Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Não somos manada

1 comentário

O “crescei e multiplicai-vos” foi comando bem observado pela espécie humana. A densificação demográfica é um dos fenômenos preocupantes para quem tem olhos de enxergar. O crescimento desmesurado da população e o abandono da singeleza, da ascese e da modicidade por um desenfreado consumismo põe em risco a subsistência da Humanidade.

No momento em que os chineses, por exemplo, se acostumarem com o padrão de consumo norte-americano, será necessário mais quatro Planetas-Terra para deles extrair os recursos imprescindíveis à satisfação dos anseios das criaturas. Tantos deles artificiais, criados por uma cultura individualista e irresponsável.

O excesso populacional também contribui para que o trato das questões de convívio seja objeto de análises sociológicas, numa tentativa de padronização dos sentimentos. A proliferação de síndromes, a prodigalização de sintomas como depressão, estresse e outros males d‘alma tem um significado um pouco negligenciado. As pessoas não sabem mais refletir. Não conseguem ficar sós.

Fogem da solidão como diabo da cruz e convivem na volúpia da multidão, embora continuem sozinhas. Poucos seres humanos conseguem perscrutar seu núcleo personalíssimo. É preciso voltar os olhos para o interior, que saiba reconhecer, tanto na própria singularidade, quanto na alheia, as qualidades de caráter íntimo. Quem não se conhece não consegue conhecer o outro. Daí os desencontros nos relacionamentos. Superficialidade e sensualidade não geram um efetivo reconhecimento.

Antes de um encontro verdadeiro com o outro, a pessoa precisa explorar a sua individualidade. Tomar consciência da singularidade não é fácil. É preciso muita reflexão e muito aprofundamento na exploração da consciência. Mas o resultado vale a pena: é a possibilidade de harmonizar o que se pensa com o que se diz e com o que se faz. No momento em que formos capazes de compatibilizar aquilo que pregamos com o que fazemos, atingiremos não apenas a coerência.

Mas a sabedoria, que nos poupará muitos dissabores. Continuaremos a ser nós mesmos. E isso nos dará a segurança possível neste mundo em que a única certeza é a incerteza.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Não somos manada

  1. Mestre José Renato Nalini, sábias palavras.

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