Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A miséria é indestrutível

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Na peça teatral “A Vida de Galileu”, escrita por Bertold Brecht em 1939, durante seu exílio na Dinamarca, há frases muito atuais e que nos fazem pensar sobre o verdadeiro papel da ciência.

Em sua obra “Discursos sobre Duas Novas Ciências”, pretendeu libertar a sociedade do jugo do preconceito e da tirania ideológica. A receita: recobrar valores fundamentais como imparcialidade, autonomia, neutralidade e coragem.

A segunda nova ciência tem uma finalidade humanística e transformadora. Daí as frases utilizadas por Brecht no teatro: “A miséria de muitos é velha como as montanhas, e, segundo os púlpitos e as cátedras, ela é indestrutível, como as montanhas”.

Houve tempo em que se pretendia manter a pobreza conformada, mediante estrita interpretação de textos bíblicos. Sempre haverá pobres. Mas essa hermenêutica não prevaleceu. Predomina a concepção de que “o céu pode começar na Terra”.

Se for possível reduzir a miséria, é dever do cristão contribuir para isso.
A opção preferencial pelos pobres foi a resposta a essa tendência reducionista de manter a pobreza aquietada, à espera de que seu sofrimento edifique palácios na eternidade.

A frase de Galileu, lida por Brecht, admitiria outras versões. Até porque as montanhas já não são indestrutíveis.

Quantas delas não desapareceram, resultado da ação humana – quase sempre criminosa – em busca de lucro crescente, na especulação imobiliária que não respeita a natureza?

Mas há duas outras frases na mesma peça que nos induzem a refletir sobre nossa atuação neste turbulento início de novo século e novo milênio da Cristandade.

Uma delas diz: “Seremos ainda cientistas se nos desligarmos da multidão?”.
A ciência não pode ser neutra. Ela existe para facilitar a vida dos homens. Não se discute aqui se tudo o que é possível em termos científicos é também ético.

Mas o progresso das ciências e do conhecimento deve produzir o bem-estar da humanidade. E isso Galileu já identificara. A derradeira frase é: “Eu sustento que a única finalidade da ciência seja aliviar a canseira da existência humana”.

Quem pode duvidar do acerto de seu asserto?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 21/02/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “A miséria é indestrutível

  1. Quase sei o que é miséria, naquela época a maioria do povo morava na zona rural, e meus pais eram analfabetos, mas muito trabalhadores, eram lavradores, aqueles que viviam da terra pela terra, meu pai deixou sua propriedade em Minas Gerais, um sitio né, para ser colono, de terras em São Paulo-SP. também, naquela época nem existia violência, palavra era um fio de bigode ! Meu pai Morreu com quase cem anos, posso dizer que minha educação foi do século passado !!

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