Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Vamos limpar São Paulo?

9 Comentários

Para participar do 104º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça, estive na semana passada em Curitiba. Fiquei impressionado com a limpeza da cidade, com o asseio de todos os espaços públicos, com o apuro com que os canteiros de todos os Parques são cuidados. Cravinas e amores-perfeitos em todos os espaços, ônibus panorâmicos de turismo repletos de visitantes, algo realmente civilizado, como costuma ocorrer em todo o mundo.

Já São Paulo, nossa maior conurbação, é uma lástima. Não há um prédio sem pichação, não há um vão das ruas sem lixo se acumulando, não há passeio que não esteja ocupado por seres humanos que precisam sobreviver dignamente, não na rua. Será que a população já está anestesiada e não vê o estado sofrível de nossa metrópole? Sei o quanto a Municipalidade gasta com o recolhimento dos resíduos sólidos. Gasto inútil, quando se verifica a recorrência da mais absoluta falta de educação, com pessoas escolarizadas jogando seus detritos em todos os lugares.

O estado físico da cidade é compatível com o estado de espírito de uma Nação desalentada, desesperançada, sem confiança nas instituições e nas autoridades. Não se espere que a resposta venha do Governo. Este não consegue reverter o quadro. Se reação tiver de vir, será do povo. O cidadão é que deveria reagir e fazer aquilo que o Poder Público não consegue fazer.

Por que as famílias não “adotam” edifícios públicos como a Faculdade de Direito da USP, a tradicional e sempre renovada Academia do Largo de São Francisco e a recupera, livrando-a das sujeiras que a emporcalham? E por que não se faz o mesmo com o Teatro Municipal? E com todos os demais edifícios públicos ou não? Seria tão bom que os pais dos alunos cuidassem das Escolas e mostrassem a seus filhos que os danos causados são reparados com dinheiro do povo, que vai faltar para a saúde, saneamento básico, segurança e outras necessidades básicas. Só assim é que se conseguirá limpar São Paulo e não mais invejar outras capitais, que conseguem preservar sua imagem e dar um exemplo de população civilizada.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 27/08/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

9 pensamentos sobre “Vamos limpar São Paulo?

  1. Parabéns Presidente José Renato Nalini pela lição de civilidade e cidadania. Se cada um cumprir o seu dever, a cidade melhora. Há edifícios maravilhosos na Capital de SP, como a Faculdade de Direito do Largo São Francisco e o Teatro Municipal, citados como exemplo.

  2. Com cuidado manifesto que há parte do texto pela qual parabenizo o ínclito Presidente. Notadamente noutro me parece distante da realidade da cidade de Curitiba. A priori, a praça Sete está vandalizada, encharcada de traficantes e usuários de drogas pesadas; no verão o centro curitibano transforma-se numa cratera mal cheirosa de esgoto por conta dos aterramentos dos córregos sem devida manutenção os quais circunda toda a região. Se a referência de limpeza é o bairro do Batel e adjacências, é possível encontrar certo organização na cidade (trata-se de local nobre), mas lamentavelmente o prefeito é desnorteado à permitir que boates como a Vox funcione sem cobertura fidedigna de alvará de funcionamento, excessividade de tráfico e uso de drogas no ambiente da casa, e condição de saída de emergência precária. A prostituição deu um salto entre os jovens (não posso agora quantificar), mas o índice de vandalismo na suja praça Espanha é deprimente. Parabenizo então, ao direcionar críticas à nossa São Paula, sofrida, sobretudo degradada. Quem sabe habilitam-se políticos dignos, como é a gestão de Vossa Excelência frente ao glorioso Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo, para tonificar definitivamente a puerilidade que outrora tivemos aqui em São Paulo. Um amistoso abraço Presidente.

  3. Perfeito Doutor! Independente da cidade, temos de fazer a nossa parte!

    Do que adianta tanta esperança do verbo esperar, como diz o mestre Corttella?! Temos de ser a diferença que esperamos do mundo. Pequena, uns dirão… mas necessária!

    Assumir ao menos as nossas responsabilidades de alcances. Já que, do que adianta reclamar do governo e enquanto isso, bem convivermos em meio ao lixo. O quanto melhores seremos de braços cruzados, e sem o mínimo de esforço: conservação ao menos de tudo!

