Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Esquizofrenia suicida

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O Brasil é o único País que comemora “redução do desmatamento” como se fora uma vitória. No ano passado, destruiu-se uma quantidade de árvores correspondente a quinhentos Maracanãs. Este ano, a destruição decresceu: foram apenas quatrocentos e noventa! Aleluia!

Não há inocentes nessa área nevrálgica e da qual depende a sobrevivência das futuras gerações. O governo desmata, o empresário desmata, o cidadão desmata e até o índio desmata. A PUC do Rio de Janeiro apurou que a devastação cresce na pequena escala. É o proprietário de um imóvel que usa a motosserra para acabar com as árvores que o “atrapalham”.

O desmatamento pulverizado é o maior atestado da ignorância do brasileiro. Mesmo na situação atual, em que ele sente a falta d‘água e se vê obrigado a restringir o consumo, continua a dizimar a natureza.

Para a crise que começou há vários anos, a solução a longo prazo é a restituição da mata ciliar. Aquela que, arrancada, faz minguar o curso d‘água. Mas fala-se em obras, fala-se em contingência e em aumento da tarifa. Não vejo um projeto de reposição da mata ciliar ou de restauração da enorme dimensão do sistema Cantareira que desapareceu diante da ganância e ignorância do mais nocivo animal que habita a Terra: o próprio homem.

As crianças deveriam ser lembradas, todos os dias, de que dependemos de água para viver. Deveriam ser incentivadas a formar mudas, a plantar árvores, a cuidar delas. A respeitar a água e a percorrer espaços em que ela ainda existe, para verificar o quão mais saudável é o ambiente quando esse líquido se faz presente.

Os pais deveriam acordar para a gravidade da situação e fazer um esforço para mudar seus hábitos. Adotar espaços ociosos perto da casa e chamar a comunidade para formar ali um bosque. Plantar uma árvore em frente de casa e mantê-la como tesouro incalculável. Mas o que se vê, ao menos em regra, é o pouco-caso, a insensibilidade, a indiferença.

Será que estamos mesmo tratando de uma espécie racional? Ou fomos todos acometidos de uma esquizofrenia suicida, que levará conosco todos os nossos descendentes?

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

8 pensamentos sobre “Esquizofrenia suicida

  1. No comércio onde trabalho o dono usa água para “varrer” a frente da loja quase que diariamente. Quando alertado apenas diz: é você quem paga a conta?! Quanta ignorância.

  2. Sempre leio aqui propostas, sugestões, ideais, planos, apontamentos, criticas das mais variáveis e acima de tudo construtivas, e o eterno convite ao exercício do pensar e da reflexão.
    Sempre noto também o convite à sociedade à dar sua contribuição para algumas causas; e são muitas!
    Más não vejo aqui a convocação daqueles que detêm os poderes!
    Tratando-se de Meio Ambiente ou causas sociais; vejamos:
    Aqueles princípios básicos dos quais derivam os Direitos Humanos e valores e atitudes imprescindíveis para o convívio dentro de uma sociedade democrática….não estão sendo negligenciados pelo Estado? A sociedade não quer mamar nas tetas do Estado ela quer DIGNIDADE!
    E para um ambiente saudável e equilibrado, precisamos exercer a cidadania plena, pela equidade; e acima de tudo considerando as diferenças das pessoas para garantir a IGUALDADE e consolidando assim a solidariedade., ou seja IGUALDADE DE DIREITOS.
    Assim a participação não pode ser exclusiva do cidadão em conservar um prédio histórico, construir um bosque ou recuperar a vegetação às margens de um regato ou duma nascente.
    Há uma co-responsabilidade Estatal, que não pode apenas nos encarcerar em normas, procedimentos, diretrizes, provimentos, resoluções, decretos, medidas provisórias, leis e demais mecanismos promíscuos e diabólicos que nada contribuem, pois confundem e se desviam de seu objetivo principal.
    Uma floresta no Tocantins vale menos do que uma árvore no nosso terminal rodoviário central?
    Um rio daqueles com mais de 10 metros de largura no Pará, vale menos que nosso Capivari?
    Quando o Estado não faz a parte dele, e incentiva o crime, a impunidade, a má gestão, a improbidade, o assalto ao erário, a falta de transparência, a banalização da corrupção,…que mensagem ele esta passando para a Nação? Assim morre a Constituição, pois as instituições já estão acamadas.

