Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Sem garra, sem chance

3 Comentários

Impressionei-me com o relato do jovem Gustavo Torres, 17 anos, que saiu do Capão Redondo e foi estudar em Stanford, nos Estados Unidos. A mãe é cuidadora de idosos e o pai eletricista. Até a oitava série, esteve na escola pública. Considera-se o “nerd” da classe. Estudava bastante. O incentivo: sua própria força de vontade.

Em 2013, recebeu um e-mail falando de um programa de férias de três semanas em Yale. Competiam concorrentes de todo o mundo. Inscreveu-se, estudou muito e passou. Ao chegar pensou consigo mesmo: se eu saí do Capão Redondo e estou aqui, agora nada mais é impossível. Acreditou no seu potencial. Esforçou-se e passou em Columbia, Duke, MIT, Harvard e Stanford. No Brasil, passou na USP, em engenharia elétrica e na UFSCar – Federal de São Carlos em engenharia física.

Seu recado para os de sua idade: “Justamente por não saber que é possível a gente não tenta. A tendência é o sonho não ser grande, é se contentar com pouca coisa”. O que falta à juventude de hoje é exatamente isso: sonhar alto. Ousar. Acreditar em si mesmo. O conhecimento é algo que se adquire mediante empenho, esforço, sacrifício. Algo que está fora de moda. Certo psicologismo rasteiro propaga que todos são coitadinhos, são vítimas, não se pode exigir mais.

A tática do “afago” torna todos semi-imputáveis. Não é lícito criticar, não é politicamente correto cobrar. A vida é assim mesmo. As condições desfavoráveis selam o destino das pessoas. Quem nasceu na periferia continuará a ser periférico vida afora. É urgente reagir. Todos os países na dianteira do desenvolvimento saíram de condições muito piores do que as brasileiras, porque acreditaram no milagre da educação.

Não da mera escolarização, das avaliações intermináveis, dos testes e estatísticas. Estas podem servir para alguma coisa, mas não substituem o devotamento, o idealismo, a garra. Acreditar em si mesmo é o primeiro passo rumo ao êxito. Sem a autoconfiança, tudo será inviável. Acreditar-se insuficiente e medíocre é o melhor caminho para ser sempre insuficiente, medíocre, insatisfeito e infeliz. O ser humano merece muito mais do que isso.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

gustavo03 (1)

Foto: Victor Moriyama/G1

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Sem garra, sem chance

  1. Presidente José Renato Nalini, realmente é indispensável acreditar em si mesmo.

  2. Eu concordo que a “garra” como força de vontade é uma característica do brasileiro contrariando a visão pitoresca de alguns escritores que descrevem o padrão brasileiro como “anti-heroica” … Mas creio que o que não pode ser feito é tornar isto como um rito de passagem necessária impondo obices e violencias que travam o desenvolvimento nacional, neste aspecto é necessário que se saiba quantos médicos, engenheiros, administradores, sem falar no corpo de pesquisadores que estamos perdendo com o estrangulamento do vestibular que se tornou em síntese numa maquina de dinheiro, aonde sem justificativa valida, a não ser pelo corporativismo, estrangulam a fazem os jovens e os pais a entrarem num clima de disputa e acirramento de animos tão perniciosos que serão ainda vistos como resquícios já no inicio dos cursos de graduação. Assim jamais teremos bons pesquisadores por estarmos tolhendo desde o inicio a vontade em sua raiz: Um Nobel o será em razão de uma equipe de pesquisa e infelizmente passamos de um exame de admissibilidade ou não ao encobrimento de vicios graves no cumprimento da lei e constituição….

  3. Eu não tive acesso a entrevista com o garoto, o que faz meu comentário temerário.
    Ele saiu de Capão Redondo ao ter recebido uma notícia em sua casa de que havia possibilidade de ir estudar, por um período, nos EUA.
    Tudo isso é fascinante, muitos falarão em milagre.
    Ele tem uma personalidade determinada tanto para dizer sim ao foco que ele lhe impôs, qto para não pensar em nenhum revide negativo que pudesse ter.
    Ser cauteloso com a obstáculos da vida, e ainda assim ousar, enfrentar e partir em busca de seu sonho, é um quadrante da história.
    Agora, com falso título de destemido, corajoso, guerreiro, vejo um lado negativo e que ele terá que manter este “pico” por toda sua vida. Visto que ele se coloca como um onipotente, eu quero, eu creio, é bom para mim, então eu vou.
    E, um jovem que nunca levou a insegurança de uma puxada de tapete, terá meios para entender o “negativo ” em sua vida?
    Como reagirá diante de um obstáculo? Saberá aceitar a frustração, o sacode, dá volta por cima?
    Espero que seja de fato um ser humano diferenciado, mas sem ler toda sua história ou ouvir de sua própria boca, eu vou torcer para ele passar a vida só com SIM.
    Aliás, todos nós merecíamos…..

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