Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A mão na consciência

5 Comentários

O notável pensador que é José Pastore proferiu conferência na Academia Paulista de Letras que deveria ser replicada em todo o Brasil. Simplesmente traduziu a situação político-econômica desta Nação em linguagem franca e honesta. Dos 5 trilhões de reais do PIB brasileiro, 3 são reservados ao pagamento dos juros. Sobram 2 trilhões e as despesas são muito maiores do que isso. O Brasil deveria crescer 6% acima da inflação anual. O pior é que não cresce. Este ano o crescimento é negativo. Para compensar o déficit, dois remédios amargos: aumentar impostos e cortar gastos. O brasileiro não gosta de nenhum dos dois.

E cortar o que? Se os juros forem cortados, a inflação cresce e quem sofre mais é o pobre. Nas chamadas “despesas obrigatórias” o maior desequilíbrio das finanças nacionais. O que faz alguém quando tem recursos escasseando e despesas crescentes? Corta na carne. Essa a experiência doméstica pela qual muitos já passaram na sua vida pessoal. Em termos de República Federativa, o que fazer? Repensar o pacto e repactuá-lo. Não é fácil administrar um Estado cujos alicerces normativos, ou seja, a Constituição Cidadã de 1988, fala 76 vezes em direitos, 4 vezes em deveres, 2 vezes em produtividade e uma só vez em eficiência.

Um ponto a ser discutido: se a expectativa de vida do brasileiro, graças à ciência e à educação, no seu enfoque preventivo, alcança o patamar dos 75 anos, por que permitir que haja aposentadorias aos 55? Por que aposentadoria especial para quem vive mais? Por que pagar proventos a quem nunca contribuiu com o sistema? O sistema previdenciário está falido. O aporte para sustentá-lo vem do Tesouro, pois as contribuições não suportam o déficit de 164 bilhões em 2015, previstos 210 bilhões para este ano. José Pastore não discute a legalidade ou a legitimidade dos direitos adquiridos, mas apenas constata a inviabilidade de preservação de um formato que, aritmeticamente, não consegue fechar as contas. O que fazer diante disso? Ponhamos a mão na consciência e auxiliemos o Brasil com propostas concretas de enfrentamento da gravíssima crise em que todos nos encontramos.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 25/02/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “A mão na consciência

  1. Matéria delicada. Todos os brasileiros, sem exceçao, são corruptos e fraudadores, inclusive aquele sem teto os moradores de rua, por exemplo, voce que reside debaixo da ponte compra 2 paes, 50 gr de mortadela, 50gr musssarela, um litro de leite e vai ao caixa e resgata a negociaçao feita, e, daí? pergunto voce pegou a nota fiscal? não? não acredito! pronto! temos aí um corrupto e fraudador outro exemplo, voce com o seu fusca ou melhor com o seu golf 2.0 ganha a imigrantes e o guarda de transito ti fraga no radar a 137 km/hrs, sem cinto segurança, pneu uma bosta, fez ultrapassagem em linhas paralelas continuas e o guarda ti para e diz: Cidadão a sua multa passa de mil reais e vou lhe canetar….rsrsrs…..mas voce percebe alguma coisa no guarda de transito e diz meu amigo to indo para BH/MG e dá aquela gaitada dizendo que voce está com a sua mae vai e vai para o beleleu (morrer) e complementa seu guarda pelo amor de Deus dá uma manerada que vai chover aqui hoje e o guarda percebe o namoro e diz cidadão esta chuva vai ser sereno, chuva mesmo ou tempestade e voce arremata dizendo seu guarda a coisa tá feia o sereno nao vamos ter mas uma chuva sim logo entrega a habilitaçao com uma notinha de R$50,00 e o guarda diz pôoooohhhh cidadão só isso? devolve a CNH e diz boa viagem….pergunto agora: tem brasileiro honesto no Estado Brasileiro? e vou melhorar a pergunta: quando um de nós ingressarmos na Presidencia da Republica, no Senado, na Camara como vai comportar um cidadão assim com esses costumes? Delicado né?…abraço

  2. Valeram muito essas ponderações. Parabéns.

    • Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis.
      Maquiavel

      O politico deve sempre mentir para o povo, claro!
      Vamos estudar politica? eu disse estudar!

  3. Em tempos em que uma sombra de problemas assolam a sociedade com uma “CriSe” , prefiro remover o “S” desta palavra e a apresentar o “Crie”; Crie formas de não se deixar acomodar; Crie recursos para melhorar sua qualidade de vida e a de todos; Crie e recrie a si próprio. Não tenho propostas, mas sei que é preciso haver mudanças, então vou começar fazê-las em mim mesmo. criando em mim as mudanças que quero ver na sociedade e nos seus dirigentes. Nas lutas da vida para me tornar um cidadão do mundo, as lamentações não me ajudam a ser uma pessoa melhor e nem a quem está a minha volta. Vejo que é preciso sempre ter comigo a revisão do meu dia para que me sinta motivado a seguir em frente entendo que sou um ser falível também, mas sou persistente, então vivencio esta crise com minha parcela de culpa, tomando isso como lição dentro de uma aprendizado constante, e não permitindo que minhas frustrações e desencantos sejam maiores ou que venham a ferir minha vontade de trabalhar pela mudança . Mediante o que chamamos “Crise” não vejo outra forma de superá-la senão for pela educação que começa em casa e nas instituições, onde quem processa e se beneficia deste recurso e as coloca em sua vivência diária, sempre estará tendo decisões mais assertivas e trabalhará a sua consciência voltada para o bem comum. Como vamos fazer tudo isso? A resposta já está em você só basta por em pratica.

  4. Cortar gastos. Coloque piso de 3.000 e teto de 15.000 para todos os funcionários públicos. Reduza as horas de trabalho, invista em locais de lazer. Gratuidade só para quem precisa, isso sim é distribuição de renda. Invista em sustabilidade, autossuficiência, nada de esbanjar, de festinhas para egos, nada de terninhos, para que em um país tropical como este? Precisamos de mais tempo, mais amizade, mais amor… dinheiro trouxe o quê? Miséria – um tipo de metáfora absurda e ignorante!

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