Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Onde se escondeu o juízo

10 Comentários

Parece que há pessoas ainda insensíveis à trágica situação brasileira. Não leem jornal? Não ouvem noticiário? Não prestam atenção às lojas que fecham as portas, milhares de pessoas que perdem o seu emprego?
Continuam a pensar apenas em si. Não se afligem com o quadro nacional, como se pudessem existir ilhas de prosperidade cercadas por um oceano turbulento de misérias.

A burocracia do Estado brasileiro é um desses espaços onde o perigo demora a mostrar sua verdadeira face. Enquanto houver contracheque ou hollerith garantido pelo depósito no dia certo, tudo permanecerá como antes.

Só que este 2015 nos reserva surpresas. O Estado do Rio Grande do Sul reduziu salários. Mesmo assim, teve de paralisar e atrasar pagamentos.

A Prefeitura de São José dos Campos adota expediente reduzido por contenção de despesas. É a notícia do jornal “O Vale-Gazeta de Taubaté” de 24.9.2015. O mesmo diário diz que a Volks é a primeira empresa da rica região do Vale do Paraíba a aderir a programa que reduz salários e jornada.

O Governo do Estado extinguiu várias fundações, paralisou as nomeações, cortou horas extraordinárias. Até mesmo o desgoverno central deu um passo rumo à redução de Ministérios, diminuição de remuneração de ministros e corte de pessoal em comissão.

O momento é de perguntar: o que posso fazer para ajudar o meu empregador – que, no final das contas, é o povo, aquele que sustenta a máquina – a superar esta crise? Qual a minha contribuição em termos de criatividade, de inovação, de economia concreta, para que o Governo consiga honrar suas dívidas?

Completamente fora de propósito reclamar direitos que, mesmo justos e legítimos, não têm condição de serem satisfeitos neste momento. A prudência recomenda aguardar melhor oportunidade, continuar a prestar os melhores serviços e a contribuir para minorar o panorama verdadeiramente trágico, abatido sobre um Brasil que prometeu atender a todas as demandas, multiplicou os direitos, mas não cuidou de educar a população, tanto para produzir mais, como para ter juízo em crises que, acreditou-se, nunca atingiriam a ilha da fantasia.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

10 pensamentos sobre “Onde se escondeu o juízo

  1. Ilustre Presidente José Renato Nalini, realmente há pessoas que precisam acordar.

  2. Este é o resultado de um governo paternalista extremado, Dr. Nalini!

    É o resultado de um sem número de Bolsas-Família, de auxílio desemprego, de inúmeras bolsas estudos, tudo feito sem critério, só almejando votos nas próximas eleições e, com o objetivo, único, de perpetuar-se no poder. Isso tudo é a exacerbação de um projeto de poder sem planejamento algum na parte social, só ao poder, sem qualquer outra vontade… Tudo pelo poder!

    O senso crítico, o bom senso, o juízo… tudo isso se foi em prol do poder e do dinheiro.

    O povo? O Povo se acostumou aos escândalos, se tornou permissivo e, acabou se acostumando às piores maracutaias. Olhamos e ouvimos todas as piores coisas com a mais pura normalidade. É algo trivial!

    Somos um Brasil que está levando o dito: “precisa levar vantagem em tudo”, ao extremo. Sem qualquer vergonha na cara, afinal o exemplo, que vem de cima, não existe. Ao contrário, o que vem de cima é, completamente, oposto ao que a lei prega. Então porque o povo precisa me comportar? Vamos à farra e façamos o melhor de tudo que é ilícito. Estamos sendo levados a total balburdia, em prol da ganancia e da desenfreada busca pelo poder.

    Falta um exemplo, uma autoridade, que tenha liderança, que seja confiável e, se mostre, de fato, indignada aos desmandos do governo. Pior de tudo, precisa comover uma população que se acostumou e trata como normal, essas falcatruas do atual governo, que mente deslavadamente, com a maior cara de pau, sem sequer mudar a cor de sua cútis.

    Somos um triste exemplo de País!

