Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O Papa da periferia

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Assim está sendo chamado Francisco, por visitar, na América Latina, os países mais pobres: Equador, Bolívia e Paraguai. Mas também por adotar temas periféricos, tais como a defesa da natureza. Quem, dentre os “maiorais”, teve coragem de dizer que nós, espécie petulante e autointitulada “racional”, estamos fazendo do planeta uma grande lata de lixo?

Papa da periferia quando pede respeito e compaixão pelas minorias. Quando se recusa às pompas e circunstâncias do Papado e prefere uma residência mais simples e comunitária. Periférico ao telefonar para amigos em Buenos Aires, ao dar satisfações ao jornaleiro dizendo que não era mais preciso enviar o seu exemplar diário ao antigo endereço.

Aquilo que era periférico tornou-se central e o Papa enxergou isso. Descobriu que o Cristo, se voltasse hoje, se preocuparia com as periferias e não com o considerado “nobre”. Jesus estaria na cracolândia, acompanharia os moradores de rua, não condenaria as opções desprezadas ou o fatalismo irreversível de quem nasceu diferente.

O farisaísmo não teria vez com o Messias. Os egoístas, os arrogantes, os interesseiros, os que se consideram acima do bem e do mal, agentes insuspeitos do establishment não seriam as companhias preferidas do filho do carpinteiro de Nazaré.

Aqueles que procuram honras e glórias, os que amealham bens materiais e se esquecem da alma, os que não conseguem ver senão o mal no próximo, os maledicentes, os caluniadores, os desprovidos de compaixão, todos esses seriam banidos do convívio com aquele que pregou a tolerância. “Em casa de meu Pai há várias moradas. Se não fosse assim, eu não lhes teria dito!”.

Os “sepulcros caiados” foram instrumentos da morte em cruz do Salvador. Seus sucessores também sentem urticária quando ouvem a verdade nua e crua proclamada por esse jesuíta/franciscano, que não tem medo de desagradar, que é coerente com o que se espera de uma Igreja do amor, uma família cristã caridosa e não cobradora de observância estrita de formalismos e ritualismos estéreis. Aquilo que os simples intuíram ao deixarem uma Igreja que os não acolhe, mas preserva no cruel caminho da exclusão.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “O Papa da periferia

  1. Perfeito Dr. Nalini.

    Ontem mesmo postei do quanto é tudo ‘tão Jesus’ o que sai do Papa Francisco. Em um encontro com fiéis em Los Angeles, conversando com uma mãe solteira repletas de culpas e com sentimento de inferioridade, Papa disse: “você é uma mulher incrível, porque trouxe suas filhas ao mundo. Você poderia tê-las matado, mas respeitou a vida. Ande de cabeça erguida”. Não falou de regras, mas ressaltou o bom daquela mulher. Como voltar ao passado? Recomeçar é a melhor saída! E conseguiu deixa-la melhor, com certeza! Muito Jesus! Pouco julgamento e total elevação que os rebaixados necessitam para um recomeço.

    Na mesma semana, autorizou padres, a absolverem mulheres que fizeram aborto. Eu não sou a favor do aborto (acredito que dentro da lei de desenvolvimento, não há como sair abortando o que não nos convém e trará encargos diversos – acho que temos assumir nossas conseqüências, do contrário, a dívida permanecerá comigo nesta ou em outras vidas – dado o pular de alguns degraus de maturidade), mas, não sou a favor de julgar a fraqueza alheia, justamente por estar na mesma estrada de elevação, e ter meus erros também. Todos podem ser melhores do que um dia foi, e por isso, achei lindo tal postura! Muito Jesus! Se alguém procura o perdão de um ato, óbvio que está à arrependido; tanto que procurou um padre. Logo, como não absolver? Jesus falaria não?! Ou absolveria?! É um Papa revolucionário. Estou amando-o demais!

    Quanto a vida de Jesus, penso que Jesus está e estará para todos! Mas nem sempre todos, estão ou estarão para Ele! Logo, desceria com foco ao socorro imediato dos necessitados. Sua prioridade mesmo seria tirar a dor dos aflitos e não viver de status ou em grupos de pessoas lindas por fora, mas de coração medíocre. E esses medíocres, talvez nem perceberiam/reconheceriam Jesus. Não fariam questão de segui-lO. Eles próprios se afastariam da convivência. Achariam Jesus um LOUCO em querer salvar o mundo, e cuidar dos aflitos.

