Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Assim não dá

1 comentário

O homem é um animal político, afirmou Aristóteles. A política ainda é essencial para que a complexidade do convívio obtenha um mínimo de disciplina. Normas são essenciais para manter a ordem. Sem ordem, não há progresso.

Embora tais observações possam merecer consenso, a prática da política brasileira leva ao desalento e à repulsa. Não que a fama da política partidária tenha sido muito melhor através dos tempos. O que já se escreveu sobre ela é suficiente para mostrar o seu conceito na História.

Os políticos fazem a política como as cortesãs fazem o amor: por profissão“, disse Tournier. Já Aldous Huxley, autor de “O Admirável Mundo Novo“, afirmou: “em política, quanto mais impossível melhor“. Charles De Gaulle, aquele que teria dito que o Brasil não é um país sério, um dia brincou: “Cheguei à conclusão de que a política é uma matéria muito séria para ser deixada aos políticos“. Elton John foi cáustico: “Não sou político. Há idiotas demais metidos nisso“.

Isso recorda Getúlio Vargas: “No Parlamento há incapazes e outros capazes de tudo“. Para Ernest Benn, “política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em toda parte, diagnosticá-los mal e dar-lhes medicamentos errados“. Nosso renunciante Jânio Quadros trouxe humor: “A política é como fotografia: aquele que se mexe muito não sai!“.

Jorge Luis Borges era pessimista: “Desejaria um Estado mínimo que não se notasse. Morei na Suíça cinco anos, e ali, por exemplo, ninguém sabe o nome do presidente. Eu proporia que os políticos não fossem personagens públicos. Não me agradam as pessoas que se promovem através da política. São desprezíveis“. Para terminar, José Justo: “A política será ainda, por muitos anos, a grande carreira dos homens sem caráter“.

Seria bom não concordar com nenhum de tais assertos. Mas o pessoal não ajuda. Um bom começo seria reduzir o número de partidos e, com isso, quebrar a ganância de quem quer um partido para participar do fundo partidário e para oferecer sua legenda a quem der mais. Será que um dia chegaremos a isso?

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 17/12/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Assim não dá

  1. Mestre José Renato Nalini, parabéns pelas judiciosas ponderações.

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