Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Justiça não é cega

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Se fosse cega, não precisaria de venda para impedir seus olhos de escolher, de preferir, de cultivar empatias. A Justiça não é surda. Ouve o clamor do povo, sequioso por eliminar as injustiças. A Justiça não é tetraplégica, nem paraplégica, nem ostenta deficiência alguma. Ela é combalida, isto sim, porque não tem por ela o olhar de interesse e de afeição da comunidade. Os índices de avaliação do Poder Judiciário no Brasil não são os mais favoráveis. Mas por um paradoxo, desse tão brasileiros, cada vez mais se procura pela Justiça. Mesmo sabendo que a opção por um processo significa um treino de infinita paciência. Pois é infinita a duração de uma ação judicial no sistema brasileiro.

De tanto apreço ao duplo grau de jurisdição, nós temos quatro. Tudo começa com um juiz, que deveria dizer a melhor justiça e a questão terminar aí. Mas as pessoas querem que o Tribunal também se manifeste. Não satisfeitos com a resposta do colegiado, fazem o processo subir até o STJ – Superior Tribunal de Justiça, o “Tribunal da Cidadania“. E como a nossa Constituição “Cidadã” cuida de tudo, não é difícil fazer com que o processo ainda chegue ao STF – Supremo Tribunal Federal.

Essa caminhada dura de 10 a 20 anos, a depender do talento do profissional e de sua estratégia para se valer de uma arena de astúcias em que se transformou a ciência processual, quando alguém quer deixar de honrar seus compromissos, cumprir suas obrigações ou responder pelo mal causado.

Ainda não se fez a profunda reforma estrutural da Justiça brasileira, nem se vislumbra condição para fazê-la. Há muitos interessados em que ela não funcione. Seja uma instância simbólica, avalista da Democracia. Afinal, se existe juiz em cada cidade, para receber as demandas, isso é sinal de que o Brasil é um Estado de Direito de índole democrática.

Talvez a crise, ao forçar uma revisão de todas as instituições e a mostrar que dinheiro não cai do céu e quando ele falta é preciso reinventar a roda, traga ao povo brasileiro a oportunidade de refletir sobre sua Justiça, que gostaria de ser repensada. Isso não faria mal à fustigada República, fértil seara dos malfeitos e da politicagem.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 22/10/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Justiça não é cega

  1. ……Existem pontos fundamentais de estruturação em uma sociedade, com vistas ao exposto pelo EX. DES., o povo brasileiro ROGA, por organização e disciplina, mas não sabe como faze-lo.
    Posso constar o que digo, pelas resposta que leio, das mais diversas classe social. Repito que é preciso introduzir nas escolas conceitos básicos do direito, talvez em disciplina de cidadania, educação moral e cívica, começar com o aprendizado das leis.

  2. À justiça é tudo! A verdadeira só divina. Mas como fazer humano na busca de preservar, reparar e restituir direitos é o resultado de dedicação e trabalho, é um dos ofícios dos mais dignos, majestosos, excelentes!

    O que seria de mim como advogado se não fossem os juízes, os desembargadores e ministros (e os demais funcionários) sou muito grato pela existência deste fazer humano, de onde pude aprender exercer a advocacia, até mesmo com decisões contrárias! Mas é honroso dirigir petições à este magnífico poder.

    Em meu livro “A arte de advogar” foco muito na advocacia, mas nós nada seríamos, se não houvesse alguém para julgar com distinção! A arte de advogar se aprimora com a justiça, nós a cada instante aprendemos com a Justiça! Embora pareça que não estamos do mesmo lado, mas há uma simbiose! É o que seria de mim se não fossem os Tribunais!

    Nosso país é muito grande, uma democracia jovem, porém sólida! A atual crise não é institucional, nossas instituições estão cumprindo seus papéis!

    Nós temos um problema conjuntural, o cidadão reclama dos políticos generalizando, mas compra exame aprovado de CNH, aí a única forma de baixar índices de acidentes é baixando o limite de velocidade! Esse é um exemplo! Então temos que ir corrigindo os rumos, e vivendo harmonicamente!

    Nós precisamos de uma justiça que entenda seu papel social, mas ela, a Justiça, é composta de seres humanos, como a advocacia, com seus egos, suas limitações e imperfeições!

    Aqueles que trabalham o autoconhecimento, a autodisciplina, para com isso melhorarem seu próprio conhecimento do outro, vão estar mais próximos de fazer o certo!

    Mas o importante mesmo é que cada um faça a sua parte e acredite que um dia chegaremos lá!

    Muito obrigado pela oportunidade de dizer algumas palavras de solidariedade e pela oportunidade de dizer que amo o Brasil, e toda esta minha nação maravilhoso!! Grande abraço e Arriba para a felicidade!

    Se podermos estender a mão, dar um sorriso, desejar um bom dia para aquele que se encontra sem um lar, que não pode visitar seus parentes distantes, que perderam um ente querido, que estão esperando algo para melhorar um pouco não devemos perder a oportunidade!

    Não devemos perder a oportunidade de enriquecer uma alma com uma simples atenção, que tocará alguém!

    • A nação brasileira Roga por organização e disciplina, mas não sabe por onde começar, ou seja, não sabe de onde vem os tiros, a nação brasileira é um trem desgovernado, porém anda na linha.
      O ponto de vista de cada um depende do lugar onde está, no espaço social e geográfico, o que não deveria mudar são os critérios familiares(entes sociais) que preparam a criança de maneira que o mundo não extermine o adulto.

      Esse é meu ponto de vista

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