Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Sem condições

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O jurista e meu amigo Ives Gandra da Silva Martins, em palestra na Fecomércio outro dia, citou duas vezes Roberto Campos. A primeira frase era a de que “não existe a menor possibilidade de o Brasil dar certo”. A segunda: “a corrupção, no Brasil, teve um passado glorioso e ostenta um futuro promissor”.

Aparentemente é isso o que se mostra viável, quando se constata a desenvoltura com que nos escalões inferiores se continua a exigir propina, participação nas licitações, obtenção de nomes indicados por quem tem interesse para funções relevantes, controle das verbas mais vultosas da administração. Tudo sob verdadeira chantagem: se não for assim, não tem apoio. A que ponto chegamos!

Mesmo diante da Operação Lava Jato, da prisão de pessoas até há pouco acima de qualquer suspeita, de grandes empresários, a arraia miúda não se intimida. Continua na penumbra, a fazer o que sempre se fez. Por isso é que o remédio para salvar o Brasil da saúva da corrupção é a educação consistente. Desde criança, deve-se ensinar que a única alternativa digna para uma subsistência normal é o trabalho.

O dinheiro deve ser a retribuição ao esforço despendido. Ninguém tem direito a exigir do governo mais do que a segurança pública para a manutenção da ordem. Todos os demais direitos dependem do Erário, isto é, do resultado da contribuição da população que trabalha. Nada obstante as promessas de que tudo e todos estariam garantidos quanto às suas pretensões, o Estado aparentemente faliu.

Não tem mais como atender às demandas que podem ser justificadas e até legítimas, porém não há como satisfazer à coletividade sequiosa de benefícios, se o dinheiro não é suficiente nem para o essencial. Demorou para que a “ficha caísse” e as pessoas lúcidas compreendessem que depositar no Estado – Nação politicamente organizada – todas as esperanças é uma falácia.

Cumpre ressuscitar a subsidiariedade e a ascese. A primeira, para incentivar a iniciativa privada, o empreendedorismo e a vontade de trabalhar. A segunda, para ensinar a viver com menos e a dispensar o luxo, até que as coisas melhorem. Por enquanto não se vislumbra a mínima perspectiva de continuar a concessão de benesses com que o povo foi iludido nos últimos anos.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Sem condições

  1. Concordo com tudo que disse, porém quando chega no STF onde o presidente Ricardo é Lula e Dilma e jamais (ao povo) nunca dará contra a Dilma ou Lula.
    O Brasil sabe que tem seis juizes petistas, portanto sempre sabemos que o voto é a favor de Dilma e Lula. Não tenho esperança de mudança nos próximos 10 anos.

  2. Ha so um problema: aonde conseguir um trabalho hoje se a logica imposta pelo Estado Brasileiro a partir de 2003 foi erradicar a fome, a pobresa por meio de um assistencialismo que acabou gerando na populaçao uma dependencia ou uma abstinencia perversa que vai em contra justamente ao incentivo ao trabalho? As “bolsas tudo” que sao a vitrine dos programas sociais do gpverno, para mante-las, passou-se por cima da Lei de Responsabilidade Fiscal e atravessou para a outra margem do rio, e, neste lado do rio tudo quer, tudo pode, tudo faz, onde o dizer: so dentro da lei ha salvaçao, o nosso estado brasileiro subverte e submete seu povo ofende a inteligencia, a ordem e a paz da naçao, o povo assiste a um governo onde poe na vitrine o vale tudo pelo poder.

  3. Não sei a veracidade ,mas em 55 AC. o Senador Romano Marco Túlio Cícero disse:
    “O orçamento deve ser equilibrado, o Tesouro Público deve ser reposto, a dívida pública deve ser reduzida, a arrogância dos funcionários públicos deve ser moderada e controlada, e a ajuda a outros países deve ser eliminada, para que Roma não vá a falência.
    As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver às custas do Estado!”. isto a a 2067 anos.

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