Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Dez anos sem ela

15 Comentários

Hoje, 17 de novembro de 2015, é a data em que, há dez anos, eu perdia minha mãe. Parece às vezes que foi ontem. Outras vezes, que já faz muito mais tempo. Outras, ainda, que isso não aconteceu. Repito-me com frequência e afirmo que aquele que tem mãe tem tudo. Quem não tem mãe, não tem nada.

Mãe é o amor incondicional. É o perdão absoluto. É a cegueira de quem não enxerga defeitos. Compra as dores do filho. Este pode até perdoar, ela não perdoa. Ainda hoje ouço minha mãe me lembrando coisas que me fizeram quando era criança, quando era jovem, quando já era adulto. Imagino o que diria diante de novas incompreensões, variadas críticas, maledicência e boataria. Ficaria possessa, mas encontraria fórmula de me confortar.

Foi sempre assim. Em todos os episódios vitais, sua companhia foi o lenitivo. Por isso consegui superar a morte de meu irmão caçula, João René. E também continuar após a morte de meu pai, Baptista Nalini. Tenho a certeza de que não resistiu a dor de enterrar o filho que mais o mimava. Isto, sim: o filho que o mimava, que quebrou o padrão ainda austero de família italiana, sem rompantes, sem demonstração de afetividades. Justamente esse ele teve de sepultar.

Minha mãe extravasou seus sentimentos. Só falava em meu irmão. Cobrava-me atenção e desvelo em relação a seus filhos, meus sobrinhos. Censurando-me: “Se você tivesse morrido, ele assumiria seus filhos…”. Minha vida de operário da Justiça me fez descuidar de filhos, agora de netos, pois sou reincidente específico. O que não dizer dos sobrinhos? Mas eles sabem – todos eles: filhos, sobrinhos, netos e agregados – do meu amor por eles.

Amor perfeito, só o da mãe pelo filho. Sei que minha mãe, se pudesse, já teria vindo me contar coisas. Se não veio, foi porque não lhe foi permitido. Mas ela deve saber que converso muito com ela, que ouço os seus conselhos e suas broncas. E que ela me faz uma falta imensa.

O seu colo, a sua compreensão, a sua cumplicidade, até suas censuras. Custa a aprender que orfandade não tem idade. Estou em meio do aprendizado e, após avaliar o que me resta em vida útil, não sei se vou conseguir chegar ao final deste doloroso curso.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

15 pensamentos sobre “Dez anos sem ela

  1. Dr Nalini….como uma mãe faz falta.. 18 longos anos sem a minha amada mãe… compartilho da sua dor..abçs..

  2. Uma mãe faz falta. Sinto falta da minha!

  3. Estimado Presidente José Renato Nalini, receba meu respeitoso abraço de solidariedade. Só quem passaou por esses sofrimentos sabem o quanto eles doem e são inesquecíveis. Também perdi meu irmaozinho caçula e meus pais. Só nos resta um consolo, meu caro Presidente, a certeza de que sobrevivemos mais fortes.

  4. Perdi minha mãe o ano passado,sinto um tremendo vazio ,mas a vida segue e tenho que cuidar de meu pai com os seus 85 anos e de meus filhos . Sei com toda certeza que a sua ausência nunca será superada que o vazio vai permanecer anos e anos,mas o meu consolo é que ela amou e foi amada ,respeitou e foi respeitada e que fiz tudo que podia para evitar o seu fim .Saudades

  5. Acredito muito no reencontro, e é o que me faz continuar minha jornada fazendo o melhor que posso, com afinco e dedicação. Ainda tenho meus pais vivos, e sei que isso é ouro, mas sei também que ninguém é eterno, nosso ciclo vai se fechar um dia. E na certeza do reencontro, seguimos com a vida, doando nossos conhecimentos, VIVENDO!

