Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Nietzsche teria razão?

5 Comentários

Polêmico, sarcástico, herético, niilista. Muitos adjetivos cabem ao filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que pode ser amado ou odiado. Nunca ignorado.

Pois uma frase dele tem sido objeto de minha recente reflexão. Afirmou: “Em indivíduos, a insanidade é rara; mas em grupos, partidos, nações e épocas, ela é a regra“.

Escreveu isso na obra “Além do Bem e do Mal” e parece aplicável e adequada ao presente momento brasileiro. Uma Nação mergulhada na indefinição, com idas e voltas pífias, qual verdadeira nau sem rumo, parece não contar com a lucidez que existe, mas está anestesiada.

Temos milhares de seres pensantes, inteligências superdotadas, culturas esplêndidas, vencedores em todos os ramos da atividade humana. Onde está essa gente que não assume as rédeas da República, mostrando aos que detêm responsabilidade, que algo tem de ser feito e com urgência, para a retomada da sensatez, para a devolução da confiança, para ver ressurgir a esperança em dias melhores?

Não parece crível que se continue a aguardar não sei quem para prometer não sei o que, não se sabe quando! Já passou o momento de reconduzir a República aos trilhos do trabalho sério, do sacrifício, no corte da carne, liberando-a de quem faz malfeitos.

A comunidade internacional espera essa reação e não acredita que o Brasil campeão da criatividade, com sua gente alegre e solidária, possa permanecer na inércia enquanto o barco faz água e não há salva-vidas para todos os passageiros.

Não se pode esquecer que governo é instrumento, não finalidade. Numa sociedade ideal, não haveria necessidade de rédeas, pois todos os homens de bem saberiam se comportar de acordo com a regra de ouro: “não faça ao outro o que você não quer que ele lhe faça“.

O Brasil tem uma História, tem vultos que podem servir de inspiração, tem uma juventude que necessita de liderança e de bons exemplos. Vamos provar que NIETZSCHE não tinha razão e que a insanidade reside em poucos, muito poucos, que não podem se sobrepor à imensa maioria, a clamar por higidez mental. Com juízo, tudo poderá voltar aos eixos e as futuras gerações saberão reconhecer o protagonismo que se quer presente com a maior urgência.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 12/11/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “Nietzsche teria razão?

  1. É a realidade brasileira momentânea como sair desse marasmo, a unica esperança é de que Deus seja mesmo brasileiro e nos afaste desse mal que nos governa ou melhor que nos desgoverna.

  2. V.Exa. Dr. Nalini, inicia seu texto com uma citação de Nietzsche, a qual transcrevo:

    ” Em indivíduo, insanidade é rara; mas em grupos, partidos,
    noções e épocas, ela é a
    regra. ”
    Creio que além de sua mente brilhante,
    o filólogo era sensitivo,
    visualizando há 02 seculos e1/2 que, em um caloroso mês de novembro, uma outra mente esplêndida iria lhe cutucar, postando em um tal de facebook e tocando em seu nome…
    Aqui está a resposta para V.Exa., Dr. Nalini:
    ” Até os mais corajosos raramente tem a coragem para aquilo que realmente sabem”….

    Para assumir cargo de direção de um país, um Estado ou até município
    partindo do que foi comentado em V. artigo, fazendo menção ao cidadão capacitado, com bons e éticos técnicos para auxiliá-lo na administração ou até reconstrução de nosso país, que acredito nenhum de nós já O enxerga mais, tamanha a destruição de valores, do meio ambiente, falta de saneamento básico, aliás ausência de tudo que possamos considerar de mínimo, até este nos foi usurpado por mãos fétidas.
    Existem muitos brasileiros e brasileiras já filiados à partidos políticos, com conhecimento de causa perfeito e comprometidos com a ética e moral.
    Mas ao serem chamados, convidados para se candidatar a Prefeito, de imediato inicia a composição do grupo intenso de outras boas almas que irão assumir as Pastas, notadamente mais influentes e complexas, por ex. Saúde e Educação.
    Este tal candidato sua tem gente do bem, mas e as coligações e os conchavos feitos na última eleição ? O que fazer, tem que ser cumprida a promessa, ,ainda que seja analfabeto, mas é filho ou neto de X, Y e Z.
    Agora, eu indago à única MENTE BRILHANTE que conheço no momento, destemido, nada o detém, desde que lícito e
    útil ao povo
    Meu caríssimo Dr. JOSÉ RENATO NALINI, um dos homens mais respeitados e capacitados deste Estado de São Paulo, aceitaria assumir um cargo de comando ?!!

