Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Como seria bom

4 Comentários

Como seria bom para o ambiente se o “desmatamento zero” fosse uma verdade, um compromisso e não uma intenção retórica. Como seria bom se o artigo 225 da Constituição da República fosse de fato observado e não mera proclamação. Como seria bom se a Encíclica do Papa Verde, Francisco, fizesse as pessoas refletirem sobre os contínuos e inclementes maus tratos infligidos sobre a natureza.

Mas a verdade é que as expectativas em relação ao acordo que o Brasil celebraria com os Estados Unidos na recente visita presidencial se frustraram. Nada mais do que o mesmo. Insosso, inconsistente, falível e falacioso. Velhos propósitos de redução do desmatamento. Como se algo de efetivo estivesse a ser feito para coibir a devastação acelerada.

Como seria bom se a educação ambiental fosse uma política pública séria, a envolver todas as pessoas, todos os entes estatais, todas as organizações, empresas, grupos e instituições. Não. Há uma lei, há alguns esforços desconcentrados. Mas o que se vê por todo o lado é o lixo crescente, produzido por uma sociedade que faltou à aula dos deveres. Só esteve presente à aula dos direitos.

Qualquer País do Velho Mundo ostenta uma limpeza que envergonha o brasileiro. Passar pelo centro de São Paulo é encarar a indigência. Não apenas a miséria humana, de seres excluídos que se apossaram dos passeios, dos desvãos, dos becos, dos baixios dos viadutos. Mas a miséria da sujeira. Patrimônio histórico e arquitetônico inteiramente conspurcado. Pichações, resíduos sólidos produzidos pela insensatez amontoados e atraindo insetos, roedores e todo o tipo de pestilência. Pobre São Paulo! O que fizeram de você?

Fotografias de algumas décadas passadas mostram um centro limpo. Pessoas dignamente vestidas. Homens de paletó e gravata. Mulheres de luvas e chapéus. Onde foi parar a civilização paulistana? Tudo levado de roldão por um consumismo egoísta, por uma convivência mesquinha e imediatista. Como seria bom se conseguíssemos retomar a trajetória da civilização em vez de chafurdar no declínio dos valores, dos costumes e da estética. Tão próxima e tão distante da ética.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

4 pensamentos sobre “Como seria bom

  1. A propósito do Meio Ambiente:
    Assisti surpreso a remoção de obras, equipamentos, cercas e outras tralhas às margens do Lago Paranoá em Brasilia.
    É apenas o cumprimento das Lei!, num momento de clímax nacional, que atinge autoridades políticas e inclusive do Judiciário, pois somos todos iguais perante Lei! ou Não?

  2. Amei: “Como seria bom se conseguíssemos retomar a trajetória da civilização em vez de chafurdar no declínio dos valores, dos costumes e da estética. Tão próxima e tão distante da ética.”

    Seria realmente muito bom! Tenho três décadas e meia, mas… sinto que esse mundo não é meu! rs. Pai, ri muito comigo quando digo que sinto saudades do passado, mesmo não tendo vivido-o nesta vida.

    Sou apaixonada por fotos antigas que retratam como tudo era, bem como, por filmes e novelas de época. Meus olhos se enchem de emoção ao ver o comportamento – abordagens usadas à época; educação dos filhos; vestuários impecáveis; decoração das mansões; o som do piano etc. Hoje, chego “voando” em casa, para assistir a novela ‘Além do Tempo’. Linda! Cenários e figurinos.

    Agora, com relação ao descaso com o nosso meio ambiente, penso que tem faltado o básico a muitos. Ainda hoje, assisto pessoas de dentro de seus veículos jogando lixos às ruas. Ou pedestre mesmo, jogando. Uma coisa que pouco entendo e, para não sofrer represálias, hoje abençôo (perdoa senhor, Ele não sabe o que faz) e pego o lixo jogado pelo porcalhão.

    Medidas e direcionamentos de cima, seriam sim bem-vindos! É aí, me incluo neste aprendizado. Poderia me aperfeiçoar, aprender a auxiliar sem que seja na dor, mas antes, com o amor à nossa natureza linda e ainda viva!

    Vemos a crise hídrica e o quanto tem nos ensinado?! Eu me adaptei ao reaproveitamento das águas, antes descartadas sem outros fins. E mesmo dentro de um apartamento, super tem dado certo! Nunca me imaginei fazendo algo tão simples, e super válido. Tudo é questão de boa vontade e um bom esquema.

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