    Um bom direcionamento familiar, poderia sim, alcançar um melhor encaminhar em nosso dia a dia. Eu acredito que o início de todas as desordens, vêm mesmo da educação familiar. Não julgando-os ou culpando-os (sei que cada qual dá o que pode e o que aprendeu/recebeu lá atrás), mas de forma a explicar/sinalizar e talvez, quem sabe consertar… onde também me incluo (quem sou senão mais um ser ignorante em desenvolvimento, mas com boa vontade em ser melhor?!).

    E as escolas, também poderão contribuir com exercícios práticos. No Japão, temos as crianças varrendo os chãos de suas salas de aulas e corredores escolares. Auxiliando as merendeiras durante as refeições.

    Lembro que na minha época escolar, estudava no EEPSG Rodrigues Alves, escola pública que fica ali na Avenida Paulista, e que tinha uma diretora oriental excelente! Lembro que ela implantou que cada aluno, seria responsável por sua carteira (mesa). Tínhamos um vidrinho com álcool que levávamos de casa, com uma flanela. Independente de quem a riscou ou sujeira encontrada, limpávamos antes de iniciar a aula. Pinturas e limpezas leves, ela também trouxe soluções, criando eventos mensais aos fds, trazendo bons resultados à escola na época. Minha filha fez o primeiro grau, na mesma escola e com a mesma diretora no comando – Dona Ivete. Mas, já não era da mesma forma. Compreensível. Hoje, com que assistia em tempo de reunião escolar de minha filha… Não sei se daria certo. Certamente muitos responsáveis iriam tirar satisfações com os professores e diretores, dizendo que seus filhos, são alunos e não faxineiros. Cada uma que assistia em reunião… Não é à toa que mundo está assim!

  4. Dr. Renato malini. Falo sempre nas minha palestras, o governo é um, e o povo é milhares. todos nos devemos fazer nossa parte. o povo tudo espera. Li sua cronica, sou escritora, Não da altura do seu trabalho, romançe e sonhos. me manda um endereço para eu mandar um livro. vou ficar feliz de saber que tenho algo em suas preciosas mãos. parabens pela cronica. abraço. Amelina chaves. (tenho faabook

  5. Acompanho V.Exa. quanto como seria bom um SP dos tempos ate fins da decada de 60. Mas, la antes, ja cresciamos sem saneameto basico, e, depois, a cidade cresceu numa velocidade muito superior a todas as metropolis brasileiras. Eu creio que o centro de SP tem solucao e sao buscando cada vez mais estes espaços de debates nos chegaremos la.

  6. Senhor Presidente, parabéns por este texto. É chegada a hora de tomarmos atitudes. Não podemos crer que o governo deva fazer aquilo que nos compete. É preciso repensar a educação. Os alunos deveriam ser obrigados a colaborar com a limpeza da escola ao menos uma vez por semana como matéria obrigatória. Quem sabe o trabalho que a limpeza dá pensa duas vezes antes de sujar. É lamentável a forma como o ECA é mal interpretado. Que país é esse onde aluno pode agredir e ofender professor com a certeza de que está legalmente protegido?! Que entendimento equivocado é esse de que aluno não pode trabalhar? Infelizmente, em minha opinião, enquanto não mudar a forma como (des)educamos nossos jovens, a sujeira nas ruas será apenas a materialização do pensamento coletivo.

  7. Sr. Presidente, trata-se de uma Megalópolis e como diz um jurista; transformada em Monstrópolis!
    Já fizeram campanhas “Povo desenvolvido é povo limpo”
    Más esqueceram que só com educação e civilidade se chega ao desenvolvimento.

  8. Infelizmente, acho que as pessoas só não jogaram mais lixo na rua se houver punição, ou seja, multa. Gostaria que tivesse outra solução, mas acho o recursos arrecadado deveria ser voltado para educação nessa área e para premiar as atitudes positivas.

  9. É uma tristeza mesmo ver como a nossa linda São Paulo é tão descuidada e maltratada, por todos. Há tempos vejo a sujeira aumentando, o patrimônio sendo abandonado. O que adianta as pessoas querem um país perfeito se não conseguem sequer cuidar de sua cidade, de seu bairro ou de sua rua. É cada um por si, querendo obter o máximo proveito com o mínimo esforço. Muito triste.

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