  3. Um crime puxa o outro. O desmatamento gera aquecimento que por sua vez torna o clima quente e cada vez mais seco, em todas as estações. Em consequência, a falta de chuvas leva às queimadas que por sua vez causam mais desmatamento. Queimadas: consequência e causa de desmatamento. Mas antes, se não houvessem desmatado, haveria menos queimadas, mais umidade, mais ciliares, mais nascentes, mais ar puro, mais saúde e, por fim, mais felicidade com a natureza. Agora resta admitir mesmo a esquizofrenia a evoluir para um estado psíquico mais grave, pois trocamos a sombra da árvore pela sombra da morte.

  4. Em nosso país, já houve progresso humano, mas, infelizmente, ainda há muita gente ignorante. Digo infelizmente, pensando que infelizmente os que sabem mais, deveriam se comprometerem à orientação dos que sabem menos. Infelizmente ISSO POUCO acontece. Seguem egoístas, ou tão ignorantes quanto os ignorantes, sem nada fazerem para melhorarem tal situação.

    Sou muito crítica aos que têm conhecimento e sabem como poderiam auxiliar, mas pouco fazem… Esses o peso da cobrança tem de ser maior! Agora, quando estou presente em comunidades (trabalhos sociais), ou até mesmo, em visitas à familiares simples (sertão do Pernambuco – primos distantes que lá ainda residem), eu desço do salto, pois sinto que precisam de orientação e ensinamento, antes de serem cobrados dos resultados óbvios a nós, mas não a eles.

    Incrível como o que nos parece simples, a eles é tudo muito complexo de ser compreendido. Já ouvi de um: mas vai demorar acabar e não estarei vivo nesta época. Para que cuidar? Pense? – E LÁ VAMOS NÓS, NO AMOR, COM AMOR, MONTAR A ARVORE GENEALÓGICA DO CIDADÃO E, PERGUNTAR SE ELE QUER QUE ELA CONTINUE a ter frutos: NETOS E BISNETOS.

    Vejo muitos rebeldes que mesmo ensinando, não se comprometem a nada. Querem viver só de prazeres da vida. São mimados e não aceitam contrariedades. Bom, mas valerá a tentativa sempre. E o importante, é que uma boa parte, quando ensinados, na primeira ou segunda oportunidade, já colocam em prática todos os ensinamentos.

    Acho que o Governo tem de ser responsável por campanhas e fiscalização disso tudo isso, além de projetos benéficos à preservação. mas na pratica, o que vemos? Tão negligentes quanto aos ignorantes! Grandes empresas, idem. Concordo que a família deve ensinar seus pequenos. Não me recordo de ter ouvido nada parecido em minha infância. Embora, tudo que lia e ouvia a respeito do assunto; depois de refleti, e ter toda lógica… já me vinha a vontade de contribuir e seguir diferente. Sempre fui muito curiosa e com fome de ser melhor; me irritando com os “de braço curto”.

    Painho me lembrou esses dias, que quando eu era adolescente, descobri a quantidade de água que uma única descarga desperdiçava. Lembrou que ele não gostou muito da ideia de eu pedir para diminuírem a descarga de um xixizinho da noite, ou a ideia de deixar baldes da agua da máquina de lavar no banheiro. Sempre agi como líder em casa. Fazia a insuportável, rs. Enxerida do bem, como diz pai. Na época, ele não achou nada prático e higiênico. Ele não acreditava que um dia teríamos um crise hídrica em SP. Viveu-a no nordeste até vir para SP, mas não imaginava nada parecido com o que acontece hoje. E hoje, em menos de dez anos depois, a natureza lhe deu a resposta, recordando esses dias por telefone.

