Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Faltam óculos ou colírio?

7 Comentários

É difícil acreditar que pessoas aparentemente lúcidas não se compenetrem de que a situação brasileira precisa de tratamento de choque, não de paliativos. O que ocorre com a Nação é muito mais grave do que a microcrise no âmbito doméstico. Mas guarda similitude. Quando se gasta mais do que se recebe, o remédio é deixar de consumir. É refrear as despesas, é cortar na carne e procurar otimizar os recursos. Mas não é o que está acontecendo. Palavrório, interpretação variada, crítica e mais crítica. Mas de concreto, o que se fez?

É o momento de enxugar o Estado. Mas enxugar mesmo, não ameaçar e retroceder. Toda a população já percebeu que o Governo é um lobo faminto que suga, exaure a saúde do contribuinte e não se satisfaz. Ninguém desconhece que nossos preços são muito maiores do que os oferecidos a estrangeiros onde o controle sobre a volúpia tributária é eficaz, porque sob controle de uma cidadania protagonista. Aqui, investiu-se na infantilização de pessoas que só têm direitos, mas não assumem suas obrigações. Tudo tem de ser oferecido gratuitamente por um Estado-babá que já faliu. Não tem mais condições de nutrir as expectativas de quem não foi preparado para o trabalho, para o sacrifício, para o desempenho autônomo. Só se sabe reivindicar, exigir, boicotar quando desatendido em seus reclamos, na insaciabilidade de quem aprendeu a consumir como se fora primeiro mundo.

Um choque de verdade faria bem a todos. Assumir protagonismo cívico. Cair na realidade: o Governo não terá mais condições de oferecer tudo o que prometeu. Cada qual tem de procurar o caminho da sobrevivência, que passa pelo trabalho duro, pela economia forçada, pela redução de gastos e pelo empreendedorismo. Não há mágica num estágio calamitoso como o da nossa economia, sem perspectivas políticas de consenso, sem o espírito de sacrifício, há muito abandonado na ilusão de que o Governo é onipotente e tem cofres inexauríveis.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 24/09/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

7 pensamentos sobre “Faltam óculos ou colírio?

  1. Presidente José Renato Nalini como sempre muito lúcido.

  2. É porque ao invés de punirmos os corruptos, arrumamos “escapatórias”:

  3. Sr. Presidente, o Comentário Wellington é certeiro. E afirmo…. na cara estão faltando: colírio, óculos e principalmente vergonha.
    Estão fazendo uma tempestade por 30 bilhões, sendo que o congresso consome por ano 8 bilhões!
    Quanto consome o funcionalismo público? Eficientemente?
    Em quanto os políticos fabricarem a linguiça, e amarrarem os colegas com ela, nada mudará.
    Logo os corruptos receberão em vez de punição exemplar; diplomas de honra ao mérito!

  4. Sempre lúcido

  5. Estamos cansados desse discurso PSDBista enfandonho e mentiroso. Nem inventivo ele é, pois é mera cópia da ladainha neo-liberal dos anos 80, que imperou no Governo Britânico de Margareth Thatcher. A História mostrou que essa política neo-liberal só leva a mais crise … Venderam e privatizaram a British Petroleum (BP), uma das maiores empresas do mundo e depois o governo britânico teve que readquirí-la por menos de 1/5 do seu valor. Agora querem fazer o mesmo com a Petrobrás … Vamos nos levantar e dar um basta a esses neo-liberais, que jamais admitem o fracasso de suas políticas ultrapassadas …

    • Realmente estamos cansados e até mesmo esgotados de tanta indignação; dos discursos da situação, da oposição, das coligações, do regramento politico e eleitoral. Já a Petrobras….concordo que a privatização não seja a melhor solução, porém o Estado permitiu e anuiu, consentiu, usou, expropriou, sem se quer que seus ex-presidentes, conselheiros e demais pessoas que mandavam na Petrobras como se fossem donos, arruinassem a mais importante empresa do Brasil…é esta impunidade, desleixo, descaso, afronta, que nos espanta e incomoda independentemente do partido A ou B, deste governo ou de seus antecessores., sejam quais forem as ideologias. É preciso um levante! mas não apenas contra eventual privatização.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s