Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A espiral da morte

2 Comentários

Claudio Angelo é jornalista e durante 15 anos fez cinco viagens às regiões polares. Tudo o que viu tornou-o comprometido com o futuro do planeta, que estamos maltratando e que irá se vingar em nossos netos.

O nome do livro que escreveu é autoexplicativo: “A espiral da morte”. Não é catastrofismo, porém relato sóbrio, tranquilo e até bem humorado, sobre o que ocorre na Terra, em virtude do aquecimento global. Bilhões de toneladas de gelo acumulado ao longo de milênios derretem nos extremos do planeta.

Claudio chegou a ouvir o ruído de cachoeiras no derretimento das geleiras e tem certeza de que porções imensas de gelo despencarão no mar. O resultado é que o nível dos oceanos vai subir alguns metros. Em outros lugares, tufões e furacões serão ainda mais frequentes. Epidemias causadas por insetos não serão raras.

Por que é que não nos preocupamos com isso? Estamos ocupados a cuidar de nossa vidinha, da subsistência, das encrencas diuturnas do convívio. Não temos tempo de pensar no futuro. Continuamos a produzir resíduo sólido – eufemismo para o lixo – a desmatar, a construir, a asfaltar.

Quem é que se preocupou com a recomposição da mata ciliar? Será preciso outra crise hídrica, ainda mais grave, para nos convencer de que o remédio é reparar o mal que a humanidade causou ao seu habitat?

São Paulo é um exemplo nítido da insensatez humana. Centenas de córregos enterrados para dar lugar à passagem de automóveis. Três grandes rios pútridos, malcheirosos e mortos. Transportam esgoto e fazem um roteiro devastador por muitos quilômetros. Generosa, a natureza se recompõe mesmo assim. Mas a água aparentemente límpida, a mais de cem quilômetros da capital, não pode ainda ser consumida pelos humanos.

Onde estão os parques, as árvores, a recuperação dos cursos d‘água que sepultamos? Onde está a redução do transporte viabilizado por combustível fóssil que é veneno mortal? Onde a devolução da vegetação devastada à superfície que já foi exuberante e bela?

De inconsequência à inconsciência, de descaso à lassidão, do desinteresse ao acinte, vamos prosseguindo na sanha assassina. Depois achamos exagerado o título de um livro que se chama “A espiral da morte“. Nós a produzimos, nós permanecemos nela.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 21/04/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “A espiral da morte

  1. Sobre a preservação do meio ambiente não tenho duvidas acerca de necessidade da conscientização do ser humano como sendo um componente transformador de seu meio, embora seja dele dependente… Entretanto creio sempre no liberalismo para certas pretensões que hoje nos parece impossíveis, como por exemplo a revitalização do Rio Tiete e Pinheiros.
    Nos últimos anos vimos o desespero de um eventual racionamento e falta d´agua, porém desta necessidade ressuscitaram velhas ideias que geram empregos e giram a economia, como as empresas de dessalinização e de purificação da agua.
    Neste aspecto parece ser mesmo um absurdo que nesta era dependamos de uma oferta de agua para sobreviver, e se existir uma ultima chance aos rios esgotões de São Paulo, esta virá de empreendimentos privados.

  2. Não é só a questão da “Espiral da Morte” que nos aflige! São os hospitais e escolas não criados, ou abandonados na metade das obra; Vejam no viaduto que caiu lá em Belo Horizonte, no ano da Copa do Mundo. Que vergonha. Erro no projeto? Erro na Execução? Um modelo licitatório errado? Sobram culpas para todo mundo e abundância de vergonha para todos. Agora, recentemente, uma parte de uma ciclo via vai pros ares. Erro de projeto, erro de planejamento, erro de execução. Um país que não é capaz de fazer uma ciclovia não merece a menor confiança em capacidade de fazer canalização de córregos e tratamento da água desse esgoto; investir cada vez mais na capitalização das águas da chuva muita mais em abundância nas cidades, em grandes reservatórios.
    A revitalização do Rio Tietê e Pinheiros parece mais com aquelas causas criminais de grande mistério e que nunca foram desvendadas, reveladas, descobertas. Os grandes mistérios da história da humanidade: Por que Hitler, quando sitiou Moscou, desistiu de toma-la e mandou toda a tropa alemã recuar? A tentação de Cristo e Maria Madalena? Será mesmo que Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de automóvel? E o inquérito que sumiu em relação ao tiro no pé no jornalista Carlos Lacerda? Será que Getúlio suicidou-se mesmo? O que faz uma obra como a canalização do São Francisco demorar tanto tempo? E aquela refinaria de Pernambuco que nunca termina e fica cada vez mais cara?
    O rio Sena, na França, foi revitalizado há décadas, assim com o rio Tâmisa, em Londres, mas nós, no Brasil inteiro, não só no Estado de São Paulo vivemos sob a égide do mundo dos mistérios, Florestas que não se revitalizam, reservatórios de minérios, como a tragédia na cidades de Mariana e Colatina, no Estado de Minas Gerais ameaçam se repetir em outras barragens. Quantos mistérios rodeiam as mentes e os corpos de nossos brasileiros?
    Reforma agrária para políticos, empresários e mortos!
    A cada dia um novo mistérios horrendo surge em nossos meios de comunicação, como um pesadelo diário em nossas cabeças nos carregando para uma espiral de lama, mas poderia mesmo ficar com título do jornalista.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s