    Penso que a luta é nossa, e seria muito bom termos soldados comprometidos, mas guiado pelos de maior conhecimento para que a luta se torne realmente eficaz. E o senhor, com seus escritos, postes, contribui trazendo a conscientização à população. Adoro acordar às segundas com o pedido de economia de água junto ao meu feeds de notícias do face, vindo do face do senhor. Aí, nem canto no chuveiro e vou vencendo meus recordes no tempo de banho. rs.

    MAS BRINCADEIRAS DE LADO, VAMOS FAZER O QUE ESTIVER A NOSSO ALCANCE SEMPRE… RUMO AO NOSSO MELHOR!

    Abraço ao senhor. Um feliz fds a ti e família!

  5. Neste dia de Cosme e Damião, dia 27/09, um dia festivo para as crianças, onde distribuem-se doces para a meninada, na esperança de salvarmos nossa criançada do caos que os homens atuais deixaram nosso país.

    Fica nesta data tão especial, registrada minha indignação, onde as ações de desmatamento, de esquizofrenia não possuem nada.

    São ações extremamente calculadas de homens frios e racionais, que só se interessam pelo dinheiro, em lucrarem cada vez mais, não estando nem aí para o ambiente em que vivem.

    Outro dia um vizinho meu, pasmem, ainda lava sua calçada com mangueira e água. Um verdadeiro egoísta que só pensa em seu próprio umbigo.

    Algumas casas distantes da minha, porém no mesmo quarteirão, vejo um militar reformado cortando a árvore em frente sua calçada. Quando comecei ver aquele assassinato ao ar livre, chamei a atenção do mesmo. Para minha surpresa disse que fazia isso para não ter que limpar diariamente sua calçada com as folhas e galhos que delas caíam.

    Uma árvore enorme, linda, fazia uma sombra para quem andava na calçada naquele sol ardente. Foi toda cortada, destruída, por pura ignorância.

    A questão é que infelizmente, se não temos um povo educado, se nossa nação é de uma mentalidade de país de terceiro mundo, ao menos nossa fiscalização deveria ser eficiente, e não é.

    No dia que se der multa por desmatamento, igual se dá multa em veículos auto-motores, começaremos a caminhar para uma nação mais civilizada.

    Por onde andamos, vemos radares da C.E.T. espalhados pela cidade, e milhares de fiscais e policias militares treinados única e exclusivamente para multar motoristas de trânsito.

    A pergunta que se faz é porquê não se dá esta mesma ênfase ao meio-ambiente?!
    Onde estão fiscais do meio ambiente e a policia ambiental para pegar estes verdadeiros assassinos ambientais?!

    No dia em que desmatar uma árvore for apenado com pena de reclusão, estaremos evoluindo. Chega-se ao absurdo em nossa legislação penal, de o cidadão furtar um frango porque não tem o quê comer, e se for pego, ir para a reclusão, enquanto que o síndico assassino do condomínio, que manda cortar milhares de árvores apenas para economizar funcionários na hora de limpar a área externa do prédio, nem processado vai.

    Basta ver em áreas da periferia. Onde o Estado não chega com a educação de qualidade, o povo tem verdadeira aversão e nem faz idéia do que significa conservar o meio ambiente para preservação de gerações futuras.

    O Ministério Público do Estado de S. Paulo, como fiscal da Lei, e não se sabe por qual motivo, mas magistrados que deveriam ser fortes no combate ao meio ambiente, acabam cedendo à pressões políticas de construções, com a falácia de sempre: É para o progresso do país.

    Progredir não significa agredir. É possível progredir de maneira sustentável. Mas quem só enxerga cifras e dinheiro à frente, jamais usará a sustentabilidade como forma de lucro empresarial.

    Todas as guerras e batalhas que se travam nas Câmaras do Meio Ambiente, a derrota do verde quase sempre é certa, levando enorme desvantagem em relação ao poder econômico e as grandes construtoras.

