Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Quase impossível

1 comentário

A mais difícil dentre as empreitadas humanas é mudar a própria consciência. Todos temos nossas verdades estratificadas, a rigidez das opiniões que não mudam, infinita capacidade para o autoperdão e inviável abertura à posição alheia.

O “conhece-te a ti mesmo” atribuído a Sócrates é um exercício diuturno e pode levar uma vida. Mas um exercício que não custa nada é perguntar: “quanto tempo me resta?”. Ou, mais objetivamente, quanto ainda tenho para viver?
Levássemos a sério a inevitável ocorrência e talvez não perdêssemos tanto tempo com inutilidades. Poderíamos valorizar e intensificar a vida, em lugar de desperdiçá-la com questiúnculas, com maledicência, com fofoca e com toda espécie de crueldades.

É muito difícil conciliar os desejos momentâneos com as metas existenciais. Temos um discurso edificante: valorizamos – em tese – a meditação, a reflexão, o sossego e a serenidade. Mas passamos dez vezes mais tempo frente à TV do que fazendo aquilo que afirmamos preferir: exercícios espirituais.

O “teste do último ano” pode ser uma alternativa para quem está insatisfeito com a vida e consigo mesmo. Se este for o último ano da minha vida, como é que eu deveria passar a próxima hora: passeando pelas redes sociais ou lendo algo que me acrescentasse? Como é que eu pretendo gastar meus últimos tempos. Com quem?

Estamos sempre procurando culpados para as nossas desilusões. Em lugar disso, façamos um honesto exame de consciência. De que vale acusar os outros e esquecer nossa própria responsabilidade? Ainda que a conclusão seja no sentido de nossa inocência, a abordagem conduz a uma autovalorização, pois estimula a encontrar criatividade para melhorar a situação.

Em vez de culpar os políticos pelos problemas do País, pensar naquilo que depende de mim para minorar as consequências do desastre. Refletir melhor para escolher nas próximas eleições. Aprender um pouco mais com Lev Tolstoi, para quem “todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”. Há um ditado chinês bem adequado: “Antes de pensar em mudar o mundo, dê quatro voltas dentro de sua casa e veja se nada existe ali para ser mudado”. Afinal, a única coisa sobre a qual temos controle somos nós mesmos!

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 12/05/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Quase impossível

  1. Excelentes reflexões. Parabéns, Secretário.

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