Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A lucidez de Delfim

1 comentário

Delfim Netto foi um dos homens mais importantes do Brasil. Ministro da Fazenda e do Planejamento, nunca mais deixou de ser ouvido em inúmeros espaços desta República. É consultado por autoridades e sua voz autorizada é sempre instigante.

Entrevistado por Maurício Duarte, para a Revista “Administrador”, de janeiro de 2016, mostrou, além de sua lucidez, o humor irônico das respostas. Indagado sobre o que esperar de 2016, foi direto: “A capacidade de previsão dos economistas é muito pequena. Eles não conseguem prever a semana que vem e tentam prever um ano inteiro”.

Vaticina aquilo que de fato aconteceu: “com 3,8 de queda (do PIB) no ano de 2015, já teria 1,9 de queda em 2016 por um efeito estatístico”. Entende ser inviável dissociar a economia da política. Isso é impossível em qualquer caso.
No momento, não há previsão alguma de as coisas melhorarem. Por sinal que o declínio da China pode agravar a crise brasileira.

Natural, pois “o Brasil é parte do mundo, logo ele tem o bônus e o ônus de estar no mundo… As melhores estimativas são de que uma queda de 1% no mundo desenvolvido produz uma queda de 0,3% no mundo emergente”. Mas, para Delfim Netto, “…não é ela que vai fazer diferença. Nosso problema não é externo, e sim interno. Nosso problema foi uma destruição do equilíbrio fiscal produzido em 2014 para que houvesse a reeleição. É uma ilusão pensar que o governo não sabia o que estava fazendo. Basta ver os documentos discutidos internamente ainda em 2012, e agora já publicados. Não foi um acidente: 2014 foi o ano em que o governo cometeu todos os erros apenas para continuar governo”.

Quanto ao pessimismo que acomete a população, continua firme e direto: “o mercado é o maior produtor de confusão. A ideia de que o mercado sabe alguma coisa é um equívoco. Pega tudo o que o mercado disse que ia acontecer em 2014. Aconteceu tudo ao contrário. O mercado só sabe o que já aconteceu”.

Todavia, mantém o otimismo. Quando Maurício Duarte pergunta se devemos nos assustar com o momento atual, responde: “Não me assusta porque nós não temos competência para acabar com o Brasil. Precisaria de gente muito mais competente”.
Deus o ouça, ministro Delfim Netto!

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 10/03/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “A lucidez de Delfim

  1. Caro Remato , a hora de virarmos a mesa chegou , Abaixo este governo incompetente e corrupto Vamos iniciar a nossa consertacao como fizeram a Espanha e Chile Todosas ruas

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