Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A morte é minha amiga

2 Comentários

A afirmação é de Nina Maluf, especialista em preparar cadáveres para cerimônias fúnebres. É responsável por uma escola, chamada Tanathology.
Ali ela faz cursos para quem precisa lidar com os aspectos imprescindíveis ao após-morte.

Ensina como realizar o primeiro contato com a família do morto, o preparo do corpo, a necromaquiagem, a reconstrução da face e a tanatopraxia, processo de conservação do corpo para velório e traslado. Sua função preferida é a reconstrução facial. Reconstituir a face destruída, para que a família possa abrir o caixão e, assim, realizar os ritos funerários. Sem luto, não se absorve a realidade da morte.

Nina tem quatro filhos e o assunto em sua casa é morte. A filha de seis anos todos os dias pergunta: – “Mãe, quantos corpos você fez hoje?”. O mais velho tem treze e a mãe aproveita os casos concretos para mostrar a ele os perigos da overdose ou do alcoolismo. O caçula de três anos brinca de enterro. Os irmãos no chão, ele os sepulta com travesseiros.

Ela procura mostrar a morte como algo normal, inerente à vida. Critica o preconceito contra a morte, que inclusive mente às crianças, evita mostrar os avós mortos para os netos, tergiversa-se falando em viagem e não se explica o súbito desaparecimento de pessoas queridas que, de repente, somem e não voltam mais!

A morte é algo que faz parte de nossa existência. A mais democrática das ocorrências. Não perdoa ninguém. Todos temos um encontro inevitável com ela. Foi o que procurei dizer no meu livro “Pronto Para Partir?”, que são reflexões jurídico-filosóficas sobre a morte.

A professora Nina Maluf encara com naturalidade o seu mister. Procura ensinar as pessoas a serem humanas diante dessa inevitável circunstância. Os familiares do morto estão fragilizados. Precisam encontrar quem os atenda com comiseração, com caridade e carinho.

Ela sabe que tentar recuperar o corpo de uma criança é devastador. Diz que criança saudável só morre por irresponsabilidade de adulto. Mas elas continuam morrendo. Assim como todas as pessoas, de todas as idades, de todos os níveis.
Por isso é que o setor é atraente: todos continuam a morrer, sem escolha. O mercado só tem crescido. E quem nele trabalha com amor, pode até terminar por dizer que a morte é sua amiga!

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 04/03/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “A morte é minha amiga

  1. Xará gostei do tema acerca da morte.
    Zé Nalini vamos esbarrar na orla do futuro?
    Uai para esbarrar na orla, isto, se faz apenas com as nossas açoes no presente ou melhor cada um de nós pode construir o seu futuro, o futuro está sempre por aí apenas fora do nosso alcance consciente.
    Xará a certeza unica do futuro é a morte, portanto, a morte é a regra. Pode-se admitir a exceçao: a exceçao é a vida…….rsrsrsrs,í é!
    Por derradeiro, senhor Secretário, todos temem a morte mas ela é a regra…..rsrsrs….e este medo conduz cada humano a buscar uma religiao, observe: como refugio.
    Acerca dos valores humanos atribuidos ao Suplemo (Deus), como: onipotencia, onipresença, onisciencia e Misericordiosidade este mesmo Suplemo terá que salvar todos os humanos inclusive Hitler que matou perto de 50 milhoes de pessoas entre crianças, jovens, adultos, idosos, e, dentre outros algozes, uai xará se ele nao salvar seus proprios atributos serao truncados inclusive os humanos serão tambem truncados
    Evidentemente, que cada ente acima mereçe um assento individual, mas eu quis fazer deste jeitão…
    Abraço fraternal ao senhor e estamos sempre livres para articularidades sobre qualquer assunto.

  2. prezado Renato, quantos anos!!!! imortal, desembargador…que orgulho para Dona Benedita…com certeza você não se lembra de mim, a filha da Dora, onde sua mãe fazia lindos penteados….crescemos na mesma rua, praticamente, famílias próximas e a simpatia doce de sua mãe….sei lá, apenas gostaria de pedir que o seu lado professor fosse o condutor das decisões, afinal, todo mundo sabe das dificuldades de um professor, estou esperando receber o “gatilho” há 25 anos…o bônus…ah, você não imagina o trabalho dos colegas para ensinar…mas, tenho fé que saberás ser justo, sucesso e sabedoria….precisamos…. que Deus te proteja e ilumine….

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