Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Ilusão pura

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É ingenuidade acreditar que os poderosos limitem seu poder”. A frase de Giordano Bruno é verdadeira e adequada para o presente momento brasileiro. Uma República envolta em escândalos, a naufragar numa economia capenga, só enxerga reação a partir de mais dolorosos esfolamentos da já sofrida população.

O mal deveria ser cortado pela raiz: diminuir drasticamente o tamanho do Estado. Máquina crescente e incompetente, continua a inflar e a exigir mais e mais sacrifícios da massa que a sustenta.

A “ilha da fantasia” logo será substituída pelo “trem fantasma”. PIB negativo, desemprego acelerado, inflação galopante. E parece que tudo vai bem, como na velha estória do estudante que permaneceu alguns anos em Coimbra e, ao voltar, pergunta ao condutor de sua carruagem:

Como estão as coisas?”. Recebe como resposta: “Tudo bem, sem novidade!”. Aos poucos toma conhecimento da bancarrota da família, da morte da mãe após o suicídio do pai e de seu estado de miséria. Mas a primeira resposta foi “Tudo bem, sem novidade!”.

As novidades não incluem a redução do número de Partidos. Recentemente, um poderoso líder político chegou a admitir perante atenta plateia de ouvintes: “Por incrível que pareça, o Brasil só teve partidos mesmo durante o autoritarismo. Agora, todos os partidos são iguais”.

Não há governabilidade com mais de trinta partidos, muitos deles criados para formar coligações e oferecer espaço na propaganda que, embora dita “gratuita”, o povo paga regiamente à mídia para a sua veiculação.

Tudo o que o Estado faz é mais caro, menos eficiente e vulnerável à corrupção. A receita é reduzir a máquina estatal. Simplificar a profusão normativa que não permite que a iniciativa privada alcance qualquer êxito, tantas e tamanhas as artimanhas burocráticas e os acidentes de percurso para quem quer trabalhar num ambiente inseguro, ambíguo e desfavorável.

A mais urgente das reformas seria a política, para encarar de frente aquilo que não se quer enxergar: ninguém mais acredita num sistema que perpetua as mesmas nefastas práticas, que é um peso exagerado para um País que precisaria recuperar o tempo perdido e que preserva costumes promíscuos da ilicitude e da falta de seriedade. Mas, ao que tudo indica, pura ilusão acreditar que os beneficiários da situação se proponham a modificá-la!

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Ilusão pura

  1. Sr. Presidente, Utopia e Ilusão à parte, com tudo que observo, e que interpreto, somado aos Vossos pensamentos, reflexões, apontamentos neste respeitado Blog, me cabe lhe perguntar com todo respeito:

    Está ausente o Poder Jurídico? Não tem mecanismos constitucionais para controlar o Poder Político!

    Porque não se apura e se pune os atos políticos com a mesma eficiência e rigor que se pune o simples cidadão?

    O Poder constituído, eleito, somado aos nomeados, estão acima de tudo e de todos…e aqui em baixo nos rodapés da cidadania, para sermos respeitados como cidadãos e assistidos judicialmente somos obrigados a provocar o Judiciário!

    Já no roda-teto da República os Poderes se misturam, se corrompem, se locupletam, se organizam para o bem pessoal e individual, o coletivo só se forma entre corruptos e corruptores onde o Público se mistura com o Privado e vice-versa.

    A insegurança jurídica está permeando todos os lares, pela falta de controle do Poder Judiciário sobre os Políticos.

    Todos os números do Mensalão do Petrolão e de tantos aõs que estão por vir, são muito maiores do que apurado!.

    Não é hora de dividir as responsabilidades com as autoridades máximas do Judiciário?

    Ou está faltando homens servidores, probos, diligentes, prudentes, honestos, capazes…. tais como aqueles dois que ficaram em grande evidência na mídia?

    Ou a Policia Federal e o Ministério Público, estão pregando no deserto?

    Não posso crer que no universo de tantos servidores do Judiciário, qualificados, de saberes e experiencias inquestionáveis tal qual Vossa Excelência…..nada podem fazer?

    Não é preciso ser de um partido, de esquerda de centro ou de direita, nem tampouco pregar o anarquismo, namorar a monarquia ou flertar com os militares para perceber que democracia não é o que estamos vivendo, estamos na eminência de um desastre político econômico e social.

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