Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Quem cuidará delas?

1 comentário

O Brasil dos inúmeros contrastes é terreno fértil na constatação de injustiças. Proliferam situações bizarras e trágicas decorrentes da insensibilidade e do egoísmo, urtiga viçosa nos corações empedernidos.

A criança é um ser desprotegido, sobre o qual tanto se disserta, mas que nem sempre encontra proteção compatível com os discursos edificantes. Se isso acontece com infantes de todas as classes, o que não dizer com os filhos das encarceradas?

Infelizmente, é crescente o número de presas por inúmeros motivos. Em escala preocupante o envolvimento da mulher com o tráfico de drogas. Companheiro preso ou morto, ela assume o lugar na fatídica e suicida missão de satisfazer o vício.

A promiscuidade garante prole à presa, pois ela já se encontrava em situação de vulnerabilidade antes da prisão. E o que acontece com o filho do presídio?
Pouca gente se interessa por essa questão, enfrentada com galhardia pelo Juiz goiano Fernando Augusto Chacha de Rezende, que desenvolve o Projeto “Amparando Filhos – Transformando Realidades com a Comunidade Solidária”.

A “Cartilha Amparando Filhos” é um convite a que outros brasileiros também reflitam sobre o problema que é da sociedade. Além do aspecto humanístico, previne-se a delinquência infantil que é cinco vezes mais recorrente nesse ambiente. O trabalho ancora-se nos princípios da intervenção precoce, proteção integral e melhor interesse da criança. Baseia-se nas “Regras Mínimas para Mulheres Presas”, estabelecidas em Bangkok, durante a 65ª Assembleia Geral da ONU. O encarceramento da mãe gera efeitos colaterais negativos em seus filhos, com intolerável intranscendência da pena diante da dupla penalização: mãe e filho.

O intuito é desenvolver as habilidades individuais, interpessoais, comunitárias, psicológicas e sociais dessas crianças, fortalecendo-as para a edificação de uma vida proativa e saudável, em que haja lugar para sonhos e metas e não se repita a história familiar estigmatizada pelo crime. Afinal, como consta da cartilha, ainda que se eliminem as flores, não existe motivo a que se aborte a primavera.
Vale a pena conhecer melhor o projeto do juiz Fernando Rezende, que pode ser contactado no endereço eletrônico facrezende@tjgo.jus.br.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Juiz Fernando Augusto Chacha de Rezende
Para ver mais imagens do projeto, clique aqui.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Quem cuidará delas?

  1. Que bárbaro!

    Parabéns ao jovem magistrado! Cliquei no ver mais… E amei tudo por lá!

    Ontem lia a mensagem:

    MENSAGEM DA CRIANÇA AO HOMEM – Emmanuel – O Livro da Esperança, Chico Xavier
    … Proclamas o bem por base da evolução; todavia, se não tens paciência para comigo, porque eu te aborreça, provavelmente ainda hoje cairei na armadilha do mal, como ave desprevenida no laço do caçador.
    Em nome de Deus que dizes amar, compadece-te de mim!…
    Ajuda-me hoje para que eu te ajude amanhã.
    Não te peço o máximo que alguém te venha a solicitar em meu benefício…
    Rogo apenas o mínimo do que me podes dar para que eu possa viver e aprender.

    Os genitores não assumem suas responsabilidades. O Governo, não tem estrutura para ser seus tutores, assumindo tal abandono. A sociedade, diz que não tem responsabilidade, e bem contribui com críticas, esquecendo que o preço de sua negligência, poderá vir mais tarde… quando eventualmente, poderão se tornar reféns desses futuros marginais, que não foram salvos em tempo!

    Se não há a misericórdia natural, ok! Mas que a sociedade usem da inteligência!!!

    A responsabilidade também é nossa! Se somos nós que clamamos por paz e maior segurança ao país; incoerente não exercitamos o mínimo de caridade, para salvá-los do futuro perigoso! Já que no futuro, somos nós que podemos pedir para sermos salvos deles! Sendo assim, que haja maior disposição solidária, ainda que interessada, mas que todos façam algo em prol de um futuro melhor às crianças, e consequentemente, do nosso também! 🙏🙏🙏

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