso a ti. Terás boa vontade, mas estará com um pequenino grupo de apoio, para fazer valer as suas ideias de melhorias.

    Vejo tia, gestora de uma cidade minúscula do interior de PE. Me liga deprimida às vezes, por não dar conta da bagunça que é para ter um aliado. Um bom projeto não seduz. A boa vontade por vezes, tem ser comprada. Não basta a ideia ser boa e favorecer os eleitorados.

    Eu morro, mas eu não entendo o que virou isso. Será que é tão difícil de entender que tais cargos tem como finalidade o interesse geral – ter um país melhor e não interesses diversos? Quanta ganância! Quanto ego! Quanta vaidade! Difícil… Mas no senhor, eu voto! 🙋😊☺️

    Bom fds ao senhor.
    Que o Criador lhe abençoe HJ e sempre…

  2. Bastaria que o voto respeitasse o principio demografico e fosse facultativo que ja seria uma grande reforma.

  3. Sr. Presidente, minha visão é que a reforma almejada acontecerá.!
    As circunstâncias são as melhores e grande parte da Nação, já se cansou de bater panelas, protestar nas ruas e de apanhar da inflação.
    A indignação é tão grandiosa que estamos no limite perigoso de revoltas e de insurgências.
    A imprensa não tem feito essa leitura do cenário, más o caldeirão dos descontentes e impotentes está em alto gral de ebulição.
    A discussão interessa aos Brasileiros que querem mudanças; políticas, econômicas e sociais.
    Precisamos de dias melhores, de transparência e de punição e exclusão desses parasitas inservíveis hospedados no sistema.
    Os políticos estão achando que é absolutamente normal roubar e enganar o povo!
    Mas estão esquecendo que a Constituição nos deu poderes para mudar as regras políticas e inclusive excluir as quadrilhas e escolher os melhores.
    Onde encontrar as lideranças que possam reunir os Homens Notáveis deste país?
    Já passou da hora de uma nova organização por água na fervura, forçar as reformas, e reconduzir o gigante que acordou e não sabe mais caminhar!
    Se tivesse nobel da corrupção….. da incompetência, da imoralidade, da má gestão, da improbidade, do mal caratismo, e de todas essas coisas que assistimos e lemos incrédulos nos noticiários, jornais e revistas, o local de entrega do premio seria o Brasil, e os laureados encheriam o Maracanã.
    Aqui também teríamos a sede da F.I.C.O, FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DA CORRUPÇÃO OSTENSIVA que poderia ter como filiada a F. I. F. A -Federação Internacional dos Filhos da Anta ( sem ofender o bicho) qualquer semelhança com a outra, não é coincidência, quem afirma é Andrew Jennings em seus livros.
    Finalmente, Sr. Presidente está crise que é numa visão pessoal e simplista; ,parcialmente institucional, não está desabrochando…. ela já está dando muitos brotos e se não combatermos as pragas com as técnicas, alternativas e ideias sempre reflexivas e provocativas do “pensar’ de quem está muito próximo do poder máximo e sem se contaminar e que leio e comento respeitosamente; precisaremos erradicar todo o pomar.

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