Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Colheita de arrependimentos

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O polonês Joseph Conrad (1847-1924), que escreveu o fabuloso livro “O coração das trevas” em 1902, era um perfeccionista. Escrupuloso, não sentia jorrar a inspiração e permanecer no mergulho quase sonambúlico até terminar o que começara. Ao contrário, era acometido de dúvidas. Tanto que confidenciou em carta a um amigo: “Cada linha escrevo com dúvida… Pergunto a mim mesmo: isso está certo? É verdade? Sinto essas coisas assim? Estou exprimindo todo o meu sentimento? Transpiro incerteza em cada palavra”.

Que diferença com a mediocridade reinante, que tem certeza de tudo! Quantas pessoas respondem automaticamente a qualquer indagação: “Com certeza!”. Qual a certeza que existe no mundo e na vida de cada um de nós?

Aqueles que exteriorizam tal certeza só podem estar equivocados, se não forem alienados. Pois a única certeza neste mundo turbulento é a incerteza. Quem pode estar certo de que amanhã continuará vivo?

Somos efêmeros e frágeis. Embora pretensiosos e egoístas. Agimos como se fôssemos durar eternamente e não atentamos para aquilo que merece a nossa atenção.

Relegamos para amanhã aquilo que nos incomoda. Temos a “certeza” de que ainda haverá tempo hábil para a reconciliação, para pedir perdão, para dizer o quão importante uma pessoa é para nós. Talvez não dê tempo. Quem sabe este não é o último dia que nos é propiciado viver?

Ninguém foge ao seu destino, mas o destino é algo que também depende de nossa vontade. Joseph Conrad tinha razão quando observava: “Destino. Meu destino! Coisa engraçada é a vida – misterioso arranjo de lógica implacável para um propósito fútil. O máximo que você pode esperar dela é algum conhecimento de si próprio… que chega tarde demais… uma colheita de inesgotáveis arrependimentos!”.

Não há receita infalível para se viver bem. Enquanto houver tempo, vale a pena tentar viver de forma tal, que não haja o que colher, no canteiro dos remorsos.

Lembremo-nos que tudo dependerá da semeadura e, queiramos ou não, estamos lançando nossas sementes enquanto caminhamos pela vida. Elas germinarão e vão se desenvolver. Temos noção de qual é a colheita que nos espera?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 31/01/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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