Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

E viva a monarquia

3 Comentários

Javier Marias, um dos mais famosos escritores espanhóis, lança no Brasil o romance “Assim começa o mal”. Baseado numa frase de Shakespeare: “Assim começa o mal e o pior espreita por trás”. Ou seja: o pior ainda está por vir. A ambiguidade da frase serve para o Brasil.

A crise mal começou, embora haja quem teime em ignorá-la. Primeiro o déficit moral. Em seguida, o político. Por fim, o econômico. O desalento, o desemprego, a recessão, a estagnação, a acelerada queda de arrecadação. E muita gente insistindo em continuar a exigir direitos, ressarcimento por situações de injustiça muito antigas, aumento salarial, reposição, correção monetária, etc. Como se o dinheiro estivesse abundante e disponível à espera de apropriação.

Apropriado ele foi, mas nas negociatas, propinas e malversações. E continua a sê-lo, pois alguns pensam que a operação Lava-Jato permanecerá nas altas esferas e não chegará à planície. Deus queira chegue! E com rapidez, porque a gatunagem continua desenvolta.

Mas o interessante em Javier Marias é sua opinião sobre a monarquia espanhola. Para ele, a monarquia não tem nada a ver com as atuações corruptas dos políticos. Mesmo porque, a monarquia espanhola é muito limitada. O rei reina, mas não governa. Sob Juan Carlos I, a Espanha viveu o seu mais longo período de liberdades e democracia, o mais longo de toda a sua história.

E, sendo o meu país como é (vingativo, invejoso, sectário), ninguém teria o menor respeito por um hipotético presidente da República: ele seria um permanente objeto de ataques. Não que o rei não seja atacado, mas é importante uma figura fora de qualquer partido, que não está manchada pela luta pelo poder, que não intervém nas decisões injustas e arbitrárias de muitos políticos. Não me parece ruim que haja uma figura – embora mais simbólica do que outra coisa – que não manda nem ordena, nem intervém nos assuntos do país, mas está presente. Creio que essa presença é, em conjunto, mais benéfica do que prejudicial. E não quero nem imaginar como presidente da República algum dos personagens nefastos que poderiam ser eleitos se esse cargo fosse submetido à votação“. Você tem razão, Javier Marias. Por isso eu votei monarquia no plebiscito. Até porque, o Brasil não deixou de se acreditar um Império.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “E viva a monarquia

  1. Vou pensar muito. O artigo incita o pensamento.

  2. Admiro sua postura, sua Etica e seu enfoque nessa matéria.Parabéns DR.Desembargador Renato Nalini mui digno Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo.Também votei no plebiscito pela Monarquia.

  3. Se o Brasil ainda se acredita ser um Império…faz sentido…nossa rainha não governa…nosso premier está envolto nos maiores escândalos, os amigos da rainha influenciam diretamente todas ações e inações da corte.
    E não seria muito difícil dar um nome criativo para a nova moeda.

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