Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Meu último dia

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Hoje, 31 de dezembro de 2015, é o último dia de minha gestão como Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. A partir da meia noite, quando o champanhe correr solto e os rojões assustarem os cães, o Tribunal já estará sob o comando do Desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti. A ele desejo todo o êxito e gostaria, de fato, fizesse uma administração muito melhor do que a minha.

À falta de orçamento compatível com o gigantismo do Tribunal, recorreu-se à inventividade, à criatividade e à ousadia. O melhor projeto foi a informatização completa do Judiciário. O “100% Digital” garante que já não entrará papel novo na Justiça Paulista. Ainda há 26 milhões de processos físicos, mas a última ação no suporte papel entrou na comarca de Registro em 30/11/2015. De lá para cá, processo novo só eletrônico.

É uma revolução. Basta dizer que os funcionários não terão mais funções burocráticas mas, se quiserem ganharão um salto qualitativo nas suas atribuições. Todas mais intelectuais e agradáveis do que carregar autos, carimbá-los, fazer juntada de petições, fazer conclusões. Agora, tudo automático!

Também chamei a sociedade a assumir suas responsabilidades em relação à Justiça. Ela é serviço público pago pelo povo. Quem paga tem não apenas o direito, mas tem a obrigação de participar das discussões que visem o aperfeiçoamento do sistema.

Chamamos a atenção de todos para a epidêmica judicialização de todos os conflitos. Não é saudável, mas é patológico o fato de existirem 106 milhões de processos em andamento. O povo precisa aprender a dialogar, a conversar, a chegar num acordo. O antigo tinha razão quando dizia: “Antes um mau acordo do que uma boa demanda”.

Sou muito grato a quantos entenderam a mensagem. A todos os que colaboraram. Aos parceiros, às entidades, às associações. Aos funcionários, patrimônio maior do Judiciário. Aos colegas. À mídia, mesmo quando criticou de maneira cáustica. Não sou detentor da verdade absoluta, não tenho esse monopólio. As críticas impuseram correção de rumos quando aceitáveis. Quando não, prossegui e tive dois anos muito produtivos. Não tive greves de funcionalismo, nem episódios sangrentos envolvendo atuação jurisdicional. Obrigado e feliz ano novo para todos!

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Meu último dia

  1. Mestre José Renato Nalini, parabéns pela exuberante gestão. Felizes empreendimentos futuros, em benefício da sociedade;

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