Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A verdade

3 Comentários

Uma lição que aprendi criança e da qual procurei nunca me esquecer propõe que a verdade seja a única versão com a qual se trabalha. Na vida familiar, no convívio social, no trabalho, em todas as atividades e em todas as situações. Tenho me comprometido a honrar o compromisso pessoal com a verdade, não por virtude, da qual sou carente, mas por acreditar que isso acarreta menos problemas do que mentir, tergiversar, disfarçar ou procurar encobrir aquilo que às vezes é evidente.

A verdade é segura, forte e tranquila. Não engana, não ilude, não deixa quem a falseou no desconforto e na apreensão temerosa de vir a ser descoberto. Isso vale para todas as ocasiões em que somos chamados a enfrentar o dilema: falar a verdade ou mentir.

Há quem sustente que mentiras inocentes não constituam grande mal. Há mentiras “caridosas”.

A verdade magoaria. Porém, ainda estas, hão de ser evitadas. Como ensinar ao ser educando que ele não pode mentir, se a verdade é sempre falseada por seus pais ou responsáveis?

Há outras conveniências no uso contínuo da verdade. Ela coincidirá com uma única e exclusiva versão. Não precisará ser confrontada, nem reformulada a cada narrativa. Mentir dá trabalho. Quem mentiu nem sempre conseguirá se lembrar da sua mentira. Por isso, até por comodismo, é melhor sempre escolher a verdade.

O que é a verdade? Já se perguntou isso na História, a sugerir que cada qual pode ter a sua verdade. Dizem que a verdade é poliédrica, tem inúmeras faces. Célebre a narrativa dos cinco cegos a descrever o elefante.

Mas verdade mesmo, é uma só. Ela deve ser o objetivo de todas as pessoas sérias. E de todas as instituições.

No mundo ético, a verdade prevalecerá como esplendorosa realidade, singela e radiante, como o imortal ROBERTO SIMONSEN explicitou com rara felicidade, ao discursar no Instituto de Engenharia de São Paulo, em fevereiro de 1933: “Ação e verdade! Desvirtuem-na como quiserem, mas a ação mantida em continuidade, orientada e com fé, sempre há de produzir algum fruto. Deturpem os maus a Verdade; algum dia, porém, as nuvens que a toldarem se dissiparão e Ela ressurgirá, brilhante como um grande sol, esplêndida como as pujantes manifestações da natureza, invencível como o Verbo Divino a consagrou!

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 06/03/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “A verdade

  1. Parabéns Secretário pelas judiciosas considerações.
    Tales Castelo Branco

  2. Parabéns, Dr. Nalini!

  3. Quando se trata dos objetos diretos da nossa observação, a verdade não torna-se problema. Mas quando trata-se dos objetos indiretos, aí a coisa muda, pois vislumbrar a verdade exige rigor e radicalidade de uma boa Filosofia. Com um bom método podemos nos aproximar mais da “verdade”, porém será inacabada pela dificuldade em estabelecer a objetividade dos observadores. Então, parece-me que uma verdade idealista não constitui numa verdade.

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