Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Chame os universitários

2 Comentários

A universidade brasileira se alicerça em três eixos: ensino, pesquisa e extensão. Do ensino, bem ou mal, damos conta. Da pesquisa, nem tanto. Mas na extensão é um fiasco. O que é que a maioria das universidades faz para transformar a sociedade enquanto conjunto de alunos?

É claro que uma universidade, lugar onde se busca o conhecimento com plena liberdade, ao diplomar profissionais colabora para o aperfeiçoamento do convívio. Mas os alunos têm de começar a influenciar o meio social ainda enquanto alunos.

Há inúmeras modalidades de atuação do universitário para cumprir a missão que ele tem quanto ao pilar da extensão. Uma delas é atuar junto à escola pública. Nada obstante o empenho dos responsáveis pelo ensino público, é preciso muito mais força, intensidade e garra para fazer o Brasil chegar aos índices dos Países mais adiantados.

Um universitário que frequentar uma escola pública pode fazer a diferença no aprendizado do estudante do ensino fundamental ou médio. Talvez o auxiliando nas deficiências, com o reforço que não virá de um professor com o qual ele ainda não apreendeu tudo o que teria de aprender. Mas com um jovem com menor diferença etária, linguagem coloquial, outra qualidade de relacionamento.

Enquanto isso, o universitário treinará para aprender o que é ensinar. Conhecerá outra realidade. Poderá se entusiasmar com o magistério, que deveria ser a mais nobre dentre as profissões. O professor é aquele que transforma a vida do discípulo. É quem faz a criança ou o jovem enxergar mais longe. Descobrir-se como pessoa. Detectar suas potencialidades e explorá-las até atingir a plenitude possível.

São Paulo tem, na rede pública, uma boa experiência que é a chamada “Escola da Família”. Manter a escola aberta aos sábados e domingos e propiciar um espaço de convivência entre famílias, mestres, alunos, comunidade. Ambiente muito agregador e aconchegante. Ganharia bastante se viesse a contar também com a presença de universitários. A sociedade mostraria que é possível edificar a harmonia, a paz, a fraternidade, além de acrescentar experiência ao aprendizado. Universitário, você está sendo chamado a frequentar a Escola da Família. Anime-se. Só ganhará com isso.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 14/04/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Chame os universitários

  1. Excelente. Valeu, Secretário.

  2. O MEU TESTEMUNHO
    Sempre estudei em escola particular então sou enquadrado como um “privilegiado”. Negativo. Os que estudaram em escolas públicas são enquadrados como desprivilegiados: Negativo. No meu ponto de vista, primeiro são as iniciativas que ocorrem protagonizadas individualmente que nos marcam desde a infância, criança e adolescência até adentrar à uma Faculdade. A vontade de ser professor, no meu caso, sempre foi parcialmente um sonho, há exemplo de minha mãe que foi professora na UFPB entre 1978 – 1985. Via o entusiasmo dela. E ela exercia seu magistério com prazer. Notava-se. Meu pai, médico, achei a carreira difícil. Acabei optando do meu avô, pai de minha mãe, que exerceu grande influencia em minha educação. Virei, então, bacharel em direito. O maior testemunho que poderia contribuir com os desafios de nossa educação estadual, municipal, e, federal, é saber fazer muito com pouco. Alguém há de fechar os olhos para as carências dos momentos? A resposta: criatividade. O que mais me chamou atenção em sua exposição, Secretário, é a proposta de aproximação dos jovens, reduzindo a idade de quem ensina com quem aprende. É uma proposta. Mas a melhor qualidade que conheço do juiz, agora secretário, é sua capacidade de diálogo, o que seu antecessor parece que falhou nisso. E, mais que nunca, esqueça-se a hierarquia, conversar de igual para igual com aluno e professor. A capacidade de ouvir deste secretário é muito superior ao de seu antecessor. Mas é necessário mais. Todos os lados passamos em um momento difícil. Precisamos, como disse acima, usar de toda a nossa experiência, de superar impasse. Mas não posso dizer ou repetir o que o secretário disse em outro artigo. É preciso estar atento: se a educação, a saúde e a segurança é um dever garantido pelo estado, ainda assim, sendo um dever, isso não isenta nem professores, alunos e famílias de se acomodarem na ausência do dever daquele, mas deixar tudo por culta do estado e se acomodarem como vítimas eternas deste sistema falido é o sempre do mesmo. Se há desejo de mudança e se esse desejo de mudança contém nele em si, na sua origem avançar para soluções novas, todos, sem exceção, as famílias, os alunos e as escolas são os verdadeiros planejadores, os verdadeiros donos do poder e vontade de mudar.

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