Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

A utilidade do inútil

1 comentário

Esse o nome do livro de Nuccio Ordine, com o complemento “Um manifesto”. O pensador italiano questiona o excesso de utilitarismo, que obriga as pessoas a uma prática nem sempre agradável, mas apta a produzir resultados palpáveis no âmbito do interesse material. Na verdade, o livro é um estímulo ao cultivo do espírito e do crescimento cultural da humanidade. Sua proposta é elogiar a literatura, a cultura e a educação.

Tríade que ele considera “o líquido amniótico ideal no qual podem se desenvolver vigorosamente as ideias de democracia, liberdade, justiça, laicidade, igualdade, direito à crítica, tolerância, solidariedade e bem comum”. Todos esses valores estão em declínio em nossos dias de rispidez, ressentimento, ódio e intolerância.

O lado prático da vida impõe um comportamento de autômato, aquilo que Ionesco chama de “rinoceronte”. O homem-rinoceronte se converte em presa fácil do fanatismo delirante de cunho ideológico. As discussões, xingamentos, violência verbal e mesmo física de nossos dias mostram bem o perigo da disseminação de tal postura.

À procura de resultados práticos e tangíveis empurra o País para o abismo da ignorância. É sinal de ignorância não ouvir o outro. Impedi-lo de se manifestar. Persegui-lo ou ofendê-lo. Já o poeta é uma criatura aberta ao sonho, à criatividade e ao flanar prazeroso. Manoel de Barros não deixava de explorar temas considerados “inúteis”, tanto que se considerava “um fazedor de inutensílios”.

Da mesma forma, Quintana, Cora Coralina, Adélia Prado, são predestinados que extraem do “nada” um “tudo” de imaginação e de “viagem” pelo mundo da beleza. Essa contaminação pode chegar à escola. Tanto a do ensino fundamental, como do médio e técnico e até à universidade.

A preocupação com o preenchimento de formulários, de planilhas e de avaliações, a obtenção de resultados e de êxitos no “ranking” imposto por uma cultura consumista podem inibir a curiosidade, a busca livre e desinteressada do conhecimento, até mesmo daquilo que os pragmáticos podem pensar que é inútil.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 05/05/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Um pensamento sobre “A utilidade do inútil

  1. Obrigado, Secretário pelo banho de cultura.

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