  3. O Excelentíssimo diz em cortar a própria carne, ora, por qual motivo não fizeste isso em seu tempo de Presidente do egrégio TJSP? Por qual motivo deu aumento de 14% aos magistrados e nada da database aos servidores? Por qual motivo, em tempos de crise – como em seus inúmeros discursos dizem – aprovaste o auxílio moradia no valor de mais de 4 mil reais aos magistrados? Palavras o vento leva, o verbo voa, falar e escrever bonito é fácil excelentíssimo. O que a sociedade e os trabalhadores querem ver é a justiça sendo feita e não contada em conto de fadas.

  4. À Ouvidoria do Tribunal de Justiça de São Paulo,

    Prezados,
    Consta no site do TSJP que a ouvidoria não trata de questões jurisdicionais, e não é o canal adequado para externarmos nossa discordância quanto às decisões dos magistrados, mas tem por objetivo tornar a Justiça mais próxima do cidadão, ouvindo sua opinião acerca dos serviços prestados pela referida Corte.
    Por isso, sem pretender adentrar no mérito jurídico da decisão que o Órgão Especial tomou quanto à suspensão do fornecimento da substância fosfoetalonamina a portadores de câncer, pretendo apenas manifestar meu desagrado quanto ao serviço que o Judiciário está prestando (ou não) à sociedade nesse caso.
    É possível enxergar prudência na preocupação dos Desembargadores com a ausência de rigor científico sobre a substância. Mas não há como tolerar que uma decisão utilize esse fundamento para privar pacientes de uma derradeira esperança, mas não determine, com base no mesmo argumento, que algo seja feito pelo Estado de São Paulo a fim de que esse rigor venha a ser alcançado.
    Contentar-se com a ausência de pesquisas, e julgar somente com amparo na falta de certeza, equivale, nesse caso, a um “non liquet”, vedado pelo ordenamento civil (art. 126, CPC), pois os Desembargadores limitaram-se a proferir uma decisão sem se ocupar da causa, deixando de entregar aos cidadãos uma verdadeira prestação jurisdicional, ou ao menos remeter o caso às autoridades que entende competentes, imputando-lhes o dever de cumprir imediatamente as suas funções.
    Dito de outro modo, contrariando o que dispõe o art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, o Poder Judiciário preferiu ser indiferente à lesão que vem sendo causada ao direito à vida dos pacientes, ao lhes negar o uso de uma substância nova que pode proporcionar a melhora que os tratamentos convencionais até agora não foram capazes de oferecer, unicamente pela falta de pesquisas, mas silenciar quanto à urgência na sua realização, omitindo-se de proteger concretamente e ativamente a dignidade da pessoa humana, fundamento do nosso Estado Democrático de Direito (art. 1º, III, CF), encargo que também lhe pertence.
    Por isso, à Ouvidoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, desejo dizer que é grande o meu pesar, pois a Justiça não poderia estar mais distante do cidadão, e do desempenho efetivo do seu papel.
    Atenciosamente.
    José Hermano Bezerra de Brito

    *Pai indignado com a decisão deste tribunal com a proibição da Usp São Carlos de fornecer a substância Fosfoetalonamina aos pacientes terminais de câncer, que só resta esta esperança de viver.

  5. Parabéns Dr. Renato Nalini, muita lucidez em suas palavras que bem descrevem nosso momento.

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