Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Não somos só nós

5 Comentários

A educação é o que de mais importante existe para ocupar todas as pessoas lúcidas. Não por acaso, a Constituição da República declara que ela é responsabilidade do Estado e da sociedade. Ninguém está dispensado de participar de seus rumos e de contribuir para aprimorá-la.

Embora estejamos num ranking extremamente frágil no confronto com outros países, não somos só nós, brasileiros, que temos nosso calcanhar de Aquiles. A nação mais poderosa do planeta, os Estados Unidos da América, há alguns anos, apuraram que os fundamentos educacionais de sua sociedade estavam sendo erodidos por uma crescente mediocridade que ameaçava o seu futuro como Nação e como povo.

Os danos eram tão intensos e tão extensivos que a nação estava em severa desvantagem no mundo do mercado. País símbolo do capitalismo, a preocupação era maior porque a deficiência educacional poderia limitar o futuro da economia e da produtividade americana.

A diferença entre Estados Unidos e Brasil é que lá existe uma consciência que sensibiliza todas as pessoas, instituições, entidades e grupos. Aqui, na terra do “Estado-Babá“, a responsabilidade é toda do governo. Lá, todas as lideranças juntaram forças para articular uma nova agenda para a educação pública. Algo que já construiu consenso foi o entendimento de que as relações entre as escolas e a força de trabalho é fundamental. A escola tem obrigação de preparar os estudantes para o mundo do trabalho.

E o mundo do trabalho nunca foi tão variado, multiforme e desafiador. Infelizmente, o Brasil não leva muito a sério a técnica e ainda raciocina em termos de “doutor”. Daí a inundação de bacharéis em direito, ávidos todos por vencer na vida a disputar um concurso para carreira jurídica ou para inflar o Judiciário de processos inócuos e que não deixam a Justiça funcionar.

Nos Estados Unidos, acreditou-se que a educação é a fórmula de inclusão social, não a concessão de benefícios materiais, bolsas e outros auxílios que só constroem dependência. Um currículo comum para crianças de todas as situações sociais e econômicas é a receita para a edificação de uma pátria solidária. Está demorando para que essa consciência chegue também aqui.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 28/02/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “Não somos só nós

  1. Realmente, “A educação é o que de mais importante existe para ocupar todas as pessoas lúcidas.” Parabéns Secretário.

  2. Um país que trata a educação como custo ao invés de investimento, inviabiliza qualquer forma de contemplarmos um futuro com cidadãos dispostos a construir uma nação que trabalhe e vivencie a integração de todos suprimindo as desigualdades sociais em cada esfera de atuação.
    Vejo que ao nos compararmos a outras nações que apresentam um resultado melhor, ainda nos falta muito a assimilar por causa do excesso de comodismo e a propaganda de conquistas fáceis que ocasionaram mais cedo ou mais tarde em graves problemas social, e assim sem atitude de mudança, caminhamos a cada dia sobre lamentações e criticas sobre um sistema que somos os próprios autores e mesmo tempo vitimas por nos negarmos a procurar a usar o recurso da educação que é a resposta para tudo que é preciso para a formação de qualquer ser humano. Encontremos a lucidez para determinarmos nossas ações usando a educação, e em cima disso faço menção as palavras da filósofa alemã Hannah Arendt (uma das mais influentes do século XX) “A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele”.

  3. Sr Secretário, o senhor está falando de educação? Me desculpe mas temos que olhar adiante, falar só não basta.
    No Brasil o senhor pode me falar o que é feito pela inclusão? Vou reformular a pergunta. Em São Paulo onde o senhor é secretário da educação, tem acompanhado o trabalho de inclusão? O senhor acredita mesmo que existe a inclusão?
    O município tem que oferecer e oferece estagiários para dar apoio em.sala com criança com deficiência, ja o Estado não!
    O senhor sabe que hoje nas escolas estaduais uma criança com deficiência fica na paisagem dentro da sala de aula ? Ele não tem quem trabalhe com ele, a única coisa q o estado fornece é um cuidador p medicação, banheiro e alimentação, isso ta bom p senhor? Sabe a luta de nós país?
    Pois é secretário como podemos falar em.educação com tanta falta e falhas?
    Passar bem !

  4. Falamos tanto em investimento na educaçao, incentivo aos nossos jovens na busca de um projeto de vida e quando nos deparamos com o resultado de um filho aprovado em medicina na Puc Sp uma das mais conceituadas do pais, nos damos conta de que Patria Educadora é somente um slogan nesse pais com o único objetivo de gerar votos.Não vejo politicas de incentivo para jovens que querem estudar e contribuir pra um país mais honesto.Universidades Particulares que só vislumbram lucro e pais como eu com poder de investimento cada vez menor.Politicos, olhem verdadeiramente para os jovens desse pais. Desbanquem o comercio das Universidades privadas e promovam politicas publicas que atendam as reais necessidades de formação dos nossos jovens.

  5. Concordo com suas ponderações Senhor Secretário e aproveitando de sua tese tecida sobre a comparação do Sistema de Ensino Brasileiro com o Sistema Estadunidense, recomendo a leitura do livro “A reforma educacional de Nova York – possibilidades para o Brasil” Se puder, e se for de interesse, pondere sobre os resultados lá observados e faça um paralelo sobre as atuais políticas de meritocracia da rede paulista, que ao meu ver aumentam abismos entre docentes e escolas, entre o centro e a periferia e entre escolas “prioritárias” e escolas do programa de ensino integral… Nos cabe uma nova reforma, com a devida justiça e equidade, seja para alunos, docentes, servidores e cidadãos do país que ser constrói e reconstrói!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s