Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Tudo é política

8 Comentários

O atual momento brasileiro faz com que a maior parte da população tenha ojeriza pela política. Com razão. A arte de gerir a coisa pública tornou-se meio de vida e tutela dos próprios interesses. A promiscuidade entre o público e o privado é calamitosa. Faz com que a juventude se afaste desse meio, deixando-o alvo fácil da avidez dos menos providos de ética. O fenômeno da generalização inibe que se distinga entre o joio e o trigo. Entretanto, não seria impossível mudar o Brasil, se a lucidez se aglutinasse em torno a uma real e profunda mutação de paradigma.

Não é impossível enfrentar questões como o financiamento de campanhas, o fundo partidário e as emendas parlamentares. O sistema eleitoral é um fenômeno histórico-político e as raízes da crise brasileira não são de difícil constatação. O que de fato avilta a representação política é que ela é, quase que exclusivamente, uma atividade econômica.

Não pode haver “profissionais” da política. O desempenho do múnus público deveria ser um “plus” para os que sobrevivessem de seu trabalho e de sua profissão. As eleições brasileiras se converteram num “business”. Gastou-se quase um bilhão nas eleições presidenciais. Gastos prioritariamente aplicados na propaganda eleitoral. Gasta-se também com o Fundo Partidário. Cerca de 314 milhões por ano. A “gratuidade” da propaganda eleitoral é uma falácia. Tudo é dedutível da tributação que sustenta a máquina estatal, os investimentos e as atribuições cometidas ao Estado.

As emendas parlamentares têm pequena importância fiscal, mas um elevado poder de corrupção. Analistas políticos atribuem a elas a contínua reeleição dos mesmos parlamentares. Outra praxe abusiva é a doação obrigatória de parte dos salários dos comissionados. As prestações de contas são complicadíssimas e a Justiça Eleitoral não tem condições de torná-las eficientes. Há impossibilidade fática de apreciação de contas dos eleitos, quanto mais a aferição dos gastos dos que não foram eleitos.

Seria possível uma reforma política no Brasil de hoje? Ela é imprescindível, pois tudo é política e depende da política. Não se enganem os que dizem não se interessar por ela. A omissão também é uma política. E das mais prejudiciais à saúde da República.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

8 pensamentos sobre “Tudo é política

  1. Ando meio desiludida. Inquieta e se rebelando, mas sem muita confiança em grandes melhorias, mesmo depois de tanta rebeldia (pressão) popular.

    De lá, sempre nos restarão “calmantes” para tranquilizar nossos ânimos aflorados. Tipo, dissimular que estão conosco. Liberarem migalhas! Mas… Estão verdadeiramente com eles, e maquiam tudo como para nos agradar, mas continuam suas manobras para alcançarem os seus propósitos…

    As eleições brasileiras se converteram num “business”. E tem vagas a todos que optarem fazer parte deste comércio. Alguns eleitores, já aderiram! E desde de sua realização, até a motivação de um candidato à eleição, assistimos interesses diversos. Quem se apresenta pensando na nação?

    Tomam posse, e podem fazer 100% à nação. Mas, o habitual é oferecer 50% de benfeitorias à sociedade. Para que mal acostumá-los, não? Ja estão acostumados com o pior. Melhor para nós, eles dizem.

    Hoje, vejo celebridades diversas fazendo uso de sua publicidade, para conquistarem um lugar político ao sol. E o que esses entendem da responsabilidade do cargo? Pouco. Mas a motivação é a gorda estabilidade de seus vencimentos.

    Antes eu dizia: se nada der certo, viro rip! Hoje, melhor seria dizer: viro mulher-fruta e assumo um cargo político em seguida. ;) #quePaísÉesse

  2. Gostei muito da chamada de atencao do Presidente: a omissao tb e uma posicao politica.
    Digo mais, a omissao e ate certo ponto e entreguismo ou concordancia passiva.
    Cade o nosso protagonismo? Afinal o governo e nosso e nao nos somos do governo.
    Quantas vezez tem se que repetir que nao adianta ficar culpando o governo. Enquanto fazemos esta politica de omissao e reclamacao e o mesmo que uma anti acao, uma acao oposta sem resultado pratico.

  3. Uma pergumta que munca calara: Lula e Dilma passaram por todo esse pocesso, mensalao e lava jato, sem nunca terem tomado conhecimento de nada disso? Eu nao creio na inocencia dos presidentes. Eu creio numa pretecao descabida que chamam de garantirismo como se fossem denunciados cairiamos mum caos politico sem precedentes. Na historia coisas piores ja aconteceram e interinamente o presidente do STF assumiu ate a eleicao de um novo presidente da republica.

  4. Tudo é política entre os cidadãos de bem, o que temos no Brasil são politiqueiros.

  5. Penso também que um administrador público deve saber olhar para as próprias responsabilidades antes de criticar os Poderes vizinhos. Por exemplo saber elencar prioridades para o órgão público do qual é o maior responsável por sua gestão. Querer economizar naquilo em que a população paulista mais precisa que é a CELERIDADE dos processos judiciais é de fato um acinte ao interesse público além do que o orçamento de 2015 foi construído pelos impostos recolhidos de 2014 e pelo que me consta o volume do total repassado ao TJ foi superior inclusive a inflação de 2014. Outrossim as substituições dos escreventes técnicos que pediram exoneração não geram acréscimos nenhum nos gastos do Tribunal de Justiça de SP. Há cartórios “beirando à insolvência” tamanho o volume de serviço para três funcionários inclusive impedidos de tirar férias ou licença-prêmio…A certas economias que geram prejuízo, a posteriori, e está é de caráter prejudicial, que só se justificaria no caso em que o Tribunal de Justiça Bandeirante estivesse a beira de fechar suas portas oque ainda não é o caso. Quem dá essencial celeridade ao trâmite processual através de inúmeros procedimentos de ordem técnico-jurídica são os referidos funcionários. Peço que repense sua decisão que está sufocando os cartórios e remaneje os planos de economia para outros setores do Tribunal de Justiça mas não para uma área tão sensível quanto essa. E volte a dar prosseguimento as nomeações dos escreventes aprovados no concurso de 2014. A receita com os impostos caíram até o momento 3,4% no primeiro semestre de 2015. Nada aterrorizador por enquanto a ser esperado para o ano que vem, haja visto que no final dos três últimos meses a economia no Brasil, historicamente, sempre tem crescido. Não se pode ab-rogar-se completamente na definição do que é de interesse público para o Tribunal de Justiça e sobrepor-se a lógica da angústia popular por celeridade processual. Para o cidadão que procura ser atendido nos cartórios com a máxima presteza e ver suas demandas judiciais serem atendidas com a máxima celeridade possível, muito aquém nos dias de hoje, a retomada das nomeações dos escreventes é de fundamental importância. Eu mesmo fui a três cartórios novamente semana passada e fiquei em média vinte minutos para ser atendido com poucas pessoas a minha frente e os despachos que fui verificar ainda não haviam sido dados em razão da gigantesca quantidade de processos para pouquíssimos funcionários. Peço vênia a Vossa Excelência nesse sentido. Boa tarde.

    • Como faço pra pagar um churrasco pra você? Parabéns pelo texto, e que o Presidente Nalini seja sensato e não sucateie mais ainda os cartórios e nomeie os escreventes da Capital, Interior e Litoral.

  6. A lucidez de seus textos me inspiram.

  7. Corrigindo meu erro (crasso) de concordância no comentário anterior.
    A lucidez de seus textos me inspira.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s