Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É professor, coitadinho!

3 Comentários

Quando D.Pedro I trouxe a Faculdade de Direito para o Brasil, uma na capital paulista, a velha e sempre nova academia do Largo de São Francisco, outra em Olinda, equiparou o professor ao desembargador. Com o passar dos anos, o magistério viu sua remuneração minguar, assim como o seu número crescer. Hoje o magistério reclama de salário insuficiente. Mas o salário não é a maior perda. Quanto representa a auto-estima ferida? A falta de respeito, a ausência de polidez, a desconsideração a que são submetidos tantos mestres?

Há pouco uma charge era bem eloquente no cotejo da situação do Magistério há algumas décadas e hoje. Antigamente, se o aluno tivesse uma nota “vermelha“, era admoestado pelos pais. Eles aplicavam castigos, proibiam o lazer, impunham uma rápida regeneração da performance. Hoje, se a nota não corresponde à expectativa do aluno, os pais procuram o colégio, reclamam com o diretor e enfrentam o professor. Este, em vários nichos de excelência, é considerado um empregado do aluno que sustenta o equipamento. A relação de consumo também se estabeleceu na educação privada. Quem paga tem direito a exigir conduta submissa do prestador de serviço.

E o que dizer dos professores da rede pública, ameaçados e até agredidos? O desrespeito devotado ao profissional que, em culturas mais civilizadas é o mais prestigiado na hierarquia, demonstra bem a que nível chegamos neste pobre Brasil. No Japão, o professor é o único ser dispensado de se curvar perante o Imperador. Aqui, ele é curvado pelo peso das aflições, da ingratidão e da falta de reconhecimento. Não se generalize. Ainda há famílias que não declinaram de educar seus rebentos e transmitem o essencial: a polidez, a boa formação de berço, aquilo que não se pode exigir da escola. Mas são raras as que se lembram de que 15 de outubro é dia do professor e que ele merece ao menos um sorriso, um carinho, uma palavra de afeto e gratidão. Feliz dia dos professores, meus sofridos colegas!

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 15/10/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “É professor, coitadinho!

  1. Parabéns pelas palavras..

  2. Eu sou do tempo em que professor era respeitado dentro e fora da classe. A educação no Brasil sofreu demais com alterações nas leis de diretrizes e bases, na década de 1970, em plena ditadura militar, que começaram a alterar a responsabilidade de pais e alunos para com a escola. No meu tempo as notas eram bimensais e havia uma meta a ser alcançada. Esse desafio nos permitia evoluir e desenvolver nossas capacidades procurando sempre o melhor. Quando retiraram o desafio da nota e da aplicação, destruíram a educação! Pena, porque os professores continuam enxugando gelo, enfrentando o descaso de pais e alunos ignorantes e, pior, desvalorizados e desmotivados. Afinal, o quê ensinar a quem não quer aprender? Resultado é essa infestação de beócios em nossas instituições, políticos deprimentes e dirigentes inescrupulosos. Quem tiver olhos, que veja, e quem tiver ouvidos, que ouça!

  3. Puxa dessa vez devo deixar de lado o pedido de nomeações de escreventes da capital e grande são paulo para parabenizá-lo pelo seu texto. Infelizmente a estrutura social do Brasil está atrelada a contratação de mais magistrados, promotores de justiça, delegados de polícia, defensores públicos, procuradores, policiais, médicos, etc…Quando o que deveria ser feito era a contratação de mais professores e valorização de seus salários, desde de que houvesse uma investigação da qualidade de suas aulas para o aprimoramento da cidadania e qualificação intelectual e profissional de nossos jovens e adolescentes gerando cada vez mais uma sociedade mais pacífica e com menos gastos públicos para recuperar o prejuízo causado por condutas de pessoas com má índole e conduta. E que essa cobrança por eficiência fosse periódica e permanente. Infelizmente como Vossa Excelência abordou o Mestre está sem autoridade dentro da sala de aula. Em parte isso se deve também a morosidade da nossa justiça e de leis exageradamente benevolentes como o E.C.A. O adolescente não tem medo do professor e do diretor porque sabe que o sistema de leis e justiça o beneficia. E aquela meia dúzia de alunos acabam dominando o professor e a sala de aula em prejuízo de todos os demais alunos.

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