Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Arriscar-se é preciso

10 Comentários

Embora o planejamento seja necessário, nem sempre ele atende às expectativas de quem o fez. A vida é uma sequência de surpresas. Por isso é que os futurólogos não conseguiram se profissionalizar. O inesperado é cada vez mais presente e aquilo que se esperava costuma frustrar os ansiosos.

Um pouco de humildade, matéria-prima que também falta à maior parte das pessoas, não faria mal. É preciso, sim, estar atento e procurar antever o que pode ocorrer. Mas não se desesperar se o previsto não acontece e o imprevisto nos deixa perplexos.

Isso vale para a profissão, mas vale para a existência toda. Quem é que não sonha o melhor para os filhos e o conceito de “melhor” não coincide com o alvo do delírio. A correção de rota, hoje tão trivializada pelos GPS e similares, é algo que precisa estar sempre à mão. Pronta para usar sem traumas.

Acabo de ler um livro interessante: “Voos altos e quedas livres“, de Julian Barnes. Ele começa a falar sobre balonismo. Esporte que tem levado brasileiros a Boituva, mas também à Capadócia. Deve ser uma experiência interessante ver tudo do alto. Quem já teve coragem diz que a impressão é maravilhosa. Não há turbulência, não há trepidação. Não há ruído.

Um trecho do livro motiva esta reflexão: “Animais rasteiros, às vezes chegamos tão longe quanto os deuses. Alguns voam por meio da arte, outros da religião; a maioria do amor. Mas, quando voamos, podemos cair. Existem poucos pousos suaves. Podemos nos ver batendo no chão com violência, arrastados na direção de uma estrada de ferro estrangeira. Toda história de amor é uma história de sofrimento em potencial“.

Nesse terreno, quase todos os humanos são cobaias. Não existem regras para administrar as faíscas de atração que nos vinculam a seres humanos e que podem gerar curtos-circuitos que nos deixam marcados, estigmatizados e desiludidos. Mas o milagre da renovação está à espreita. Novas luminescências nos aguardam. Para voos sedutores, que antecedem novos tombos.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 21/01/2016
JOSÉ RENATO NALINI é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

10 pensamentos sobre “Arriscar-se é preciso

  1. Que texto mais lindo e inspirador! Só poderia ter vindo dessa mente fascinante que conjuga o refinamento da arte e da cultura com a sensibilidade. Parabéns!

  2. 😢 Aquele momento que cai um cisco em meu olho e começo disfarçar minha emoção em público aqui… Lindo! Muito lindo! Me emocionei…!

    Bem assim… E eu, libriana nata, então… Não consigo aprender que não é legal ser cobaia. Que não tenho asas para voar! Mas o tombos, ensinam. Ou não! Difícil administrar um voo assim. Por vezes aceitamos-o, totalmente consciente da queda; mas não conseguimos negar a sedução que antecede ao próximo tombo! Faz parte… Como diz minha filha Maitê: “faço umas burrices às vezes, mas sou inteligente. Eu juro!” – rs.

    Parabéns pelo texto!
    Excelente tarde!

  3. Lindo texto, suave e ao mesmo tempo direto. Obrigada. Abraço

  4. Excelentes ponderações como sempre.

  5. A vida começa aos 70. Tolice aquele que diz o contrário. Colhendo os frutos de uma vida árdua e trabalho diuturno. Dizem que somente dando à volta ao mundo, verdadeiramente estará completo o ser em sua vivência profunda, capaz de desmistificar o marketing negativo de povos e nações. Talvez uma preparação espiritual para um Conselho numa Cadeira de Segurança Vitalícia na Organização das Nações Unidas…

  6. Reflexões interessantes !Parabéns…

  7. Boa Sorte na nova empreitada. Sim, arrisque-se.

  8. Tivemos a felicidade de voar num balão e ver a morte se aproximar, pois ao contrario de que todos pensam, não é tão seguro., a habilidade da piloto, uma Alemã, que não falava português e seu inglês na ora do panico parecia um dialeto,;evitou uma tragédia que poderia vitimar 25 pessoas. Meses depois de nossa aventura com muita emoção não programada, soubemos de outros acidentes fatais.
    Tal qual uma cobaia, continuamos sendo derrubados e levantando mais fortes para o próximo impacto, sem desistir de alçar novos voos.
    Devemos usar a intuição, a observação e a experiencia, só assim estaremos aptos a voar novamente.
    Sem estas três ferramentas, melhor ficar em terra firme e sem descuidar de olhar para todos os lados inclusive para cima.
    Sr. Renato, tenho lido que recebe muitos convites para trabalhar….pense grande, já está apto a pilotar qualquer aeronave.

  9. V. Exa. José Renato Nalini
    Ainda que, em seus novos passos, aconteçam imprevistos, alguns dolorosos, por inesperados diante da fonte brotada, nada tema e não retraía, pois se o balão falhar, seu Deus jamais faltará à um homem reto e cônscio de seu compromisso.
    Ungido já fostes, orgulhosa e feliz estou pois o Desembargador Nalini, meu amigo online, mui querido, está alçando mais um seguro vôo.
    VIVA !!

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