    Hoje vemos muitos usando a caridade, como maquiagem. Pouco a sentem, mas, disseram que é fashion e é divino, aí dão o que lhe sobram ($$$ – fácil doar assim), mas sem nenhum sacrifício ou sentimento verdadeiro, pois são frios e insensíveis. Egoístas, não enxergam muito que não a sua satisfação pessoal. Infelizmente.

    Adorei Doutor,
    Um bom feriadão ao senhor e família. 🙏

  2. Pregadores de igrejas e ambulantes cessem de rosnar ao povo, em visões doentias fazendo-os crer que bênçãos divinas derramadas serão sobre em montanhas de dinheiro, ouro e jóias preciosas…
    Se Deus, o Verbo, escolheu uma humilde mulher, para ser fecundada de seu filho, em espírito. MARIA, simples, sem dotes culturais, seu maior tesouro era o amor que devotava ao PAI.
    DEUS não quer de nós acúmulo de fortunas financeira.
    JESUS não nasceu no espaço mais luxuoso que existia àquela época.
    O FILHO do DONO do MUNDO veio à luz em uma manjedoura, no chão à céu aberto, coberto foi com trapos…
    Gente nossa, qdo vocês vão acordar que Deus não lhe dá carro importado, nem mansões…simplesmente porque ELE sabe que o calor de SEU amor é que nos fará feliz e na PAZ★

  3. Presidente José Renato Nalini, parabéns, muito feliz a expressão “O Papa da periferia”. É realmente o que esse maravilhoso Papa é: retrato fiel da simplicidade e do amor aos mais necessitados.

  4. “Temos de silenciar este gajo!”
    […]
    Assumi o que escrevi e propalei urbi et orbi, acrescentando, exemplificando, que sempre o fiz (criticar, denunciar construtivamente) no plano interno, não existindo qualquer relação “causa-efeito”, entre a minha prisão, um sentimento de vingança e o que agora denuncio.
    Consciente do facto, cientificamente provado, que colhemos o que semeamos, ou que quem semeia ventos, invariavelmente, colhe tempestades, esta quinta-feira passada, dia 27 de Agosto, um jornalista da revista brasileira “Veja” (a mesma que em Dezembro de 1992 publicou as palavras do irmão de Fernando Collor de Mello, denunciando um esquema de corrupção que obrigou o mais jovem Presidente eleito a demitir-se) esteve aqui em “Ébola” a entrevistar o Inspector João de Sousa.
    Admirado, o jornalista, confessando que no Brasil nunca tal se verificou, afirmando desconhecer se no resto do mundo alguma vez aconteceu, conversou com o único preso que escreve uma coluna de opinião para um jornal, o preso que denuncia as condições da prisão, as lacunas e defeitos do sistema prisional e de reinserção social, e, claro, que ousa falar do José Sócrates!
    Simpático, disponível, como um verdadeiro “irmão brasileiro”, estivemos “à conversa” durante cerca de duas horas, na companhia da minha mulher e da minha filha mais velha, Leonor. O resto da “ninhada” não veio, porque excedem o número de visitantes permitidos – o que vai ser um problema se “apanhar” 20 anos, porque terei de escolher entre os meus três filhos e a esposa – e porque o Jr. quereria dançar com o repórter e a Helena brincar aos restaurantes, servindo imaginárias iguarias, porque sabe que o pai come mal e quer recompensar-me!
    Com um registo médio de 1 milhão de cópias, semanalmente, revista de referência, o jornalista da “Veja” depois de falarmos, ouviu a Leonor: “Posso dizer uma coisa? Agora que já falou com o meu pai, não quer perguntar-me como estou a viver isto, como me sinto por causa do meu pai estar preso?” Filha de peixe sabe nadar! Tive que explicar à comunicativa Leonor que ela tinha que privar com o Sócrates ou “levantar ondas” relativamente às prisões, criticar, opinar.
    Tinha que o fazer – opinar, denunciar, criticar – e reunir a coragem necessária para tal, a resistência para a tempestade que depois aparece, resistir à tentativa de silenciar, de condicionar.
    Dia 28 de Agosto, sexta-feira (que semana esta!) a tempestade surgiu!
    Antes de vos relatar a tormenta, permitam-me informar que o recluso que a semana passada se encontrava algaliado, enfermo, sem condições, acamado, ainda nesse estado se encontra, beneficiando da atenção que outros reclusos disponibilizam, e que lhe permite cumprir com as tarefas diárias da prisão – entrega de correio, colocação do tabuleiro das refeições no lugar devido, etc.
    […]

    Leia mais em :
    https://dosdoisladosdasgrades.wordpress.com/

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