Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Bons modos, por favor!

1 comentário

Lembrou-me o Professor CELSO LAFER de que um personagem insuspeito, FIDEL CASTRO, afirmou em relação à polidez. “Os bons modos não são uma conquista da burguesia, mas da civilização“. Significa isso que, a cada vez que não se age com bons modos, desce-se um degrau na escala civilizacional.

É urgente levar essa mensagem a todos os foros e a todas as instâncias. O desaparecimento do “currículo oculto“, que as mães desenvolviam logo à primeira infância, gerou um procedimento incompatível com a sofisticação das exigências formuladas pelos reivindicantes.

A “era dos direitos” prodigalizou as pretensões. Todos têm direito a tudo. Direito fundamental e logo direito adquirido, pois na República em que o número de Faculdades de Direito supera a soma de todas as demais Escolas de Direito existentes no restante do mundo, sempre haverá alguém capaz de formular um desejo de acordo com as regras procedimentais e de obter o “defiro” da autoridade judicial.

Todavia, nada justifica a agressividade, o acinte, a elevação da voz, a utilização de palavras chulas. Isso empobrece a discussão, que precisa transcorrer no mesmo nível. Encerra o diálogo, que não pode ser estabelecido se um grupo fala, às vezes desordenadamente e todos ao mesmo tempo, sem condições de resposta.

Há regras para o diálogo. A primeira delas é o respeito recíproco. Respeito que Voltaire já celebrizou: “Não concordo com uma palavra que você diz. Mas defenderei até à morte a sua liberdade para dizê-la“.

O momento brasileiro é delicado. Descemos ao fundo do poço e nos surpreendemos porque ali não há fundo tangível, mas um labirinto de indefinições. À perplexidade sucede a intensificação do desalento. O que fazer, quando os caminhos são ásperos, as opções amargas, o futuro melancólico?

Exatamente por isso é que as criaturas dotadas de racionalidade precisam se conscientizar de que ouvir é uma virtude e que berrar pode ser uma catarse, mas a nada conduz.

Bons modos, por favor! Por sinal, “por favor” é uma dessas mágicas expressões que, ao lado de “muito obrigado“, “com licença“, “perdão” e outras análogas, fazem falta no diálogo onipresente no discurso e esquecido na prática.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 17/03/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Bons modos, por favor!

  1. Secretário, bons modos fazem bem até para a nossa saúde. Parabéns pelo belíssimo artigo.

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