Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Como chegar ao consenso?

2 Comentários

A lenda do “Brasil cordial” desmoronou. O País é socialmente problemático, para dizer o menos. Desigualdades sociais e de nível educacional acumuladas durante mais de três séculos de escravagismo, com proibição de imprensa própria e de criação de Universidades, causaram erosão nos laços de enraizamento e de adequada formação de identidade coletiva. A Constituição Cidadã de 5.10.1988, pródiga em direitos – mencionados 76 vezes, enquanto “deveres” aparecem apenas em 4 oportunidades – gerou expectativas que o Estado não tem condições de satisfazer.

Para culminar, uma crise sem precedentes, mais séria do que o grande “crack” da Bolsa de NY em 1929, precipita as coisas. Insatisfação coletiva, falta de alento, falta de perspectiva, ausência quase absoluta de esperança. A matriz jurídico-institucional está alicerçada numa Justiça concebida como poder capaz de decidir todos os problemas, independentemente de sua dimensão. O fetiche da lei ainda vigora e não tem receita para as práticas sociais de natureza confrontacional registradas para perplexidade de muitos que não viram o mundo mudar, nem as alterações da sociedade brasileira se aprofundarem. A verdade é que o Estado do bem-estar social não tem como atender a todas as demandas. Como bem observa o pensador Ives Gandra, “o Brasil dos sonhos não cabe no PIB“. Por sinal, PIB que só tem diminuído nos últimos anos e em queda acelerada nos últimos meses.

Os formadores de opinião têm uma enorme responsabilidade neste momento. Quase doze milhões de desempregados, só considerados os que ainda continuam à procura de emprego. Milhares de fábricas fechadas, centenas de milhares de casas de comércio. Famílias passando necessidade e nenhuma certeza de que um milagre ocorrerá e fará com que esta página triste seja virada, para uma leitura mais otimista de um Brasil que sofre. Reclama-se prudência, juízo e dose infinita de paciência. Quem se dispõe a oferecer uma alternativa?

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 12/05/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Como chegar ao consenso?

  1. Dr. José Renato Nalini, V.Exa termina seu texto indagando quem se dispõe à uma ajuda para reconstruir o Brasil.
    Qualquer ajuda será bem vinda, mas nada virá…
    Em 1988 juristas, legisladores enganaram o povo com a Magna Carta, nossa Constituição Federativa.
    Creio que ao tece-la os operários do direito, os homens de bem, estavam ébrios ou em êxtase, porque jamais foi visto tanta mentira garantida ao povo.
    O Brasil, as autoridades de direito jamais olharam na face do seu povo.
    E, sem nem conhecê-los, vêm com uma Carta Mãe, melhor Madastra, oferecer tantos direitos que, eles todos, bem sabiam que jamais sairiam do papel, inatingível à plebe do país.
    Todos são iguais perante a lei !
    Que lei ?
    Iguais como?? Se, um tem escolaridade, o outro nem seu nome assina.
    E, o mais drástico, é que livro divindado foi entregue ao povo como garantia de um país pugente, embora ainda em crescimento.
    A desgraça deste país foi a quantidade de direitos expostos na Constituição.
    Judiciário nunca cumpriu com tais direitos, idem os seres humanos entre si, o que veio a desabrochar a geração revoltada, bandida, debochada, já que humilhada a massa humana de brasileiros foi.
    Antes, tivessem em 1988, dado um emprego à cada adulto e uma escola às crianças.
    Qdo não estamos mentindo, não carece um livreto cheio de engodos.

    TODOS TEM ACESSO À JUSTIÇA !!!

  2. Reflexão como sempre excelente. Parabéns, Secretário.

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