Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pouco de bairrismo

2 Comentários

O complexo de inferioridade do brasileiro em relação ao mundo civilizado nunca deixou de existir. O nacional tem vergonha de sua cultura, de seus costumes, de sua língua. Porta-se de maneira subserviente quanto ao estrangeiro. Sobretudo se ele for norte-americano.

Nada contra os Estados Unidos. Como Nação, há muito a ensinar a nós outros. Por exemplo: os juízes americanos são vitalícios. Só deixam o cargo quando quiserem ou estiverem impossibilitados de trabalhar. País pobre é assim: explora até à morte o seu funcionário público.

Mas não se pode imitar o ianque em relação aos seus hábitos alimentares. O hotdog, o hamburger, a batata-frita e o refrigerante de predileção da juventude não constituem, exatamente, a melhor das alternativas para quem precisa de nutrição, não de obesidade.

Por isso é bom pensar em resgatar sabores bem brasileiros como aqueles abrigados pela Arca do Gosto. É uma criação de 1996 do Slow Food, movimento que propõe certo vagar ao saborear os alimentos. A Arca do Gosto já catalogou mais de 2 mil produtos e 52 deles são brasileiros. São ingredientes artesanais e sustentáveis, que favorecem a cultura local.

Dentre esses ingredientes, destacam-se o cambuci, o pequi, a araruta, o umbu, o aratu e a castanha de baru. Cambuci é árvore da mata Atlântica que deu nome a bairro paulistano. O pequi é nativo do cerrado, perfumado, é usado como condimento, em conserva, doces ou licores. A araruta é uma planta das regiões tropicais da América do Sul, cuja raiz é ralada e o amido separado. É ingrediente para mingaus, biscoitos e bolos. O aratu é um caranguejo pequeno e de carne delicada e saborosa, que está acabando nos mangues de Sergipe. O umbu é uma fruta nativa do nordeste, típica da caatinga. Casca verde ou amarela, polpa suculenta, aromática e agridoce. Pode ser consumida in natura ou em conservas. A castanha de baru é uma planta nativa do cerrado. Está desaparecendo pela monocultura da soja e de cereais e pela extração de madeira.

Tudo isso está ameaçado e um bom começo para quem se preocupa com a natureza seria disseminar essa cultura, ajudar a divulgar e a proteger o que resta desses sabores tipicamente brasileiros. Se temos tamanha exuberância e riqueza de nutrientes, porque nos empanturrar com as comidas industrializadas e artificiais que nos empurram?

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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“Pequi01” por No machine-readable author provided. Conrado assumed (based on copyright claims). – No machine-readable source provided. Own work assumed (based on copyright claims).. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons – https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pequi01.JPG#/media/File:Pequi01.JPG

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Um pouco de bairrismo

  1. Mestre José Renato Nalini sempre nos ministrando bons conselhos.

  2. Tenho tudo contra as Nações que se intitulam a policia do mundo; mas é verdade que estamos sempre atrasados., mas pelo menos não comemos tanta porcaria como eles os (EUA). Quanto ao complexo…..está acabando!
    Pergunto ao ilustre Magistrado: Eles agraciam magistrados que cometem crimes com aposentadoria compulsória com salário integral? Ou estou desinformado?

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