Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Mãe ou saudades?

1 comentário

Há uma tradição conhecida: considerar-se “saudades” a mais bonita palavra em língua portuguesa. Saudades, no plural. Ninguém fala “eu tenho saudade” de você. Mas não há notícia recente de algum concurso para que os brasileiros – ou os habitantes de países lusófonos – indiquem a palavra que melhor exprima a beleza do idioma. A “última flor do Lácio, inculta e bela“. Cada vez mais sepultura e menos esplendor. A educação teima em retroceder e garantir ao Brasil os últimos lugares no ranking das Nações educadas.

A população de língua inglesa fez a sua escolha há alguns anos. Mais exatamente, há onze anos. E o resultado foi “mãe” (mother). Mãe, a palavra mais linda no idioma de Shakespeare. Pai (father) não figurou entre as setenta primeiras. O Conselho Britânico, patrocinador do certame, ficou satisfeito porque a relação dos verbetes citados foi muito positiva. As dez primeiras palavras expressam sentimentos e emoções saudáveis. A segunda, por exemplo, foi paixão (passion) a terceira sorriso (smile), a quarta amor (love), a quinta eternidade (eternity), a sexta fantástico (fantastic), a sétima destino (destiny), a oitava liberdade (freedom) e a nona outra versão do mesmo bem da vida que é o primeiro na ordem constitucional brasileira: liberdade (liberty). Já o décimo lugar coube a tranquilidade (tranquillity).

Se continuarmos, verificaremos que o lado bom prevaleceu na seleção. Paz está em décimo primeiro (peace), brilho do sol em décimo terceiro (sunshine) e esperança em décimo oitavo (hope). É claro que uma pesquisa como essa tem algumas curiosidades. Surgiram palavras como “aqua“, expressão em latim para água (water) e “oi” (hi). E também frutas como abóbora (pumpkin), banana e coco (coconut). Animais como borboleta (butterfly), abelha (bumblebee) e canguru (kangaroo), além de hipopótamo (hippopotamus). Essas consultas servem para identificar qual a primeira ideia que surge na consciência do entrevistado. “Mãe” é o primeiro apelo, o primeiro socorro, a primeira lembrança no perigo. Ter mãe é o maior privilégio, não ter mãe, a maior desgraça.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 11/02/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Mãe ou saudades?

  1. Caro amigo, escrevo entre lágrimas, literalmente, que deixei cairem no comentário soberbo que fez sobre a mãe, as nossas mães. Que bela sugestão temos na pesquisa que poderia muito bem ser realizada cá entre nós. Por que não nas escolas?

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