Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O fraco está em alta

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Norberto Bobbio distinguiu entre as virtudes fortes – coragem, firmeza, bravura, ousadia, audácia, descortino – e as virtudes fracas – humildade, modéstia, moderação, recato, pudicícia, castidade, continência, sobriedade, temperança, decência, inocência, ingenuidade e simplicidade.

As primeiras seriam atributos dos poderosos, daí serem chamadas virtudes reais ou senhoriais. Podiam ser denominadas “virtudes aristocráticas”, ou seja, própria a quem governa, dirige, manda e comanda.

Já as últimas caracterizariam a parte da sociedade onde estão os humilhados, os ofendidos, os pobres. Enfim, os excluídos. Estes fazem parte da massa anônima, daquela que não faz história. Na verdade, são os protagonistas da “não-história”.

O Brasil do ano 2015 assiste à relatividade notória entre os “fortes” e os “fracos”. Os que presumivelmente lesam a Pátria e sacrificam as futuras gerações são os detentores daquilo que sempre foi considerado sinal de nobreza. Os espoliados acrescentam ao rol de suas qualidades a resignação, o conformismo e a esperança.

Do que é que a Pátria precisa hoje? De mais políticos providos de virtudes fortes ou de mais indivíduos de bem? A resposta é óbvia. A mídia não contribui – ao menos a mais poderosa – para enaltecer o cumpridor de seus deveres. Reserva espaço e estardalhaço para os que sangram a Nação. No campo macro, onde reinam as falcatruas bilionárias, que deixam o brasileiro pasmo diante da intensidade dos crimes. Mas também na área micro, daqueles que perpetram violência contra o semelhante, que assumiram o ofício da crueldade e que não respeitam a vida, a incolumidade física e a dignidade do ser humano.

O rumo desta Nação desalentada não tem prognóstico favorável, seja na economia, seja na política. Por que não tentar a recuperação das virtudes “fracas”, pregar a ascese e o retorno do princípio da subsidiariedade, já que o Estado “paizão” está vertendo sangue e mostrando a putrefação de suas entranhas?

Quem tiver juízo terá de encontrar força e estímulo para reagir, para acreditar num futuro melhor, ainda que longínquo. Opção mais patriótica do que assumir a cidadania estrangeira e partir para melhores rumos e perspectivas.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “O fraco está em alta

  1. Estamos a observar, assistir os acontecimentos e de certa forma contemplando.
    Nossa reação virá. Temo que será tardia.
    Este não é o governo que queríamos, as praticas demonstradas nos insultam, nos desrespeitam, nos desafiam! nos enojam!
    Se não reagirmos, estamos aceitando esse Estado desonesto e esse estado de coisas inacreditáveis.
    Estamos aceitando ser desgovernados, dando ao Estado a oportunidade de desrespeitar a tudo e a todos também.
    Se permitimos que medidas ou desmedidas governamentais nos prejudiquem, estamos aceitando a escravidão.
    Nossos governantes, batem cabeças, dão trombadas, dizem, desdizem, mentem, roubam, mas uma coisa é certa, vão nos agredir mais uma vez com a cobrança de mais impostos, seja qual for a sigla.
    Seremos violentados para equilibrar a gastança e a incompetência incontrolável dos Governantes.
    Juízo, temos, agora só é preciso agregar as forças da sociedade para a revolução, com combatentes armados da Lei e da Ordem e acima de tudo com vergonha na cara e coragem e atitudes para remover estes parasitas hematófagos que estão destruindo o Brasil e envenenando a sociedade.
    Desculpe Sr. Presidente a falta de moderação.

  2. Presidente José Renato Nalini, salve as suas palavras lúcidas e patrióticas.

  3. Renato,temo por nossos filhos e netos. Que pais vamos deixar a eles ? Nós fomos jovens sonhadores e de certa forma ,vencedores,pois passamos por este mar de lama sem nos contaminarmos. Conquistamos com muito trabalho um bom padrão de vida ,pois não tivemos herança ! Agora ,vamos deixar alguma para eles mas ainda terão que lutar muito. Que Deus os abençoe como nós já o fomos. Abraços.

    Oro

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