Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Energia para a vida

5 Comentários

Somos o que comemos é uma frase que já foi muito repetida. Aparentemente, somos ruins. Ou seja: comemos mal. Há uma geração obesa que não reflete saúde. Houve um tempo em que “gordura era formosura”. Hoje, gordura significa alto colesterol, pressão alta, problemas circulatórios e cardíacos. Potencialidade de morte mais próxima do que gostaríamos.

O mundo come mal. Além disso, desperdiça muita comida. Há gente que se diz educada e tem os olhos maiores do que o estômago. Lotam seus pratos e depois destinam ao lixo alimento que falta para saciar a fome de bilhões de humanos em todo o planeta.

Numa de minhas viagens pelo interior, parei num restaurante simples, de beira de estrada. Havia um aviso: “Quem deixar resto no prato: multa de 8 reais”. Acho educativo. Quanto a mim, sou de um tempo e de uma geração em que de tudo o que se servia, tinha de se dar conta. Não havia isso de deixar comida no prato. Dizem que os restaurantes de quilo aumentaram a dimensão dos pratos porque sabem que os olhos constituem a porta de entrada para os comilões. Quase não sobra lugar para a gula dos que não se incomodam de pagar e não consumir.

As porções francesas sempre foram módicas. No Brasil, há um exagero. Na Europa, compra-se um bife, duas batatas, uma cebola. Aqui, é tudo para durar bastante. Grandes estoques, que depois são dizimados pela data de validade.

Desperdiça-se também ao deixar de lado partes valiosas de frutas e legumes. Sabe-se que a casca da batata é nutritiva. Assim como a casca da banana e a da melancia e a do abacaxi. Mas, inclementes e perdulários, não sabemos aproveitar a vitamina que aumenta os resíduos sólidos e custa dinheiro para ser recolhida e destinada aos superados “lixões”, coisa de País de quarto mundo, em rápida caminhada rumo ao quinto.

Tudo isso é muito oportuno em tempos de carestia, quando a mesa do pobre encolhe e sobram ofertas nas prateleiras dos supermercados. Superada a fase da condenação de alimentos como o ovo, o café, o vinho, resta consumir mais verde, intensificar o cultivo dos orgânicos e reviver a ascese: ou seja, comer apenas o indispensável para fazer a máquina funcionar. Nada em excesso, já diziam os gregos. E eles sempre tiveram razão.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “Energia para a vida

  1. De fato alimentação e nutrição constitui um dos maiores problemas desde os primórdios das civilizações.
    Desperdiçar alimentos é um desrespeito muito grande, pois nem todos comem, poucos se alimentam e uma minoria sabe o que é nutrição.
    Já com as cascas de alguns alimentos o que preocupa é a alta concentração de agrotóxicos e metais. Em uma pesquisa; em 44% das amostras de abacaxi por exemplo, foram encontrados índices acima dos recomendado, batata 22% .
    Restaram os orgânicos!
    Portanto na hora de tomar um chazinho, que tem dentre outras cascas tem a do abacaxi…..
    Na hora de comer batas rusticas…. ou ao murro………
    Como sempre os Gregos é que sabiam das coisas.

  2. Filhota me chama de general da economia em casa. Elias e ela, me chamam da consumista mais economista que já conheceram. rs. Consumo atendendo à finalidade do uso, mas não admito seja qual for o exagero ou desperdício.

    Digo a eles: já nascemos pobres. Nossos antepassados venceram a linha da pobreza extrema, e o que vcs querem com tanto desperdício? Voltar para lá? – eles riem com o meu jeito palhacinho. Mas é verdade! Além de ver dinheiro suado indo para o ralo, enxergo o quanto tudo aquilo jogado, poderia bem favorecer a outros mais desfavorecidos.

    Tenho duas tias que residem há mais de dez anos na Suíça. Uma em Lugano e a outra Estavayer-le-lac. Em ambas cidades, dizem que tem o costume de valorizem o alimento ao ponto de serem super certinhos ao organizarem jantares, receberem alguém em sua residência. Todos têm de avisar com muita antecedência. Será feita a quantia exata. O que aqui é miséria, lá é educação. Dão valor as coisas e não admitem desperdícios ou exageros que proporcionarão pessoas sem a devida educação. Vão sobretudo para se reunirem e não para encherem a pança. rs. Tias por parte de mãe, do interior de São Paulo, Itapeva, embora de passado simples, elas estavam acostumados com fartura. Tinha a criação e plantação que garantia mesa farta. Usavam o lema do melhor sobrar do que faltar, e se assustou chamando-os de milionários mão-de-vaca. rs. Mas com tempo, compreenderam o jogo da vida. Lá é tudo muito caro. Tiveram que se adequar aos bifes de carnes minúsculos. Adeus churras! rs.

    Pai com tanta fome do sertão e seca de onde morava, não consegue não dar banquete. Um de seus hobbies hoje, é cozinhar. Exímio cozinheiro, seus jantares, reuniões sempre foram fartas, mas… Nunca admitiu desperdício! Serve a todos, mas antes vem o aviso: há muita gente passando fome neste instante. Repitam quantas vezes quiserem, fiquem bem à vontade, mas não coloquem mais do forem comer ao ponto de ter que ir ao lixo. Pense?! A verdade é que soa meio deselegante a quem vai pela primeira vez, mas… Depois o povo se acostuma com o jeitão dele. Sabe que as memórias do passado o fizeram assim.

    Ouço muito falarem de fome. Mas é só ir ao final de uma feira livre e verão o que é desperdício, e como poderia ser revertido aos que têm fome. Ceasa também… Sorte que as instituições sempre estão lá para transformarem tudo em uma saborosa refeição. Esses dias aprendi uma carne de jaca verde. Igualzinha a carne de frango, mas a um preço baratinho aos que moram lá no Nordeste. Levarei a receita quando for ver painho. Ficou parecido com o peito do frango. Muito boa! Fiz um strogonoff e ficou uma delícia!

    Agora pensando na saúde do corpo é sempre importante lembrar: coma para viver (manter a máquina ativa), mas não viva para comer! Sou uma Magali assumida (segundo apelido – primeiro coruja, rs), mas tenho um probleminha de saúde, que tenho que comer de três em três horas, mas em porções de passarinho. É também, me apelidaram por ter vontades (um pouco é mimo – estrago de pai)! rs. Do nada me vem: ahh aquele bolo! Ahhh aquela torta! Aí deu ruim! Fiquei com fama de comilona como a Magali! rsrsrs… Mas o bom que não tem desperdiço. Como tudo tipo passarinho avestruz! Rs.

  3. Renato Nalini, amo ler os seus textos! São ótimos! Parabéns!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s