Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O Brasil de sempre

1 comentário

O que é que o Brasil espera que aconteça este ano? Ou, melhor dizendo, o que deveria acontecer com o nosso Brasil? Acontecer é um verbo intransitivo, não precisa de sujeito. E aquilo de que o Brasil precisa não pode prescindir de protagonismo. De sujeito com vontade. Haverá quem assuma o risco e faça acontecer?

Não é a primeira vez em que nos encontramos numa encruzilhada. Leiamos um texto sem o datarmos na História: “A análise desapaixonada e honesta de nossa história político-social revela, sem dúvida, a cada passo, esforços sinceros para reorganização da vida do país. Em todos os ramos de atividade, múltiplas são as tentativas e concepções tendentes a melhorar nossas condições de existência. Mas não se pode negar que tem sido pouco animador o resultado. A todo esforço seguem-se geralmente fracassos e decepções. E sempre continuamos no mesmo ambiente de hesitações, experiências e desequilíbrio.
É evidente que esse estado de coisas, não obstante a ilusão de alguns sonhadores de panaceias, não deriva de um fator único, suscetível de exame e solução tranquilizadora. Vários e diferentes são os fatores, cada qual de maior ou menor efeito corrosivo. Dentre eles, entretanto, destaca-se naturalmente, por seu caráter básico, a falta de uma elite numerosa e organizada, instruída sob métodos científicos, ao par das instituições e conquistas do mundo civilizado, capaz de compreender, antes de agir, o meio social em que vivemos.
Está na consciência de todos essa grande falta. …O povo sente-se mais ou menos às tontas e vacilante. Quer agir, tem vontade de promover algo de útil, cogita de uma renovação benéfica, mas não encontra a mola central de uma elite harmoniosa, que lhe inspire confiança, que lhe ensine passos firmes e seguros.
Esse mal não pode ser remediado às pressas, nem admite paliativos desalentadores. Urge encará-lo de frente, com pensamento mais para o futuro do que para o passado”. Essa verdadeira conclamação à ação foi escrita por Roberto Simonsen e constou do discurso oficial de fundação da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, a 27.5.1933.

Qualquer semelhança com a realidade presente apenas comprova que a História se repete e quem não presta atenção a ela permanece desavisado e não sabe como agir em situação análoga.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 18/03/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “O Brasil de sempre

  1. Secretário, como sempre reflexivo. Parabéns.

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