Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É uma pena

Deixe um comentário

Mas a “Terra da Uva” agora é a terra dos loteamentos. A expansão imobiliária reduziu drasticamente a área destinada ao cultivo do produto que a imigração italiana difundiu e que tornou Jundiaí internacionalmente conhecida.

Reportagem de Venceslau Borlina Filho, na Folha, narra a decepção de Raphael Sibinel, hoje com 84 anos e que já teve sete hectares de vinhedos. Hoje, cultiva menos de dois hectares, área cercada por condomínios, indústrias e trânsito.

Há algum tempo tive de acionar todos os recursos para alertar a municipalidade que a conversão de um bairro rural em zona de expansão urbana seria nefasta. A cupidez faz com que tudo se transforme em área residencial e muito diferente daquilo que se faz no restante do mundo. Ainda há pouco estive em Fort Lauderdale, fazendo palestra para empresários sobre a Justiça brasileira. Fiquei com inveja da limpeza, da proteção ao ambiente, do respeito ao verde. Aqui, o empreendedor quer aproveitar até o último centímetro quadrado e emenda uma casa à outra, sem árvores, sem jardins, sem a mata que valoriza o empreendimento.

É urgente a revisão da área urbana de Jundiaí, que tende a se converter num dormitório, pois situada estrategicamente entre a capital e a conurbação campineira. O perigo ronda também a Serra do Japi, vendida em todos os lançamentos imobiliários que a ameaçam e chegam a cada dia mais perto.

Até 1981, 80% do território de Jundiaí, que é município pequeno, com 431 km², era zona rural. Hoje atinge 50%, considerada a reserva florestal do Japi. Por isso, é que o número de propriedades rurais caiu 20% nos últimos dez anos. Há somente 1.500 e apenas 10% delas cultivam a uva.

Jundiaí tem obrigação de ampliar a sua cobertura vegetal. De impedir atentados à mata e de incentivar o plantio de novas árvores, pois há bairros inteiros que não se distinguem da massa cinzenta da periferia paulistana.

O maior patrimônio de um município situado a menos de 60 km do maior centro da América Latina é assegurar aos seus moradores a qualidade de vida que as cidades do entorno paulistano já não conseguem oferecer. Esse o nosso tesouro. Que haja sabedoria, prudência e juízo nos responsáveis, para que não nos tornemos uma cidade sem verde, o mesmo que uma cidade sem alma e sem vida.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 04/02/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s