    Agora discute-se outro absurdo. O Plano Diretor da Radial Leste, em S. Paulo, quer autorizar construírem-se prédios por toda sua extensão. A construção civil, os empreiteiros e a mão de obra está torcendo para que essa alteração prevaleça. Qual o fundamento?! Fazer a economia voltar a funcionar à todo vapor. Qual é o preço disso?!

    Destruição do meio ambiente. Infelizmente esta política municipal atual, vendida pelas cifras do dinheiro a qualquer custo, quer transformar a cidade de S. Paulo inteira em um verdadeiro arranha-céu, cercada de prédios por todos os lados. Uma verdadeira irresponsabilidade dos Governantes, que só pensam em arrecadar mais dinheiros para os cofres públicos.

    Se o prefeito tiver o mínimo de amor pela sua cidade, vetará todos estes Planos Diretores que foram feitos por empreiteiros, corretores de imóveis, imobiliárias e grandes construtoras de alto poder aquisitivo e econômico no país. Nenhum deles está preocupado em preservação do meio ambiente, infelizmente….

    Deveria-se discutir em um Plano Diretor, se a Radial Leste seria cercada de plantas com árvores por toda sua extensão, e não por prédios. Se este absurdo for aprovado, daqui 5 anos, quem andar pela sua extensão, não verá mais à luz do sol pelas avenidas, que cercadas e rodeadas por prédios de cimento e concreto, farão sombra, e ajudarão a contribuir para as enchentes cada vez mais na cidade de S. Paulo e o aumento excessivo da temperatura em dias quentes, devido o excesso de asfalto e falta de área verde.

    De esquizofrênicos a sociedade não tem nada. O que têm são homens lúcidos, gananciosos pelo lucro a qualquer preço. Falta educar a população da forma correta; fiscalização em massa e juízes que não cedam à pressões políticas.

    Uma política desvirtuada, voltada para construção de arranha- céus, visando apenas salvar a economia, sacrificando para isso nosso meio ambiente e comprometendo a qualidade de vida de futuras gerações. Salvem nossas crianças desta catástrofe sem limites daqueles que tem o poder de decisão.

    Excelente tema proposto pelo Dr. Nalini, e que às autoridades competentes se sensibilizem com suas omissões, aumentando-se a fiscalização e combatendo com afinco estes homicidadas ambientais.

  6. Como se não bastasse o descompromisso do Governo com o Meio Ambiente, coloca-se a população contra o plantio de árvores através da mídia, alegando que com a chegada das “chuvas” árvores caem na cidade e destroem carros. É muito melhor destruir um carro, do quê se matar pessoas.

    Cortando árvores em calçadas, para se ter mais “comodidade”, a longo prazo estamos matando pessoas e tirando a qualidade de vida das mesmas. Esta é a distorção que fazem em relação à mente dos cidadãos. Uma total inversão de valores.

    Outro fator inexplicável. O CONTROLAR, responsável pelo controle de CO2 na cidade de S. Paulo foi extinto. Hoje caminhamos pelos relógios da cidade, não raras às vezes a qualidade do ar está como ruim. Necessário e prioritário se faz tirar carros, ônibus, vans e caminhões de circulação que estão poluindo o ambiente de forma exagerada.

    O Governo ao retirar o controlar pensou no bolso da população. É uma conta “burra” e mediatista. No curto prazo o pai de família economiza dinheiro. À longo prazo, o Paulistano estará mergulhado em hospitais com problemas respiratórios e milhares de outras doenças causadas pela má qualidade do ar.

    Ter uma vida saudável, significa colocar a mão no bolso. Envolve dinheiro. E medidas eleitoreiras acabam destruindo a vida do Paulistano à longo prazo, com uma falsa sensação de vitória em curto prazo. Medida política eleitoreira visando reeleição e angariar votos, às custas da crucificação da saúde da população, que sofrerá no futuro, caso a qualidade do ar permaneça como ruim diariamente, como já vem ocorrendo em alguns bairros da cidade.

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