Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A Chãins foi embora

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Jandira Miranda Duarte, a Chãins, era uma instituição em Jundiaí. Eu nunca soube a origem desse apelido: “Chãins”. Só sei que, ainda criança, comecei a ler sua coluna e assim a conhecer melhor minha cidade e minha gente. Ela escrevia na antiga “Folha de Jundiaí”, que era do Padre Adalberto, antes do Tobias criar o JJ.

Todos os contemporâneos, aprendemos com ela. Não era apenas uma cronista. Era uma fervorosa jundiaiense. Patriota. Orgulhosa de nossas coisas. Sábia. Corajosa e leal. Amiga verdadeira. Pluralista e, muito antes do preconceito ser crime, ela o aboliu da República de Jundiaí.

Alçado à condição de seu amigo, conquista devida ao reino dos Bárbaro, incontáveis vezes viajamos juntos. Os tempos eram outros. Depois de bailes no Clube Jundiaiense, saíamos para ver o por de sol em Santos. Chãins até quis me ensinar a nadar. Ensinou-me a boiar. Foi ela quem me fez ler, antes de entrar na Faculdade, “A Cidade Antiga”, de Fustel de Coulanges. Conversava com Platão como se fosse íntima. Discutia os “Diálogos” como se estivera presente quando de sua elaboração.

Fazia parte da família de muita gente boa: Leta e Oswaldo Bárbaro. Aliás, foi com ela que fiz par quando do casamento de Pituca e Vadinho Coutinho, na festa inesquecível do Clube Jundiaiense.

Era amiga do peito de Adelaide e João Molina. E de Joceny Vilela Curado. E de Mariazinha Congílio. E de tanta gente mais. Protegia a sua tribo. Por ela brigava e se indispunha. Mas mantinha sua afeição desmedida.

Sabia a História de Jundiaí como ninguém. Contava estórias do tempo de Benoit Certain, do Prefeito Antenor Soares Gandra, tudo com muito humor e sedução cativante. Seus aniversários a 7 de setembro – e ela teria nascido a 23 de janeiro! – só escolhera o Dia da Pátria porque pouca gente era tão brasileira como ela – reuniam em sua casa uma legião de amigos.

Conciliava o esporte, no qual foi atleta prestigiada, com a devoção. Fez parte da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz, hoje Catedral. Orgulhava-se de seu irmão Lazinho, o legendário Lázaro Miranda Duarte e de sua sobrinha Lanete. Mas se considerava a segunda mãe de Picoco e Pituca.

Sua partida não nos deve entristecer. Ao contrário: vejo uma grande festa no céu, com a Chãins sendo recebida por D.Léta, Seu Oswaldo Bárbaro, Adelaide e João Molina, Joceny Vilela Curado e Mariazinha. Todos a nos esperar, porque mais dia, menos dia, quando Ele quiser, estaremos novamente juntos.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “A Chãins foi embora

  1. Que lindo! E com tantas memórias e boas lembranças, não há como dizer que ela morreu! Está e sempre estará viva aos que compartilharam de sua companhia. Essa é a verdadeira missão cumprida! Partir deixando saudades. Partir deixando os melhores sentimentos para os que aqui ficaram… até o dia, que todos se encontrarão!

    Céu em festa e o Doutor ganha mais um anjo de guarda. O senhor segue daqui, e ela de lá te iluminando!

  2. Felizes aqueles que tem boas lembranças a compartilhar em vida; e sobre aqueles que não estão fisicamente entre nós.
    Mais felizes ainda aqueles que publicamente deixam explicita sua religiosidade.
    O comento da Camila converge com o nosso pensamento, pois noutra etapa da vida nos encontraremos!

  3. Presidente José Renato Nalini, esta comovente estoria de uma figura lendária da República de Jundiaí é inesquecível.

  4. Pingback: A Chãins foi embora | Conectando Registros e Pessoas

  5. Doce lembrança de um ser humano amado e ao mesmo tempo complexo de santos atributos, posturas e sentimentos que chego a crer que Vossa Chãin confunde, mescla e se interage com a amada Jundiai.

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