  6. Saudades eterna, um dia iremos nos encontrar no ceú. Meus Sentimentos.

  7. Presidente, uma frase de seu texto resume o sentimento de orfandade: quem tem mãe tem tudo, quem não tem, não tem nada. Em 2004 perdi meu pai e minha mãe, era recém formado, cheguei mesmo a passar severas necessidades. Todas as dores passam, menos a da orfandade

  8. Como não comentar esse lindo texto?! Eu me emocionei! Como é lindo o amor de mãe! Não é à toa que o Criador me fez mãe aos 16 anos. Precisava senti-lo e entendo-lo. Ouvia depoimentos repletos de ternuras como o do Doutor, mas, em minha casa, a minha mãe tinha gravatas, rs. Sempre senti o amor de meu pai como um de pai e mãe a mim!

    Ao conhecer esse amor e querer ser melhor no que me faltou, pequei exagerando um bocadinho com os cuidados à minha filha! Não consigo não super protegê-la, mesmo com seus 19anos já! Apóio e é livre em suas escolhas, mas… se deixar (e ela deixa e adora para piorar, rs.), quero ir junto em tudooo que faz para ter certeza que nada vai machucá-la! rs. Agora, com um ano de registro em seu primeiro emprego, tudo está mais calmo, pois estou me habituando com a ideia de que ela pode se cuidar sem mim ao lado. Mas, até o segundo ano do ensino médio, mesmo morando a quatro quadras da escola, não conseguia ficar em casa enquanto ela ia sozinha. Mentia que precisava fazer caminhada para não passar a minha insegurança do mundo a ela, e ia junto, rs. Até que vi o quanto estava engessando-a demais! E com o primeiro problema de saúde mais grave que me apareceu (renal), comecei a rever todo esse cuidado, já que HJ, cá estamos… Mas o futuro a Deus pertence! Tinha que prepará-la mais, independente da minha presença física. E hoje, consigo ficar mais tranquila e no controle deste zelo exagerado! rs. Ela mesmo HJ me ajuda dizendo: Coruja (meu apelido), fica calma que vai dar tudo certo, volto inteira! – E sempre dá! ;) rs.

    Tenha certeza que a sua mamãe te cuidou aqui e continua lá! Com a minha avó materna, tenho igual ligação! Não me permito vê-la (acho desnecessário), mas a sinto e escuto em tudo que faço nesta vida! Se tornou o meu anjo guardião desde de sua viagem ao Plano Superior.

  9. Dr. Nalini, que ato mais belo sua declaração de amor vivo à mãe que já partiu.
    Como lhe escrevi no Twitter, minhas dores foram tal qual intensas, não tendo um membro vivo da família onde nasci. Tenho sim em uma pasta, quatro óbitos.
    Tenha meu filho da família que eu formei, mas que vácuo é a ausência de meus pais e duas irmãs.
    Já me peguei indo ao telefone ligar para a caçula, para lhe contar uma novidade, e qdo dei por mim, coloquei o aparelho de volta na base e sai do cômodo..
    O que me mantém em pé é o amor de Deus e minha advocacia que exerço por paixão

  10. Dr. Nalini, que ato mais belo sua declaração de amor vivo à mãe que já partiu.
    Como llhe escrevi, minhas dores foram tal qual intensas, não tendo um membro vivo da família onde nasci. Tenho sim em uma pasta, quatro óbitos.
    Tenha meu filho da família que eu formei, mas que vácuo é a ausência de meus pais e duas irmãs.
    Já me peguei indo ao telefone ligar para a caçula, para lhe contar uma novidade, e qdo dei por mim, coloquei o aparelho de volta na base e sai do cômodo..
    O que me mantém em pé é o amor de Deus e minha advocacia que exerço por paixão

  11. Que texto lindo. Minha mãe teve um AVC e no começo me senti órfã de mãe viva. Com o tempo, vi que toda a essência ainda está lá. Sou grata por cada dia que ela está viva, enfrenta as sequelas do AVC e luta contra a leucemia Llc, que a fez tomar 14 bolsas de sangue nos últimos 4 meses. Mãe é tudo isso mesmo, até com as limitações que a vida impõe. De onde ela está, continua te olhando com o mesmo carinho, sr presidente!

  12. mãe é um pilar, sem ela a minha vida se apagou

  13. Santo Agostinho – A dor de ter perdido, não supera a alegria em um dia ter possuído.

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