  3. Dr. Renato, aqui em Ubatuba, a PMU também reduziu o horário de funcionamento. Eu sempre me perguntei sobre essa comodidade do “pagamento no final ou no início do mês”. Parece que todo funcionário público, seja do executivo, seja do legislativo ou do judiciário acredita que essa crise possa atingi-lo. É a síndrome da ilha da fantasia que funciona no Brasil desde o Império.

    • Faço a seguinte correção, a saber: Parece que todo funcionário público, seja do executivo, seja do legislativo ou do judiciário não acredita…..

      • Funcionário público magistrado, se é que magistrado é funcionário público, pois mais está me parecendo uma aristocracia, não só acredita como não será atingido pela crise com os mega salários pagos pelo judiciário!

  4. Sábias palavras presidente. Mas, o senhor tem feito sua parte, como mencionou em seu post ? O senhor não acha que em um país com todos os problemas que o senhor mesmo citou, onde pessoas com renda acima de 2 salários mínimos são consideradas de classe média, segundo o próprio governo, perceber salários acima de 50.000,00 , não seria uma afronta à toda a sociedade que paga por estes salários ? Não seria hipocrisia querer fazer sacrifícios somente no bolso alheio ? Se for realmente verdade sua preocupação com a atual conjuntura, não seria digno abrir mão de todos os incrementos adicionados aos já altos subsídios para nossa realidade, à título de indenização ? Desculpe-me pelo desabafo de um leitor e cidadão, mas gostaria muito que nosso país fosse realmente mais justo e próspero, pois capacidade para isto ele têm, faltando para isso somente um pouco de bom senso e boa vontade.

  5. Dr amigo do Geraldo Alkmin nosso Governador tem cargos de comissão no Estado pagando remuneração de Marajás e estas pessoas não são do PT ,não tem bolsa familia e digo com a vaca gorda eles deitaram e rolaram estes anos todos ,a varedura tem que ser em casa . A não ser que os neoliberais não eceitem seus abusos economicos…

  6. Peça básica na construção de qualquer civilização devem ser seu sistema educacional e judicial eficientes. Nosso Poder Judiciário tornou-se arcaico há muito tempo. Não são 15.000 juízes que servem ao país. São duzentos milhões de brasileiros que alimentam, sustentam e carregam nas costas Vossas Excelências. Que vivem numa bolha de fantasia! Entortam a lógica, por exemplo, para justificar um auxílio moradia de R$ 4.000,00 com um salário inicial de R$ 25.000,00. E o pior é dizer que o pagamento deve ser retroativo desde a existência do direito para os parlamentares. Mesmo sabendo que os membros dos Tribunais nunca receberam um único voto de qualquer cidadão são considerados agentes políticos. Inclusive tal direito não deveria existir nem para os parlamentares. Lamentável a decisão do Ministro Luiz Fux que entrou para história maligna do país. Isso é só um exemplo de que no Brasil quem tem olho é REI ! Funciona assim nos Tribunais de todo o país inclusive nos Superiores: “Façam uma Lei criando mais um direito ou um aumento gigantesco salarial para nós (crise fiscal ou inflacionária é para os fracos), que os parlamentares (senadores e deputados) do país aprovam nossa lei com direitos exagerados para nós, pois a a grande maioria dos parlamentares tem rabo preso, afinal tudo se justifica porque passamos num concurso público dificílimo.” O povo não tá nem aí para oque é feito com seu dinheiro. Interessa manter os cidadãos na ignorância com uma escola pública péssima. Preocupados só com Internet, com a vida dos vizinhos, com sexo, televisão e futebol, etc…E assim caminha a humanidade brasileira pacifica mas não por consciência mas por medo de represálias. Ignorante sem pretensão nenhuma de se organizar e exigir mudanças e eficiência dos serviços públicos, acabar com privilégios, combater a injustiça social, ensinar o povo a pescar, eliminar a corrupção e com as negociatas, e tantos outros males sociais causados principalmente por uma cultura de desinteresse popular pelo exercício da cidadania com que é feito com aquilo que é de todos.

  7. É verdade, parabéns pela sua perspectiva Professor Renato!

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